Tuesday, July 31, 2012

Dentro de uma hora e quarenta e três minutos, o censor vai voltar pro Brasil.
Eu não estou triste.
Eu entendi!!!
E partilho com todo mundo, ó:

http://www.youtube.com/watch?v=KZbGVHk3tBA&feature=player_embedded



Sunrise doesn't last all morning | A Alvorada não dura a manhã toda
A cloudburst doesn't last all day | E uma trovoada não dura o tempo todo
Seems my love is up | Parece que meu amor terminou
And has left you with no warning | E deixou-te sem aviso
But it's not always going to be this grey | Mas não será cinzento para sempre.
All things must pass | Todas as coisas precisam passar
All things must pass away | Todas as coisas precisam morrer.
Sunset doesn't last all evening | O Ocaso não dura toda a tardinha
A mind can blow those clouds away | E um pouco de dedicação pode soprar essas nuvens para longe
After all this my love is up | Ademais, todo esse meu amor desistiu
And must be leaving | e por isto precisa ir
It has not always been this grey | E não foi cinzento deste jeito sempre.
All things must pass
All things must pass away
All things must pass | Todas as coisas precisam passar
None of life's strings can last | Nenhum dos apegos da vida pode durar
So I must be on my way | Por isto preciso seguir meu caminho
And face another day | E enfrentar mais um dia
Now the darkness only stays at nighttime | Agora a escuridão dura somente durante a noite
In the morning it will fade away | E de manhã, se dissipará
Daylight is good | A luz do dia é boa
At arriving at the right time | quando chega no momento certo
It's not always going to be this grey | Não será sempre cinzento assim
All things must pass
All things must pass away
All things must pass
All things must pass away

Monday, July 30, 2012

Comida do Himalaia é assim, ó. Gyosa de carneiro.




Rapazim simpático e nada ditatorial censor encostado na parede de alguém em uma ruelazinha de Leh, Ladakh. As casas são feitas de areia, água e esterco. E pelas fotos de cima, você deve ter percebido que o clima é desértico, a única área verde é a cidade! Um oásis!

Imperdível... Tirada no centro de New Delhi. Praca de papé.

Túmulo de Humayun, em Delhi, que inspirou o Taj Mahal, que fica em Agra.

Portão Oeste do Taj Mahal em Agra.

Hahahahahahaha... Hahahahahaha... Hahahahahahha... Precisa descrever?

Vista do alto do Amer Fort, em Jaipur.


O nosso guia simpaticíssimo em Jaipur, no Amer Fort. Parece até o Moacir da Tia Lenir.

Instrumento para observar o nascimento do sol em cada signo, no Jantar Mantar (observatório solar) de Jaipur. Em Mármore e todo redondo...

Jantar Mantar, ainda. Maior relógio solar do mundo, com precisão de 2 segundos.

Madurai... Roupa do Gandhi, na qual ele morreu. A mancha é o sangue dele mesmo.

Entrada do Memorial do Gandhi.

Jan Monvoor, nosso anfitrião para o jantar em Madurai.

Bangalore. Eu e meu semelhante.

Lalbagh Bothanical Garden - Bangalore
Tá bom?

Saturday, July 28, 2012

Oi. Esta postagem é um salto para a humanidade, já que atualiza muita coisa.
Agra, a cidade do Taj Mahal, é um lugar agourento e que traz má sorte.
Isto porque o hotel em que ficamos, sem ar condicionado, trazia embutida na janela uma opção difícil, de duas possibilidades: pernilongos e calor, com mais ventilação ou menos ventilação com menos pernilongos. Havia uma fresta de cerca de 10cm dos lados do water air cooler; uma espécie de ar condicionado que usa como refrigerante a água, que fica ali circulando.
A água de Agra, que sai nas torneiras, é extremamente salgada. Está entre a lágrima e a água do mar.
Mas o Taj Mahal... o Taj Mahal... é seguramente uma das edificações mais lindas do mundo. É lindo. Lindo demais. Enorme. Mas enorme mesmo. E projetado com detalhes incríveis. A caligrafia que está nele, por exemplo (trechos do Alcorão) muda de tamanho, aumentando à medida que o prédio é mais alto, para que a pessoa que o olha veja tudo do mesmo tamanho. Os quatro obeliscos nos quatro cantos são inclinados em 1,6 graus para fora, pois assim em caso de terremoto eles caem nos jardins e não danificam o prédio. Os incrustados em pedra são absolutamente fantásticos, nivelados com perfeição. Enfim, detalhado e maravilhoso. E um monumento à corrupção e à depressão. O rei que o construiu foi deposto assim que anunciou que iria fazer, do lado oposto do rio em cuja margem o Taj Mahal está o seu próprio mausoléu, desta vez preto. E ele ia ao túmulo todos os dias, enquanto livre.
Assim que deposto, foi preso, mas pediu uma cela de onde pudesse olhar todos os dias para o Taj. E morreu ali, sonhando com a mulher que ele amou e que ali enterrou. Acabou sendo enterrado dentro do Taj Mahal mesmo, ao lado da dita cuja. História bonita...
Bem, a Índia é contraste. Assim sendo, muito embora a maravilha que o Taj Mahal e só ele consegue ser, Agra é extremamente quente e úmida, e tem cheiro de esgoto pra todo lado. E muito malandro na rua, cobrando preços absurdos por coisas absolutamente falsas... Os artefatos que são reproduções das coisas do Taj mesmo são feitos pelos restauradores do edifício, e patrocinados e reconhecidos pelo governo. E são caros, mas não absurdos. Para fazer uma parede vazada de mármore do Rajastão (do que o Taj é feito), leva-se 7 meses de trabalho manual. Fazer um porta jóia de tampa vazada com pedras (madrepérola, lápis-lazuli, coral etc) engastada leva muito tempo, também. Mas fazer uma coisa de pedra sabão branco é fácil. Pedra sabão é barata, macia e abundante. E o material preferido para falsificações...
Bom, em Agra todo mundo parece estar ansioso pra levar unzinho a mais, e por conta da confusão toda que isso acaba gerando, acabamos decidindo cancelar o trem e ir de táxi para Delhi, que é a 240 km de distância.
No caminho para Delhi, o motorista ameaçou cochilar, mas foi desperto com os xingamentos do censurado. Fiquei até com pena, mas é melhor que morrer. E em Delhi, ele não achava por nada o hotel. Depois de umas duas horas rodando a cidade, acabamos chegando lá. Um hotel da rede Ginger. Confortabilíssimo, grazadeus.
Mas os cortes de energia em Delhi são frequentes. Muito frequentes. Uma vez por hora, pelo menos. Para que tudo ficasse lindo, machuquei meu pé, até liguei pra Aninha pra pedir uma idéia. Pois, por mais que o ideal seja deixar a ferida aberta para cicatrizar, na Índia isso significa estar com o machucado dentro da onipresente sujeira. Um machucado pequeno, gente. Bem pequeno. Mas o medo mesmo era infeccionar.
Em Delhi, fomos ao Museu Nacional, com exposições detalhadas sobre a cultura indiana, desde os Harappan, do vale do Indos, até os principados da colonização do século XX. Muito bom, aquele museu.
Depois, fomos ao túmulo de Humayun, que inspirou o Taj Mahal. Assim, só inspirou, pelo jeito. O Taj dá de 400 a zero no negócio. Quando você vier aqui, veja-o primeiro, ou terá um enorme efeito 27.
Por falar em 27, como o calor de Delhi era de uns 70 graus na sombra (aliás, em Agra e Delhi bati meu recorde e tomei 4 litros de água em um dia...), fomos pro hotel descansar um pouco no ar condicionado, que de hora em hora dá uma pausa pelo corte de energia, mas é o que tem.
Claro, o motorista do táxi se perdeu. E, de novo, não falava uma vírgula de inglês. Mas tudo bem, é o que tem.
Acordamos às 3:30 da manhã, tomamos um táxi pro aeroporto, pegamos um avião para Ladakh, na Caxemirra.
Que mudança!!!
Ladakh, província no trans-Himalaia em cuja capital ficamos (cidade de Leh) é absolutamente maravilhoso.
3500 metros de altitude, os morrinhos em volta deviam ter uns 3900, 4000 (estimativa, ok?). Claro que subimos os morros. De cima deles, uma vista fantástica. A cordilheira com as suas geleiras, o vale de Leh, o Indos passando lá longe... E um monte de exército pra todo lado, afinal a Caxemirra tem sido disputada por Índia, Paquistão e China há tempos... no caso, desde 1948.
Mas absolutamente seguro e tranquilo.
No primeiro dia, visitamos os mosteiros no alto das montanhas. Depois de uma noite relaxante, no segundo dia o plano era visitar o mosteiro de Alchi.
Mas o Dalai Lama foi em Leh. É isso mesmo. O Dalai Lama foi lá, enquanto estávamos lá.
A 14a. encarnação dos Lamas do Tibet. O Buda. Vote: você acha que a segurança foi reforçada na cidade? Ô se foi! O Tibet também é área de disputa e conflito, não de esqueça. Os chineses gostariam muito que o Dalai Lama morresse em uma explosão acidental. Ou tiro, ou de qualquer outra coisa. Ele é o "rei" deposto do Tibet, em cujo lugar foi colocado um fantoche do partido comunista chinês...
Por isto, a cidade ficou intrasitável. Resolvemos nem arriscar sair de lá. Ficamos no hotel. Com vista, da janela, dos picos nevados do Himalaia. Tomando chá das quatro. Comendo coisas deliciosas. O Dalai Lama falou em Ladakh, então não fomos ver. Não entende-se nada daquela língua, que soa como francês, às vezes, curiosamente.
O hotel é cheio de franceses, e por isto mesmo aquelas frescuras de etiqueta francesa são seguidas. Três colheres diferentes, dois garfos, copo disso, copo daquilo, cuia de não sei o que, prato para colocar o seu guardanapo... E à medida que voce vai comendo e colocando os talheres na posição de "acabei de comer isso aqui" (faca com o corte para dentro ao lado do garfo voltado para cima, dentro do prato e com o garfo na porção superior do prato), mudam o que você estava comendo. Enfim. Hotel Le Grand Beaudeausitè de le trans-himalaiê. Ipanaiê.
Decidimos nem ir mais a Aurangabad, onde está chovendo sem parar. Trocamos a reserva da passagem e voltamos pra Bangalore.
E aqui estamos... Felizes. Contentes. Realizados. Processando (ao menos no meu caso, o tempo todo) o que isso tudo que eu vi queria dizer. E tentando contar, pra que todo mundo possa participar.
Bem, como dizem em Ladakh... Jullay!! (até mais ver)
(aprovado pela censura)

Monday, July 23, 2012

Saímos do excelente hotel Le Bodeause, de Jaipur, para cair depois de uma viagem de trem divertidíssima no hotel El Xinfrín, em Agra. A cidade do Taj Mahal.
O Tah Mahal, até agora, é o túmulo mais bonito que eu conheço, hein... É grande, mas beeeeem grande mesmo. E bonito.
Depois as coisas começaram a ficar mais tensas. Agra é muito caro. Mas muito caro. Os artesanatos são caros, as entradas do Taj Mahal são caríssimas, os riquixás são muito caros... Barato mesmo era o hotel!  Voltamos pra lá, cancelamos os bilhetes do trem que chegaria em Nova Delhi às 22:30 e alugamos um carro com motorista. O motorista era muito simpático, mas não falava UMA palavra de inglês, só hindi.
E como pra quem está todo cagado um peido não é nada, ele começou a dar umas pescadas no volante, e eu briguei com ele um pouco, falei que ele tinha q parar e tal.
Como ele ficou um pouco irritado, acabou acordando, mas não parou nada. Paramos só num restaurantezinho a 100 km de Nova Delhi para o chá das 16:00, e depois seguimos viagem.
Em Delhi, rodamos por uma hora ou mais para achar o hotel, que fica perto das muralhas antigas de Delhi histórica.
Mas chegamos. Hotel Le Petit Bodositè, com ar condicionado, tv a cabo, trelelelelelele... Coisa boa.
No aperto, acabou-se descobrindo que até entendo uns 2 mm de hindi. Ou isso ou ocorreram milagres. Sei lá.
Este texto não foi aprovado pela censura, pois os censores estão ocupados em profunda meditação latrínica no banheiro...

Saturday, July 21, 2012


O censor limitou-se a dizer que um vídeo prévio, que sequer merece citação, não correspondia à realidade do trânsito de toda a Índia.
Assim, foi feito um novo, a ser futuramente postado no youtube, acerca do mesmo tema.
Não obstante estes fatos, cito como adição que Jaipur é muito linda, muito mesmo! E quente, tão quente quanto Bangalore em Abril (segundo o censurado) ou o Nordeste do Brasil (segundo o censor).
Hoje só pudemos ver o Observatório Astronômico do Maharaja que por aqui havia pelos idos de 1700 e guaraná com rolha. Chamado de Jantar Mantar… Muito interessante.
Depois fomos a uma fábrica de roupas de Jaipur. Os lençóis de Jaipur são vendidos em Bangalore, até comprei um lá em Bangalore, já. São carimbados aos poucos, e cada carimbo deve recair sobre o último que ali foi posto, de forma que ao final se tenha a figura completa. Coisa complicada.
Não posso postar fotos, pois as dignas de postagem ainda não foram selecionadas pelos órgãos competentes.
Só posso dizer: Djai Gurur Deva! (As palavras do Guru são divinas).
Até mais, queridos expatriados!!!

Friday, July 20, 2012


Pois é como eu suspeitava, mesmo.
A Índia é muito mais divertida com o Zoto.
Madurai ficou mais legal! Ah, como eu amo meu irmão preferido Frederico, o censor!
A gente foi no Museu Memorial do Gandhi, onde tive uma aula de história linda! Tem a roupa do Gandhi manchada de sangue, tem a colher, o chinelinho de madeira…
Depois a gente foi no templo de Krishna, onde ganhamos até aquela marquinha vermelha na testa.
E no palácio do Tirumalai.
Depois, no templo de Meenakshi, onde o Frederico tirou retrato dos "bonequinhos azuis", ou seja, os deuses.
E depois, fomos na loja do Jan Monvoor, o amigaço, que nos convidou pra janta.
O Frederico não quis muito não, a princípio. Tava meio estranho mesmo. Eu também tava querendo ir pro hotel… Dei até um caô de que a gente tava fedendo, que era melhor colocar roupas melhores… mas o Jan falou um "que isso, meu irmão querido! fiquem como estão!"
Como estávamos meio presos, fomos olhar as coisas que tem lá, e como tudo é tão lindo, desde as imagens até os tapetes e estolas… o Frederolha comprou umas coisas, e ficamos mesmo pra janta, com um frango em um estilo claramente diferente do sul, arroz, feijão, ovos. Comida Kashmir.
Acho que vou me mudar pra Caxemirra, porque a comida é boa demais da conta!
E, por fim, o impensável! India is incredible. Tiramos um retrato juntos com o amigaço. 
(aprovado pela censura)

Wednesday, July 18, 2012

Desde ontem não tínhamos água.

- Por favor, Julio, deixe-me te aconselhar uma coisa.
- Pois não, padre. O que é?
- Vi-te a buscar água por duas vezes hoje. Não faça isto.
- Mas não há água no Centro de Pesquisa (Research Center), padre.
- Sim, eu sei. Mas caso precises de água, manda um dos meninos sudras buscar.
- Mas eu posso pegar a água. Eles estão trabalhando na obra. Pra que incomodá-los com minhas necessidades pessoais?
- Mas não podes fazer isto. És um brâmane, um Swami. Um dos grandes.
- Padre, por favor, deixe-me ser o menor de todos.
- O que?
- Deixe-me ser o menor de todos.
- Tudo bem.
Ficou meio sem graça.
E não falou mais nisso.

Tuesday, July 17, 2012

Adesso a vivere


meio esquisito eu saber que estou preso a ti
e mesmo assim não me importar por me saber livre
livre dentro da cadeia

tua corrente é o meu amor que de mim não sai
mas sempre o jogo em você que o aumenta amante
mágico onipotente e lindo

não há amor fora do amor que é você e nada
pode sair desta cadeia louca que tu fazes
e se chama mundo

mundo imundo eu sei, eu sou,
mas também sou sem vergonha ao ponto de sempre voltar
coberto de barro querendo colo.

e então, o que faremos? 
dancemos a louca canção do nosso amor impossível
e improvável.

Gentche, o Frederico chegou. Morto, coitado. Fui buscar o danado no ôroporto as 8, e cheguei lá só 9:30 por causa do transito lindo. 
Daí ele chegou, almoçamos e ele deitou pra dormir só umas duas horinhas, que viraram quatro!
Vou acordar ele e dar uma volta pela vizinhança, que é pra ele poder morrer mais ainda e dormir durante a noite. Com um pouco de sorte, a noite toda. Uma terapia meio direta demais, talvez. Quase cruel. Mas se não for assim, ele não conseguirá acordar daqui a dois dias pra pegarmos o avião pra Madurai, que decola daqui às 7:30! Precisaremos sair daqui às cinco e quarenta e cinco, no máximo...
A Índia o recebeu de braços abertos: ele não entende o sotaque perfeitamente, já faltou água, luz e a internet caiu!
Aliás, nem sei se consigo ligar lá pra casa hoje, pelo sicáipe.
Vai depender da boa vontade da rede… 
Já conversou com o Marco, depois ficou assim "Gente boa! Gente boa, esse Marco!". E as pessoas ficam perguntando "Sério que vocês são irmãos?"
É a vida, uai.
E que eu sou irmão de Deus, dá pra acreditar, tampouco?


Sunday, July 15, 2012


Querida Teresinha;

Eu também vivo já fora de mim.
Morri de amor, Teresinha! Se não fosse você, não conseguiria entender o que se passa.
Amo esta vidinha aqui da terra, mas concordo com você, que sempre celebrou a graça da brevidade de vida que seus irmãos tiveram.
Porque a pergunta que fica é: e…? 
Inclusive, há até um gibi da turma da Mônica, uma história sobre o Franjinha, com esta pergunta. Acho que quando alguém mata um gibi, seja o perdendo, danificando, jogando no lixo, recliclando… ele vai pro céu. Tenho certeza de que eles têm alma. E deve ser alma imortal, posto que li esta história já há muito tempo e não me esqueço dela, que está sempre na minha mente. É imortal, a alma daquela hestorinha, e de outras. Até me divirto, porque diante dos meus olhos, quando fechados, posso ver o exato quadrinho onde a Magali pergunta ao Franjinha "…E…?", o irrita e depois se volta para a Mônica dizendo: "É mágico, não?". Então… se você ainda não tiver lido esta hestorinha, leia-a aí no céu. Ela é assim mesmo, com H e E, porque é mistura de realidade e ficção. Inegável a realidade da turma, mas em um mundo de ficção.
Bem, o caso é que ela fala da nossa pergunta que não que calar. E…?
Nascemos. Crescemos. Mamamos no peito. Tomamos todas as vacinas. Hoje em dia tem até de tuberculose, pena que você não a pôde tomar e acabou morrendo disto. Mas há…
Aí crescemos mais. Estudamos. Aprendemos música. E arte, pintamos. Moldamos cerâmica. Criamos textos. Compomos músicas!! Cantamos. Vamos à missa. Comungamos. Alguns se casam, outros não. Os que se casam antes se apaixonam… Alguns dos solteiros também o fazem. Apaixonam-se por si mesmos e pela ilusão de liberdade. 
Alguns, hoje em dia, não vão à missa, mas vão ao culto. É mais ou menos a mesma coisa. No fundo, é a mesma coisa, mas as camadas superiores (porque igrejas são espécies de pavês de espiritualidades) costumam ocultar o fundo do doce, que é a doce união com Deus. É pena que na França da tua época, não havia muitos cultos para você poder ir. E é bom (também) que tenha sido assim!
Eventualmente, temos filhos. Ganhamos até um dinheirinho. Fazem doutorado, vão a outros países.
Como você mesmo comentou, quero muitos anos ainda viver. Mas meu objetivo de vida é a morte.
Pois é…
Fazemos isto tudo e…? Morremos!
E a morte é uma delicia, Teresinha!  Quando atingimos este grau de maturidade na vida, que é exercer o direito de morrer (porque as pessoas morrem e não são morridas, portando é atitude, em última análise), nos encontramos com o sentido da vida, do qual a vida por si mesma padece falta.
É lá, do outro lado do mundo, onde existe uma biblioteca infinita de Gibis e outras Hestórias, já que muitas são as hestórias já contadas… lá! Aí, no caso, né?
Aí as coisas não precisam de reticência. Aí não é e…?, mas e isso e aquilo e mais e menos e tudo e nada e infinito. 
Se tivéssemos um hotel com um número infinito de quartos e todos estivessem ocupados, caso chegasse um número igualmente infinito de hóspedes de última hora ainda assim haveria lugar para todos, muito embora o que ganhasse o número de quarto "infinito" levasse um tempo infinito para chegar à recepção e suas ligações para a mesma nunca fossem completadas. Seria a este hóspede necessário levar tudo o que precisasse para o quarto, ao qual nunca chegaria.
Esse hotel é a vida. E o quarto "infinito" é o céu.
No inferno, os quartos têm números. O meu lá, é o 301. Pegue o elevador, desça, vire a primeira a direita. É em frente ao seu quarto, que você tinha mandado reservar. Mas você foi pro céu, tendo eu por prova o número enorme de milagres que você pediu junto com os seus amigos que aqui ficaram. Você mereceu o céu mesmo.
Eu mereço o inferno, certamente, e acho que vou pra lá.
Ir pro inferno é fácil. Mas o inferno é uma "…" sem sequer e ou ?. O Inferno é uma droga. 
Eu queria mesmo ir pro céu, te fazer companhia, agora que somos tão amigos.
Eu tenho vontade dos "e"s do céu. Tenho vontade de poder incluir e ser tudo.
A dor de nós, princesos e príncipas, é não poder ser tudo. O único lugar que nos deixa ser tudo é o céu, porque pra chegar lá, temos que passar por todos os outros quartos, que é o mundo todo e até mesmo o inferno.
Quando a gente se cansa muito de subir as escadas, há um elevador onde Nossa Senhora do Carmo é a ascensorista, dizem. É o purgatório. Mas o elevador mesmo é Jesus. Só pode ser. 
E tenho certeza de que você não se assusta com a minha idéia de Maria dentro de Jesus, porque você carregava seu pai e sua mãe no peito, como eu também faço com os meus. Porque Jesus, que é gente igualzinho à gente, não faria igual?
Lá tem um número infinito de pessoas (acho que todas, porque Jesus não consegue não ceder aos apertos de botão da solidariedade com os seus irmãos humanos, nós, que aprendeu com a sua mãe…), mas todo mundo tem privacidade porque a área dele é infinita.
Brilha nele uma luz sem brilho… uma luz que é tão pura que não chega a iluminar. Nem é luz nada. Porque Luz e energia e onda e matéria se expandindo e oscilando por aí. Mas essa coisa que existe nesse quarto aí é um                         .
E é o único                       que existe. O nome dele é esse mesmo, se não me engano:                      .
Eu amo muito essa vida aqui. Você também amava, e ainda ama, claro. Mas realmente… o              é MUITO mais legal.
E aí, fico sonhando, querendo viver o máximo possível por aqui, mas ansioso pra chegar o dia de eu conhecer este                             pessoalmente.
E se a idéia de                         parece implausível a um lugar onde tenha todos os gibis do mundo… é porque o                    é feito de Es. Aí cabe tudo, e ainda sobra muito                     .
Amiga, colega, comparsa:
Eu também. Vivo sem viver em mim e morro porque não morro. Ah, que longa essa vida. E que bela…
Minha querida príncipa, termino por aqui. É que tenho que lavar o chão, tem muita poeira da obra. ..E…? rsrsrs...

Um beijo em espírito de também, do seu amigo e vaso quebrado

Princeso.

Saturday, July 14, 2012

Aleluia!!!

Depois de procurar por 5 dias, achei! achei um colchonete de ar.
Na verdade, achei também o colchão, só que só tinha queen size. Então comprei o colchonete mesmo.
Estou muito satisfeito com o colchonete mesmo, porque em tempo de guerra, urubu vira frango...
Está tudo preparado para a Parusia do Carloto.
E então a loucura de conhecer a Índia... que legal que serará.
À parte disto, tenho refletido muito sobre a natureza da Internet e do computador.
São coisas excelentes. Eram coisas boas, na década de 1980.
Mas melhoraram.
E, como diz o ditado, "se melhorar, estraga".
Viraram excelentes ferramentas muito potentes em favor da improdutividade... hahahaha!!
Se quiser, a pessoa aprende uma língua pela Internet.
E, se não prestar atenção, e for cinéfilo, vê filmes pelo youtube o dia todo.
É uma faca de dois legumes!!!
Não cheguei à conclusão sozinho não... estávamos conversando sobre isso Marco e eu.
Há 14 anos, mandava um email pra alguém e aguardava uns três dias pra entrar na Internet de novo.
Hoje, entra toda hora e fica assim, ao final do dia:
"Porque fulano não me responde esse email NUNCA!!!!???", sendo que mandaste pela manhã.
E enquanto fica na tensão pós moderna do imediatismo da resposta, se entrega ao relaxamento pós moderno da improdutividade, e fica alheio à realidade da vida!
Começa a pessoa a achar que o arroz é uma coisa que vem do mercado, porque nunca saiu de casa e deu um passeio de fusca para ver campos de arroz... e como os agricultores plantam, depois arrancam todos os pezinhos e os vão espalhando espaçados. Bem, pelo menos é assim por esses lados de cá.
Viramos imediatistas. Nossa comida fica pronta em três minutos, e 5 segundos entre clicar e a página de internet abrir é tempo demais e só pode ser sinal de que o computador tem vírus.
Sendo que, para que uma página abra rápido, precisa-se de uns 150kbps. E para telefonar pelo skype, 10 são suficientes. A comunicação verbal, o contato mais íntimo, exige muito menos.
Mas estressamos os meios de produção para conseguirmos máquinas que sejam muito eficientes e rápidas e n sei o que para... sentarmos diante delas e não fazer nada.
Fugere Urbem!

Friday, July 13, 2012

Se Você vier, desta vez eu Te assumo com lágrimas nos olhos
e consciência de cruz.
É que temo-te. Horrorizo-me com a perspectiva de tua escolha, porque
Sei que teu olhar me perdoa e me levanta vagarosamente.

Tudo fala de Ti.
Se Você vier, dessa vez e de novo, digo sim.
Tremendo de medo, agora.

Sozinho e sem solidão eu Te abraço entendendo perfeitamente
Que doerá.
Sim é uma palavra que dói.

Não entendo Tuas escolhas. Ó, piedade!
Se Você vier, venha com um sorriso nos Teus Santos Lábios, venha pedindo Sim.
Mira-me os olhos, enxerga minha dor e meu medo, chama-me a Ti mesmo, Estrada.

Eu, que não entendo o que queres, entendo que me queres.

Wednesday, July 11, 2012

Hoje me cantaram, na maior cara de pau. Disseram-me, mais uma vez...:

Se você vier pro que der e vier Comigo
Eu lhe prometo o sol (se hoje o sol sair)
ou a chuva (se a chuva cair).
Se você vier até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar, ou
num pedaço de qualquer lugar.
Nesse dia branco (se branco ele for)
Este pranto, esse tanto de amor.
Grande Amor.
Se você quiser e vier pro que der e vier Comigo.
Esse pranto, esse tanto!
Esse tão Grande Amor!

Grande Amor, se você quiser e vier
pro que der e vier Comigo.



http://www.youtube.com/watch?v=K7Egpv09U6s

eu respondo assim...


Grande Amor, se você quiser e vier
eu vou
pro que der e vier conTigo.

Monday, July 09, 2012


Ontem, depois de desligar com o Frederico em uma conversa de uma hora de vinte minutos, a mais longa que eu me lembro deeeesde 2010, quando eu morava em São Joléu, fiquei muito preocupado.
Nem dormi direito!
Fiquei com medo de não dar tempo de reservar as coisa tudo, porque tendo eu que ir pra baixo e pra cima em Goa, só entrava no hotel de noite, e meio cansado, e aí era complicado. O bilhete do trem é pra quinta, eu chego em Bangalore na sexta, aí tenho só sábado e segunda pra comprar as coisas que precisa e tal e coisa.
Acordei, desci a praça da Matriz, fui numa lojinha de passagens e perguntei: "Tem passagem pra Bangalore?"
"Pois sim, senhoire! Temos uma!"
Cinco mil e quinhenta rúpia. Avião. Fiz as conta. Iria gastar mais 5000 no hotel e com comida. A passagem de trem custou 1030, que seria devolvido. Então estamos falando de 500 rupias a menos.
E, como vou voltar aqui em Agosto de qualquer jeito mesmo, e de grátis, então é isso aí. É bom que pára de sestrar.
"Me dá"
Voltei pro hotel, enfiei as coisa tudo na mala, fui pro oroporto e em umas três horas (contando desde a hora em que saí do hotel) estava em Bangalore.
Arrumei já o motorista pra pegar o Magrelo no Aeroporto.
Amanhã, vou comprar os trem. Preciso de colchão, minha gente! Vou caçar um de ar, pq assim depois eu levo ele comigo pro Brasil!
E outras coisas tb, algumas medianamente necessárias, tipo comida.
Bangalore não chove, gente. Não choveu essa semana q eu tava em Goa.
Agora o negócio aqui vai ser preparar a palestra de 10 de Agosto, comprar os trem e ciceronear o Magrelo!
Poxa, ele tá demorando pra chegar!
E, como não tenho papas na língua, declaro: Dos meninos, o Frederico é o meu irmão preferido!

Sunday, July 08, 2012

Hoje eu acordei, fui na missa em português, conversei com o padre, que até quis me emprestar um livro sobre o Padroado Régio, mas na verdade era do Patriarcado do Oriente, uma coisa que eu sinceramente nem sei o que é, porque é algo mais recente que o século XVII.
Depois, fui na Velha Goa, visitar uns lugares, depois à praia!

Basílica de Bom Jesus, bem veiona. 1500 e qualquer coisa.

Imagem que chama a atenção, assim se se entra na Basílica. Muito diferente de tudo que eu já vi, parece representar Moisés dando a Lei, mas também parece com o Aristóteles no quadro "Academia de Atenas".  Sinceramente, não sei quem representa.

Vista da Nave Central da  Basílica. Eu tenho uma sequencia dessa pra cada igreja que eu fui, mas não vou postar tudo porque senão fica monótono. A sequência é: Fachada, Nave, Altar Mor, Naves Laterais (Quando há), imagens e inscrições interessantes.

Altar-Mor

Altar Lateral. No alto dele, em um caixão de cristal, o corpo incorrupto do São Francisco Xavier. É algo parecido com uma múmia, mas a coloração é de gente viva e a textura ao toque, idem. Sei lá o que é isso. Muitos chamam  de milagre.

Crucifixo dentro da sacristia. Não sei se podia entrar na Sacristia, mas ninguém me segurou.

Aparentemente, o primeiro esquife, aberto, onde ficava o corpo do S Francisco. O que torna a história da incorrupção do corpo ainda mais difícil de entender.

Do alto desta colina, um rapazim no século XVI, em 1510, assistiu a reconquista de Goa, que tinha sido tomada pelo reino vizinho...

Ele ficou tão feliz que mandou construir essa igreja pra Nossa Senhora do Rosário. Será que ele ficou rezando o terço enquanto o pau comia lá embaixo? O nome do rapazim era Afonso de Albuquerque.

Uma parte meio triste! Em 1893, as ordens foram expulsas de Goa Velha, e o Governo inclusive ordenou a demolição do Monastério dos Agostinianos. A História de Goa é cheia de expulsões de Ordens. Expulsaram primeiro os Jesuítas, nos tempos do Marqués de Pombal,  dali em diante virou  moda.

Catedral de Goa. Bacana, né? Tem uma torre só... Não entrei porque tinha um povo rezando. Já pensou que coisa terrível avacalhar a reza alheia?

O Mar da Arábia, na praia de Miramar, em Panjim, onde fica o hotel. Panjim é a Nova Capital, erigida no século XIX como tal (a cidade é bem mais antiga) para tirar de Goa Velha todo mundo se possível.  Goa Velha, nos séculos XVI e XVII, tinha mais gente que em Lisboa, e era conhecida como "Roma do Oriente". Mas o caso é que um péssimo planejamento urbano e saneamento deficiente causavam surtos de cólera e malária. Por fim o Governo Português perdeu a paciência e se transferiu pra Panjim. Por isto, talvez, expulsou as ordens, pra diminuir a população. Goa Velha, sinceramente, parece uma cidade fantasma! Mas Panjim não. Tem até a praia! Onde o pessoal nada de camisa e bermuda, razão pela qual não nadei é nada e fiquei conversando com Fejat e Pauline, um casal de franceses que pensou que eu fosse indiano. Já tô acostumado.

Quando deu 6 horas, caminhei pela calçada de Miramar de volta ao Centro de Panjim. Uns 45 minutos de caminhada, em uma das calçadas da única, até agora, cidade indiana que tem calçadas.

Pronto. Cê quer mesmo que eu escreva alguma coisa?

Saturday, July 07, 2012


Se algum dia escolha eu tiver entre aqui e acolá, penso eu que meu aqui trará em si um tanto de acolá.
Como já o faz, por sinal, ao subir as escadarias do Clube Vasco da Gama, no centro de Panjim.
Meu aqui lembrou-me o acolá para onde volverei em data pré-definida.
Quando naquele acolá, tenho certeza! de que a transmissão de Flamengo e Vasco me trará a este acolá de aí, guiando-me prevenido contra os neerlandeses ao segundo pavimento, acima do rés-do-chão, a saborear anéis de lula com pimenta.
E aí, neste agora acolá de aqui, chorarei de saudade baixinho, por lembrar da doçura que a pimenta tem quando comida com pão em um lugar onde se fala nossa doce língua de acolá.
Pelo que se conclui, portanto, que me resta a espera de que um dia possa eu gozar da possibilidade de escolha entre aqui, aí e acolá; posto que esta alma enrizomada em Juiz de Fora, Coimbra, Funchal, Colônia, Guiné e outros tantos lugares que nem sei faz tudo misturado.

Thursday, July 05, 2012


A comida indiana é muito gostosa, mas muito gostosa MESMO.
Mas é um desafio. Primeiro tens de vencer a barreira das pimentas, enfrentá-las, calejar os olhos, as papilas gustativas e tudo mais.
Tendo conquistado uma resistência, consegue ultrapassar esta barreira e chegar ao cerne da comida, que são as especiarias.
Oh, sim. Valeu muito a pena este comércio pra muitos países. Até mesmo pra Índia! No século XVI, a Índia detia 23% do PIB mundial. Era o pais mais rico do mundo, e na base da economia… especiarias. Pimenta, Cardamomo, Chili, Açafrão, Cominho e umas quinhentas coisas que não sei o nome. Tem umas pimentinhas miudinhas, lá em Bangalore, pimentinhas do reino do tamanho de cabecinhas de formiga lava-pé. Em Tamil Nadu, a culinária usa mais chili, e menos pimenta que em Karnataka. E acá em Goa… Cristo Jesus!
Se a comida indiana é muito gostosa, a comida Goesa é absolutamente espetacular. Comi ontem em uma cantina simplesinha, pobrezinha, lá no térreo da Biblioteca. Hoje o guarda-volumes, por indicação de Dra Lourdes Bravo da Costa Rodrigues (este último nome ela não usa, mas está por toda parte na Biblioteca) me levou à cantina da Secretaria da Fazenda.
Panaji é a capital de Goa, e a Biblioteca Central onde estou pesquisando é a Biblioteca Central do Estado, e está localizada no Patto, konkanização de Páteo, como o Páteo do Collegio em São Paulo, bem no miolo da cidade. Páteo é normalmente, em cidades portuguesas, o espaço ao redor e no qual se organiza o poder. No caso do padroado régio, isto incluía a Matriz ou a Catedral. Aqui em Goa, o novo governo fez um novo Páteo, retirado do antigo que fica em frende àquela igreja linda que postei aqui ontem. O fez do outro lado do "creek" (acho que é "ribeirão, em português, mas não tenho muita certeza entre ribeirão e canal) , em um aterro que antes era o lixão. Ainda tem um certo fedor, porque estão sendo feitas escavações para novos prédios.
Avenidas larguíssimas, de 4 a 6 pistas, com binários (carrossel da Salomão) em muitas ruas, e crivado de bancos estatais, secretarias, e a biblioteca central do estado de Goa, Krishnadas, é o nome que ela leva.
Bem, fomos à tal cantina na secretaria da fazenda. Que coisa deliciosa!!!! Mas por motivo de economia, não tomei café da manhã no hotel, só me limitei a seis biscoitos e água. É que o hotel cobra 130 rúpias pelo café. Um absurdo!!! Pra se ter idéia, o almoço na cantina hoje foi 30 rúpias. Um real, o PF da Secretaria de Estado da Fazenda de Goa, em Panaji. (repare como um almoço nesta localidade soa absolutamente surreal…)
Bem… pra não deixar o moço sem graça, o acompanhei de volta à Biblioteca e saí sorrateiramente para comer de novo. Fui num tal de Tato, pra ver qual era a da bagaça. Por 12 reais, comi curry de peixe, com direito a um vinho branco (pedi só meio copo, pq n é intenção ficar bebaço), arroz, uma sopa de vieiras (ostras), e duas outras coisas não identificadas. Magavilhoso! Ipanaiê!
De noite, agora há pouco, fui num muquífo aqui perto. O Bar do Jorge, que tem uma placa "restaurante familiar". Nunca mais volto no restaurante chiquetérrimo que fui no segundo almoço. Coisa fina. Me deu vontade de ir na cozinha e dar um beijo no cozinheiro.
O mesmo curry de peixe com arroz. Mas em uma abordagem caseira. Restaurante Familiar quer dizer que é gerido por uma família. Coisa fina.
É isso. Se até hoje de manhã eu estava pensando que nem valia a pena vir aqui pra um brasileiro, de tão igual ao Rio Histórico que aqui é, agora à noite proclamo: venham, e vão ao Bar do Jorge, e peçam o curry de peixe. Vale a pena todo o esforço de chegar aqui!
Tchaaaau!!! E de barriga cheia.

Wednesday, July 04, 2012


"Daqui a pouco eu lá vou e ponho a tal planilha sobre sua mesa. Mas não vou agora porque não estou disposta a suportar as chatices dele!"
Uma frase com um sabor delicioso, quando ouvida na Índia.
Comecei a rir. 
"I am sorry, sir… Do you need something?'
"Yes, I would like to talk with Mrs Lourdes Bravo da Costa."
"Well, this is her!"
Era a senhora que não estava disposta a suportar chatices.
"Bem, a senhora me desculpe, mas não é Brava só no nome, hein!"
"O rapaz do Brasil!"
"Sim!"
"Olha, meu filho, não entendes como é este chauvinismo indiano. Dá-me raiva. É gente de mentalidade tacanha. Inclusive porque falo português, me acusam de ser pró Portugal e não amar a Independência Goense."
"Quiçá isto fosse verdade, todos os antigos que acá moramos seríamos traidores!"- respondeu a outra moça.
"Ah, a senhora também fala português?"
"Pois sim! Todos falamos!" - anunciou uma terceira que entrava no escritório.
De 1599 a 1812 o Reino de Portugal dedicou-se a fazer uma limpeza religiosa na colônia de Goa, inclusive com a aplicações de pena de morte aos hereges. Em um território pouco maior que a cidade de Juiz de Fora, ao longos dos 300 anos 30 pessoas foram queimadas vivas pela Inquisição, muitos foram degredados, outros tantos fugiram. Tudo em nome da Lei de Cristo, que àquela época entendiam como a lei do porrete.
Foi preciso que a Côrte fosse ela mesma degredada para perceber que isto de degredo não valia a pena. No ano de 1812 o primeiro rei do Brasil, então Príncipe Regente João, decretou o fim da Inquisição em Portugal.
Mas, se no Brasil a Inquisição era branda, a de Goa era tida como a mais ferrenha das quatro Regiões de Portugal onde havia o tal tribunal.
Muitos não voltaram. Outros ficaram em regiões remotas, longe da capital Pangim. Criou-se um medo dos portugueses e daquela religião estranha que em nome do amor, queimava gente.
Mesmo os goenses que ainda falam português, estes ligados às famílias mais tradicionais, guardam um receio em relação à Religião do Amor. Muitos regressaram ao Hinduísmo. Não sei se é o caso das duas senhoras em questão. Mas é o caso do Rafael Dias, que me vendeu um pão com linguiça no caminho de volta ao Hotel.
Ou do senhor simpático que me vendeu cartões postais. Este nem fala mais português. Me disse em inglês que "os católicos querem os portugueses de volta." 
Não, não é verdade. Ninguém os quer de volta. Mas o caso é que muitas famílias que aqui residiam quando da anexação do território do estado português na Índia pela União Indiana, em 1962, perderam parentes. Foi uma guerra. Os indianos são bons de cascudo, e o exército português, que tinha firmado um acordo em 1948 com a União não acreditou que o exército invadiria Goa. Então os descendentes dessas famílias, e até mesmo alguns sobreviventes (1962 foi outro dia) dizem abertamente que foi um horror o que os indianos fizeram. 
É bem verdade que muitos gozam de dupla cidadania. Mas o fazem porque querem emigrar da Índia ao Reino Unido. Mas não, não querem os portugueses de volta. Ressentem-se pelos 462 anos de colonização, dos quais muitos (ao menos uns 300) foram desrespeitosos com a cultura daqui.
Foi a custo de sangue que Goa de tornou portuguesa, e foi a custo de mais sangue que deixou de ser. E o sangue que corre nas veias daqui não sabe direito se derrete-se recitando Camões ou se ferve pensando em Dom Manuel I.
Mas convidaram o brasileiro para dar uma conferência (uma palestra, né gente) em Agosto. Pela Fundação Oriente, de… Portugal.
E claro, emendaram um convite para um almoço de galinha à cabidela (frango ao molho pardo), mas com especiarias.
Mundo misturado, mundo misturado...
Chega, né?
Imagens, imagens…

Lisboa? Salvador? Não. Panjim.

Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, a três minutos do Hotel Casa Paraíso.

Oficina do Primo do João Sapecado

Monday, July 02, 2012

Nesse início de segunda metade, a confissão:
Foi moleza.
Fácil demais.
Simplesmente porque não fiz nenhum esforço para que fosse diferente.
Senti todas as dores e todas as alegrias. Procurei esvaziar a mente, o coração, nesses teclados que me cercaram.
Continua uma agitação, uma tempestade, as mesmas companhias divinas, agora com rostos diferentes.
Rostos mexicanos, etíopes, congoleses, coreanos, indianos. Rostos bonitos e serenos, faces de um Deus acordado que me repreendeu em silêncio e me fez acalmar.
Vez ou outra, uma lágrima de saudade. Quase sempre, uma acomodação inquietante.
Vou receber um visitante do exterior. Não me sinto mais no exterior. O exterior não existe mais, agora que virou o interior onde eu habito.
Quanto ao meu interior, uma voz virou companheira constante. Tornou-se normal e corriqueiro escutar aquela vozinha lá do fundo que é recadista de Deus. Chama-se consciência, e de acordo com Joana d'Arc, o lugar privilegiado onde Deus fala.
O que existe de mais diferente na Índia é que é tudo igual, com algumas coisas ao contrário e sem angu.
Mas angu nem tem gosto. Como pode fazer falta alguma coisa que nem tem gosto, comparada a uma salada de repolho com açafrão e côco refogados na manteiga clarificada com pimenta malagueta?
Educar. Ser guiado para fora. Estou sendo educado. Precisei sair de mim, da minha zona de conforto. E agora tenho outra, uma espécie de confortozinho. Uma zoninha de confortinho, por assim dizer.
Não acho a Índia estranha, na maior parte das vezes. Acho diferente, mas normal. Acostumei com a Índia.
Preciso sair logo da Índia e voltar ao Brasil, pra me sentir desconfortável de novo. É que o desconforto obriga à perda do senso de si. E o senso de si é uma armadilha que muitas vezes impede o acesso ao real de si mesmo, que não pode ser assim dominado por um senso. A realidade está em outra parte.
O real é a diferença, e só na diferença existe diálogo e relação.
Não sei se uma pessoa solteirona que viveu a vida toda cercada de conforto e bem estar conseguiria entender o real. Acho que sim, porque sempre estou errado sobre tudo. Mas me parece que o outro, o incômodo da vivência outra, é que é o real, que é o educador.
É difícil expressar, ainda mais em blog onde eu atiro as coisas pra algum dia editar, quase reescrever, refinar... Este meu blog é uma porcaria, uma coisa em branco, um caderno de rascunho.
Ou melhor, um diário muito pessoal aberto.
Acho que até agora o único ganho, para além de pesquisa e doutorado, foi esse: não me preocupo mais em ser descoberto. Lancei fora minha capa. Só me resta esperar ter recobrada a visão.
Enquanto isso, vou tateando na minha incapacidade de ver um caminho, na maior ousadia, até a realidade, que eu não sei o que é, mas só posso descobrir experimentando, porque nem posso sequer vê-la!
Sim, sim... não faz o menor sentido.
Não, não... faz muito sentido sim!
Sentido é uma arapuca.
Ainda bem que estou sem sentido nenhum.
Não quero saber de sentido nenhum.
Fiquei doido.
E aqui, nesse país da loucura, é tudo normal. Você lê, almoça, conversa, liga pro Brasil... todo mundo te acha super normal. Mas você sabe que é doido. E fala pra todo mundo "ó, num me escuta não que eu sou doido".
A lógica é outra.
A desordem não pode contaminar a ordem.
Na verdade, quando se tem ordem dentro de si, toda e qualquer desordem  não tem a menor importância.
E a ordem surge do incômodo, da perda de conforto que só existe quando a gente se depara com uma pessoa terrível: Eu.
Quando você descobre que o que te deixa confortável são as outras pessoas, e não a realidade (porque a Índia seria muito mais confortável se todo mundo estivesse aqui, portanto ela mesma não é o problema, mas a ausência de outras pessoas é que é)... bem! Isso significa também e necessariamente que Eu atrapalha a educação de mim mesmo e do outro. Que coisa terrível.
E que dificuldade enorme é perceber que o único objetivo que realmente tem valor em si mesmo é apagar o interruptor da mente e do coração e atingir o conhecimento do real das coisas e de si, que só acontece quando se está liberado da obrigação de processar os objetos, e passar a conhecê-los.
É impossível explicar.
Mas é a única coisa que me faz compreender, por exemplo a Encarnação. Deus, o maior EU, o único Eu Sou, desligou-se e virou um menino com cólica em Belém da Judéia, vestindo trapos e deitado em palha num cocho. Descobriu o que era ser bebê ao sugar o seio de Maria. Descobriu o que era dor ao ser circuncidado. Claro, a Encarnação continua mistério. Por isso entendo-com, com-preendo, e não a-preendo ou en-tendo. Não entro nesse conhecimento e nem consigo alcançá-lo a não ser por participação. Mas quando agora, por exemplo, sinto uma leve vontade de dormir, participo da surpresa de Deus em Jesus pensando: Poxa, o sono é isso????
É.
Desligar a mente.
Não, realmente não faz o menor sentido.
Minhas sinceras desculpas.

Sunday, July 01, 2012

Corvos não sabem cantar.
Nos coqueiros não há maritacas.
Os pombos estão por toda a parte, mas são atacados pelos gaviões.
A água tem cisco, e uma limpeza do chuveiro revelou algumas pedrinhas.
A comida é apimentada, às vezes até sinto.
As ruas são bagunçadas, ninguém anda na mão, ninguém respeita sinal.
Missa? Em língua alienígena inglesa, e com dois pais-nossos.
Cabelo bem cuidado é oleoso.
Homem de saia, e as meninas não podem andar de camisas de meia. Camisas de meia são muito sensuais.
Energia elétrica totalmente louca. De 110 a 237, pode esperar qualquer coisa.
Soquetes de lâmpada sem rosca. E no lugar, um encaixe.
Caminhões, betoneira, bate-estacas, soldadores... tudo durante a noite.
Saia de noite sempre com uma lanterna. Isso é o normal.
Fogão elétrico, mas a energia sempre cai.
Carros de três rodas, aos milhares.
Côco no almoço, na janta... côco é legume.
Esse lugar tá meio ao contrário... E o pior é que nem me lembro mais qual é o gosto que angu tem.