Acho que estou tomando gosto por essa tal de prosa...
Estive aqui pensando. O ser vivente é realmente algo poderosamente vitorioso.
Constante livramento...
Aos que me conhecem, nem preciso dizer que testemunho frequentemente a fragilidade da vida. Aos que não conhecem tão bem assim, fiquem com a pulga atrás da orelha...
De todo modo, realmente é frágil, essa tal de vida. Num instante, num repente, não mais que num repente, tudo muda. Tudo acaba...
Iludimo-nos o tempo todo, julgando saúde, bem estar, sobriedade, inteireza, estabilidade, garantia... tudo mentira, como também concorda comigo o Doutor. A verdade, a inegável verdade, é que tudo está e sempre esteve por um fio.
Um fino e fragilíssimo fio que garante o sustento da vida. Uma coisinha de nada... um fio tão esticado, mas tão esticado, tão a ponto de arrebentar-se, que quaisquer 50 gramas que se ponham a mais sobre ele o destroem.
Verdadeira primeira corda de cavaco, o fio da vida.
Basta um olhar de relance, uma palavra mal dita ou bem dita, que todo o equilibrio pende pra um dos lados. Basta a falta de 200 ml dos habituais ou ideais 2 litros de água para uma dor de cabeça daquelas... Basta uma dor existencial bem pronunciada pra se encher o rabo de cachaça e mandar a tal sobriedade pras cucuias!
E basta também um repente, um ponto limite no acúmulo de tensões e obstruções pra um infarto fulminante e um AVC.
Basta aquele torresminho de nada, porém diário. Aquelas brigas rápidas e insignificantes, porém semanais. As saudáveis expectativas, porém desiguais e por isso frustradas... e pimba! No decorrer de poucos anos (15 anos é pouca coisa, lhe garanto...) tá o meu pobre leitor cheio de inflamações nas articulações, cirrose hepática, enfisema pulmonar, insuficiência renal, pedra na vesícula, apendicite...
Por isto é que eu digo: a vida é muito frágil, e por isto, constante livramento. Diante de tantas e inevitáveis situações (estas que citei) que o devir há certamente de impor, só mesmo por livramento divino manter o tal equilíbrio que permitirá no devido tempo a recuperação plena ou satisfatória da pessoa humana, impedindo-a de perder o sentido da vida em casos irreversíveis ou de perder a própria vida em situações de precocidades clínicas diversas (como um infarto aos 25 ou AVC aos 27)
Impõe-se, assim, que haja no universo uma força que não nos pertença, desafiando a loucura do caos e sendo ao mesmo tempo parte dele.
No caos da vida, em algum ponto dele, se esconde o nosso livramento...
1 comment:
Julim, o seu blog é muito legal! Melhor que o meu! Mais sério e mais reflexivo. O meu anda com muito negócio bobo....huauhahuauhauha
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