Thursday, May 31, 2012

Gente, toooodo mundo sabia que esse dia chegaria:
Não tô com vontade de escrever nada!!! Por isto, vou publicar um poeminha que escrevi há muito tempo, tá?
Espero que vocês gostem, porque meu sonho futuro é ter um livretinho de poesia só meu. Escolhi um sobre o Adão, que faz carrancas com um facão em uma madeira que chama favela lá em Pirapora. O Frederico deve lembrar dele.

Toma:


Finca o pé no barro lamacento donde veio
e vai cedendo espaço à vontade do mais forte
conformando sua matéria ao rosto que vai se impondo
mas fazendo questão de não abrir mão do próprio veio.

A dureza se transforma em maciez relativa
posto que o que talha bem podia trazer morte.
Cara feia, divertida, leve e até faceira se formando
nessa cisma pueril de viver e vencer-se, a favela.

Olha o produto, gira-o, contempla-o, aprova
Nariz reto, narinas grandes, boca torta, olhos arregalados
dentes num sorriso careteiro, língua solta meio de fora  

E mantém-se de pé, lutando com o rio que a quer morta
a carranca que espanta demônios e maus-olhados
Vinda do barro, marcada na testa e refazendo-se nova.

Wednesday, May 30, 2012


Olá, pessoa.
Chegou-me uma carta hoje! É do Edward Jenagathan S.J. diretor do arquivo histórico da província de Madurai, em Tamil Nadu.
Convidou-me a ir lá no dia 11, e ja reservei passagens pro dia 10 de noite, no trem.
Comprei também a volta, pro dia 21. Fico lá de segunda a quarta, portanto.
Queria de segunda até a outra segunda, mas não tinha vagas nos trens.
Depois procure no Google por "Sacred Heart College Tamil Nadu" pra você ver que lugar lindo…
Ou por Shangabanur, queé o nome da cidade lá.
Fica a dois mil e um monte de altitude, e era a residência de verão dos missionários europeus.
O preço? Gente… o homem (Jenagathan) cobrou um preço simboliquíssimo pelo quarto e tudo o mais. 350 rúpias, por tudo. Um hotel sairia em torno de 20 mil, pois está incluído todas as refeição!
Oh, meu Deus, eu fico pensando… O que eu fiz pra merecer assim o teu favor?
Depois, de tarde, fui pagar o aluguel e o RU. Resolvi pagar tudo adiantado, como já disse, pra não precisar mais esquentar a cabeça.
Paguei.
E dei uma volta pelo campus, pra esticar as perna que tão duras de tanto estudar sentado, lendo, lendo, lendo… que coisa maravilhosa é a vida de monge! Acordar, tomar café, rezar.
Estudar, ler emails e os responder, almoçar.
Rezar, estudar mais, dar uma volta pelo jardim.
É isso… 
Durante o dia, fiquei pensando em como era realmente uma pena o Ananão ter sido comprado assim no aperto. O plano era eu comprar um macmini quando fosse voltar pro Brasil!
Estava realmente preocupado com a visita no arquivo histórico, que fica numa cidade mega turistiquinha, achando que ia ser caro no mínimo como Itaici, onde me cobraram 80 reais por dia. (algo em torno de 2200 rupias)
Eu tava querendo muito comprar era um violãozinho, até procurei a loja, mas não achei na semana passada, lembram? Bem sentindo falta! A loja chama-se N Lewis & Son, e fica perto do shopping, muito embora eu nunca a tenha visto. Ia comprar um violãozim e depois talvez até deixar ele aqui.
Aí dormi com essas coisas na cabeça. Amanheci com uma carta me pondo no arquivo quase de graça. 
Por uma ou duas vezes ao longo do dia, fiquei pensando "ô que pena que não posso gastar mais dinheiro… ia ser tão bom um violãozim!!!"
E, quando fui pagar o RU na sala do Sebastian… O Grande Piadista colocou do lado da cadeira. N. Lewis & Son.

"De quem é esse violão?" 
"Ah! Era de um estudante, que foi embora. Ele costumava tocar. Quando foi, deu para a casa.Tem um ano de uso" 
"Posso ver?" 
"Pode, mas precisa afinar."

Peguei-o. Um violão folk de aço, bom pa daná. Afinei. Toquei a marcha dos marinheiros, que o Robim me ensinou, e que foi ensinada pra ele pelo vovô Francisco. Fui colocando de volta na capa.

"Que bonito, você sabe tocar. Leve pro seu quarto." 
"Que????"
"Leve-o. Ninguém aqui sabe tocar a não ser você. E faça-me um favor: semana que vem, os estudantes vão chegar. Vai haver uma missa. Toca na missa?"

Tuesday, May 29, 2012


Ontem de noite o senhor Ananias começou a dar sinais de cansaço e impossibilidade de funcionamento.
Isto ocorreu quando eu estava salvando um documento que fiquei o dia inteiro revisando, e que era um artigo do Marco. Imagina se o negócio apaga!!!
Depois de aproximadamente 20 minutos travado (deu tempo de jantar e lavar todas as vasihas), ele continuava travado, então dei um golpe e saí apertando o botão de salvar loucamente.
Sei lá como, ele voltou a viver, salvou o documento… e travou de novo.
Tudo isto no final de um dia lindo… bem, desliguei ele, liguei pra Gisele e pra mãe e, como era já horário bancário no Brasil, fui no site do BB pra fazer uma transferência pra mãe.
O trem travou de novo, e minha senha foi bloqueada misteriosamente.
Liguei pro telefone de suporte no exterior do banco, e a moça que me atendeu era uma piadista, no mínimo. Mandou que eu ligasse pra um 0800 do BB, pra suporte a internet banking, e eu expliquei pra ela que 0800 não funcionam em ligações internacionais (não funcionam mesmo, é regra básica, do mesmo jeito que os 1800 [chamados chistosamente de tollfree] da Índia não funcionam se a chamada for originada de fora da Índia). Além disto, o telefone de suporte que estava no site do Banco do Brasil era o dela, portanto ela é quem deveria apresentar uma solução.
A solução que ela apresentou foi mais linda ainda. Disse que eu deveria ir ou a minha agência, ou um terminal de autoatendimento mais próximo. Aí eu perdi a paciência e falei pra ela: "minha filha, eu já te falei: eu tô na Índia. Se você, que está aí pra dar informação não sabe, deixa eu te dizer: não existem agências ou terminais do BB neste país aqui!" e ela: "Senhor, mas esta é a única solução." E eu ri, porque é realmente engraçado, e disse a ela: "Menina, isto é vergonhoso! Você está me dizendo que a única solução possível é sair da Índia, seja pra voltar pro Brasil ou pra ir ao Japão, que é o lugar onde temos uma agência, no caso em Tóquio (nossa, como sou bem informado)! Então é melhor que você diga que não tem solução, porque isto que você chama de solução não é solução nenhuma, até porque pra um cidadão brasileiro entrar no Japão, ele tem de pedir visto em uma representação no Brasil. Ou seja, a solução mais viável é eu gastar 4000 reais pra desbloquear uma senha." E a moça: "senhor, eu entêindo a sua indiguinaçâum, mas é que…" "Mas nada. Não tem solução, ou então você não sabe. E quer saber, ainda bem que esta ligação está sendo gravada, que é pra quem escuta ela saber que é ridículo colocar pra um cliente no exterior uma solução totalmente inviável como a que você apresenta."Aí eu desliguei, na minha primeira falta de educação na Índia.
E, depois de matutar, pedir o celular do Dedé pra Gisele e tudo o mais, resolvi ligar pra agência, onde o pessoal ficou desesperado com a minha reclamação, porque também não sabiam se tinha sido um bloqueio real ou o que fazer. Me pediram pra ligar em 10 minutos, e nunca mais atenderam o telefone. Vou ligar pra lá hoje de novo.
Desliguei o Ananias e fui dormir, fazer o que, né?
Hoje de manhã, tracei itinerários, em quatro rotas, pra viajar pras universidades que eu preciso ir aqui na Índia, usando o Ananias, que travou mais de 500 vezes. O caso é que o Ananias, um EEEPC4g, tem 4Gb de HD, e vinha com um sistema Linux da Asus, que era uma coisa linda.
Um belo dia a Asus resolveu que não ia mais dar suporte ao Xandros, e aí começaram meus problemas.
Linux é terra de ninguém, porque todo mundo pode fuçar. O resultado é que ele começou a dar pau e não tendo quem arrumasse, recorri aos fóruns de informática, que não resolvem nada. Enquanto um fórum de Windows te diria: "clique ali, baixe isso aqui e rode que vai dar tudo certo", os de Linux sempre começam com "O kernel 2.2.16, editado por Torvalds em uma máquina Sun na Hungria, é essencial para resolver o problema do pendrive de um Giga da Kingston, quando este trava. O caso é que este novo kernel tem uma maior capacidade heurística de montagem e desmontagem do sistema de arquivos fat16 em componentes flash com mais de 3018 cilindros…"
Assim, eu aprendi muito na época, e até hoje me defendo beeem numa máquina Linux, sei compactar, descompactar, emular, compilar a partir de código fonte e tudo. Mas como é um sistema aberto, nem sempre o que é solução em um computador específico o é em outro, porque o usuário final (o dono do computador) tem tanta autonomia sobre o sistema que as variações podem ser gigantescas ao ponto de dois usuários do mesmo modelo e com o mesmo sistema de início (suponhamos, dois computadores eeepc4g comprados no mesmo dia e na mesma fábrica exata, montados pelo mesmo técnico) se transformarem, em poucas horas, em algo como num windows 95 e outro no MacOS. Isso mesmo! Um pode ficar , por vontade do usuário com o Wine ou com o WEMU, rodando tudo quanto há do windows 95 e se comportando como um windows 95 (muito embora o fundo e Unix e não sei o que e tralalala, essa conversa chata sobre software) e outro se comportando exatamente como um MacOS, até com os mesmo aplicativos, recompilados pelos compiladores do 2.2.15 pra cima sob, digamos, Fedora Core, porque é um sistema cheio de capacidades e talz. Ou o meu amadíssimo Knoppix, que por ser pequeno ocupa pouco espaço e te deixa encher de coisas desnecessárias.
O jeito foi instalar o Windows XP SP2 nele. Eu comprei uma licença por 150 real na época, até. Mas a Microsoft matou o suporte ao SP2, passando a suportar só o SP3. E, com o Sp3 instalado, sobra só 600MB livres. Se você quiser instalar o Office, vai ter de instalar só a metade, porque se colocar o Word, o Excel e o Power Point, morreu. Aí tem de mudar a paginação do HD, pra liberar espaço nele, ou desabilitar o Backup. Opções, ambas, ruins.
O Ananias é de outra era, coitado. Sofreu upgrade de memória RAM, trocou placa mãe e wifi, já… matou a câmera, que passou a mostrar de vez em quando uma imagem espelhada… depois caiu no chão, coitado. Nunca mais foi o mesmo.
Pensava eu, quando estava saindo do Brasil, que o Ananias iria durar no máximo dois meses, sem dar pau. Mas ele deu pau 4 vezes. Duas delas, feias. Tive de formatar aqui duas vezes, e ir reconfigurando com muita paciência, buscando a linha tênue entre usabilidade e possibilidade.
Aí resolvi ver, diante da dureza dos fatos, quanto custava tudo. Depois de fazer contas a manhã inteira, fui lá pelas 15:00 nas lojas de informática a procura do meu objetivo: algo que custasse até dois mil reais e que fosse bom. Tão bom quanto possível. E que fosse portátil, claro.
Vi máquinas da Samsung, Acer, Asus, Toshiba. Nada que oferecesse um bom custo benefício. Um computador da Samsung com 6Gb de ram e 1 TB de disco travou ao meu toque de estresse. Sim, porque pedi pra fuçar, e eles traziam os negocinhos novos, e eu pedia um cd do office, instalava. E, assim que pronta a instalação, abria o office e o internet explorer ao mesmo tempo. Este é um bom teste, não sei porque.
A maior parte ficou lenta, muito lenta, ao fazer isto. E o da Samsung, de 6Gb, morreu. Tive que pedir desculpa pro moço da loja, porque que coisa feia, né? Travar computador do zoto de poprósito. Aí fui na Apple, e encontrei o meu sonho de consumo. MacBookAir.
Custou 2025 reais, com maletinha, kit de limpeza, garantia mundial de três anos,  protetor de arranhões, capinha de teclado, que a gente põe em cima e fica sem entrar poeira. Mil e cem reais barato que no Brasil. Sendo que os top top daqui sairiam por 200 reais a menos, só. Nem compensava.
Ele é lindoooo!!! Emocionantérrimo, rápido. E chique que dói. Nada adequado a mim, que sou um bronco… 
Mas to com complexo de gastação de dinheiro. Complexo bobo, porque eu comprei o mais barato e mais melhor possível, algo que juntasse as duas coisas.
E o que importa contar essa história toda?
Importa em pensar que eu me assusto.

"Não importa o lugar se comigo o Senhor está: 
Com muito ou pouco, sou feliz.
Não importa o que está do lado de fora,
És o meu tesouro e está dentro de mim."

Tenho me esforçado pra viver com pouco e não me importar com casca há uns quatro anos. E ter de comprar um produto de primeira linha me machuca, porque aí eu percebo que eu ainda não cheguei lá. Se tivesse chegado, não é porque eu não compraria alguma coisa de que precisasse e me esforçasse em comprar o melhor produto pelo melhor preço. Mas é que eu faria isso e não me importaria, passaria por mim. Mas estou meio afogado, porque me importo. Ainda não sou perfeitamente pobre. Se fosse, eu não teria dinheiro, mas simplesmente ele existiria na minha vida, como existe a água. É difícil explicar, mas é assim: consciência de que as coisas me afetam! 
É a dor de ser humano, se der húmus, de ser terra.
Dizia o Buda que fomos feitos para o ar. Somos árvores, de pés no chão e corpo fora dela, erguido.
Somos flor de lótus, raiz na lama, flor na superfície do lago, flor que não toca, sequer, a água.
Eu queria partir. Queria ser todo livre. Mas, infelizmente, este computador aqui me enche de alegria.
Assim, por mais que o tesouro esteja dentro, parte de mim ainda curte e ama o lixo de fora.
E ai que dor! Porque ao pensar que tenho de ser livre e que nada pode me afetar, diz uma sábia: "Quem se quer livre demais acaba se perdendo na tentativa vã de ser inteiro, algo que só acontece quando se morre. O mundo pode e deve nos afetar" (LOPES, Gisele. Conversa no Skype. Bangalore : MacBook, 2012. p33.
E outra, "é preciso amar apaixonadamente, e não fugir da paixão." (VALLE, F. Lawall. Blog em Branco do Julim. Juiz de Fora : Notebook dela e do Marcello, 2012. p x .
E, entre o Buda e a Gisele ou a Fabiana, fico com elas. E assim me liberto. Ananão (esse é o nome do brinquedo novo), eu te acho o máximo, você é meu sonho desde 1997, quando eu vi um Mac na casa do Pedro Brito. Ananias, salvou nossas vidas. Seremos eternamente gratos.
Ananias voltará a ter Linux, a versão mais leve, que permite a ele ser uma ótima máquina de escrever. E será carregado pra lá e pra cá. Nunca será atualizado, será um museu vivo, uma relíquia, uma espécie de fusca da informática. 
Por sinal, estudo uma forma de incorporá-lo ao Petit Pois, com uma antena bluetooth, como um centro de multimídia integrado. (zoeira).
Bem, é isso aí.  Um beeeeeijo pra todos, e um muito especial pro Frederico, que fez um comentário demonstrando que é um sentimentalóide como todos os ômi lá de casa. 

Monday, May 28, 2012

Chá de hortelã, de funcho, de picão, de tulsi, de capim cidreira, de mate, verde, de amoreira.
 

Hortelã tem mentol, seria bom para dores de estômago ou para lombrigas. Porque elas ficam anestesiadas e perdem a aderência à parede do intestino, e assim são eliminadas.
 

De funcho, para acalmar as necessidades sexuais. Sim, dizem isto! Quando uma pessoa tá com muita necessidade de fazer bubice por aí, você pode dar-lhe funcho, que é um ótimo corta-fogo. Tem, parece, fitoestrógenos, iguais aos da amoreira, que os tem em quantidade maior e por isto é usado até como reposição hormonal para menopausa.
 

O picão, esta planta de nome semi-pornográfico, serve para curar o amarelume, em banhos. Se a pessoa tem icterícia, dê-lhe um banho com este chá e tudo ficará bem.
 

O tulsi é uma panacéia. Aumenta a imunidade, cura gripe, diabetes tipo 2, anti-stress e adaptogênico. Cria na pessoa a capacidade de se adaptar ao meio. É tão importante que é sagrada no hinduísmo vaishnava e cultuada como um avatar de Lakshmi, a esposa de Visnhu. Tem até um ritual anual de casamento entre o Krishna e a Tulsi, avatares dos deuses masculino e feminino principais; ou aspectos do masculino e feminino do único Deus (como queira).
 

Capim cidreira tem um composto cujo nome eu esqueci que é analgésico, além de outros que são tóxicos, podendo ser usado para dores leves e para matar coisas dentro de você, incluvise bactérias. Então é um bom chá pra tomar se tiver com uma zica qualquer na garganta, ameaçando virar amigdalite ou faringinte. Vai matar as bactérias que estão passeando pela sua boca e assim evitar que elas colonizem as fissurazinhas minúsculas que vão se abrir de tanto você tossir, espirrar e fazer haahahahahammmm.
 

O Mate tem fitoenzimas (proteinases) que agem na digestão de proteínas e por isto é bom tomá-lo em caso de má-digestão, porque vai facilitar pelo menos a digestão das proteínas. Por isto as culturas brasileiras que comem muita carne (gaúchos e matogrossenses) o tomam direto, seja na forma de infusão quente (chimarrão) ou macerado acidificado frio (tereré). As duas formas de extração do alcalóide da Ilex paraguaiensis são eficientes, porque é um alcalóide. Então a falta de calor na maceração, que desaceleraria o processo, é compensado pela acidez da água utilizada, geralmente proveniente de rios. E, como estamos falando do Pantanal, a decomposição de matéria vegetal nestas águas diminui o PH, fazendo dela uma água um pouco ácida.
 

O chá verde seria bom antioxidante, porque teria muitos compostos que se quebram na presença de calor ou acidez (xícara ou estômago) em radicais de carga negativa e positiva, capturando íons carregados na luz intestinal, os impedindo de entrar na corrente sangüínea e assim desacelerando o processo de envelhecimento celular, pois a célula poupará a energia que gastaria resolvendo o problema da descompensação eletroquímica, assim durando mais tempo.
 

Pois é.
Pode ser que tudo isto seja verdade, total ou parcial.
 

Na realidade, se você injetar o composto ativo isolado do Cynbopogum citratus (capim cidreira) em uma rata prenha, ela aborta. Ou seja, a coisa é tóxica mesmo. Não sei se o que provoca o aborto é o citral, o ácido capróico, os terpenos... mas chutaria o citral, que é o que tem poder analgésico e bactericida. É que ele é excretado inteiro pelo rim, o que indica que passeia pelo corpo em forma inalterada, não sintetizada, e por isso provavelmente tóxica.
 

Tóxico é toda forma de energia química que o ambiente/ser vivo não consegue quebrar/digerir, e fica ali sobrando. O ambiente fica então com uma sobra energética, que mais ou menos o impede de aproveitar o espaço onde aquela coisa específica está inserida. Este é o conceito do Odum para poluição, lá do primeiro período de Ciências Biológicas.
 

E, se a gente pensar em uma maneira de eliminar outras fontes de efeito, a gente encontra muita planta que tem sim propriedades. Bater umas folhas novas e uns galhinhos bem finos (ainda macios e verdes) de buguenvilhe no liquidificador com água e jogar esse suco verde na horta espanta os pulgões, mata as formas larvais de insetos metábolos que vivem em leguminosas (besouros principalmente), helmintos parasitas de hortaliças... 
Inclusive, você deve parar de jogar a sua dose de suquinho do bem cinco dias antes de colher no mínimo, ou pode se intoxicar ou matar parte da sua microfauna interna, tendo uma deliciosa caganeira por uns 4 dias.
 

MAS...
Uma coisa que ninguém explorou até hoje a propriedade medicinal é a caneca.
 

Estou aqui chamando de caneca toda e qualquer forma de copo com alça, o que inclui as xícaras, que não passam de canecas mais luxuosas ou com um encaixe para pires. Pires aliás, servem exclusivamente para apoiar xícaras, num casamento interessante. Também podem, quando ficam viúvos, servirem para se dar leite aos gatos. Ou como apoio de vasinhos de violeta. Mas as línguas dos gatos e as bundas dos vasos de violeta não se encaixam nele como a sua amada saudosa e espatifada xícara fazia. Acho que estes pires soltos de suas xícaras são criaturas eternamente saudosas.
 

As canecas, no entanto, é o que interessa aqui.
 

É considerado afronta grava e risco de queimar-se tomar chá em copos. Ou de canudinho. Também não pode.
 

Para que o chá possa ser tomado, é extremamente aconselhável que se usem canecas.
 

Estudos clínicos nunca realizados provaram que o chá tomado em copos não faz o menor efeito, como não faz efeito o xarope tomado sem aquele simpático copinho graduado.
 

Curiosamente, o chá mate também faz efeito, de acordo com o mesmo estudo, quando tomado na cuia, em roda, contando piada e usando a cuia e a bomba. Importante também que a bomba seja de prata ou bambu. As bombas de inox e prártico parecem produzir um efeito danosíssimo aos tomantes, bem como a ausência de conversa.
 

Mas a caneca, se substituta da cuia, oferece vantagens.
 

A caneca é a verdadeira panacéia.
 

Tanto é verdade suas propriedades, que altera o gosto de refrigerantes ou de qualquer suco nela colocados. Torna-os grossos, espessos, estranhamente menos palatáveis.
 

Por isso é que todo chá, tomado devidamente em uma caneca, é levemente amargo, e por sinal não pode ser adoçado, sob pena de perder as suas capacidades curativas. O amargor do chá acarreta na demora para tomá-lo, aos poucos e entre caretas. É perfeitamente possível (e o mais provável, arrisco dizer) que as canecas, quando quentes, tenham dentro de si uma espécie de anti-açúcar capaz de tornar ruins bebidas doces (refrigerantes e sucos por exemplo) e capaz de absorver parte (cerca de 70%) do açúcar depositado em algum eventual chá, tornando-o sempre de difícil apreciação para seres não iniciados na arte do Canequismo.
 

Adicionalmente, aquele estudo clínico também conseguiu demonstrar que café com leite, mesmo que levemente frio pelo fato de o leite ser gelado também produz os mesmos efeitos que um chá de abu, que cura tosse e chulé.
 

Mas o canudinho tem propriedades deletérias, e a sua utilização prejudica qualquer bebida. Refrigerantes gaseificados perdem sua fase líquida e se transformam em mera profusão de bolhas, ao passo que os sucos de fruta não podem ser plenamente apreciados. Quando se bebe com canudinho, sente-se parte do gosto, pois o líquido atinge diretamente ou o céu da boa ou o meio da língua, e é rapidamente engolido.
 

E, no caso do chá de caneca (é bom insistir neste qualificativo essencial para todo chá que se preze), o mesmo instrumento abominável impede o aquecimento dos lábios, a aspiração naríguica dos vapores medicinais, a queima da ponta da língua e o aquecimento secundário das mãos, que é um conhecido efeito colateral dos chás.
 

A única exceção é justamente a bomba de mate pelo fato de ela ser presa como uma palheta de saxofone nos lábios, possibilitando todos os efeitos que o beber do canto da caneca proporciona. O mate, pela força da roda, da cuia e da conversa, canta ao descer pela garganta dos comungantes em suas rodas-culto.
 

E, se o estudante que agora lê este tratado breve sobre as propriedades curativas da caneca decidir-se por passar a tomar qualquer tipo de chá em cuias ou em copos, apenas utilizando a bomba como resolutor de sua heresia, fica o alerta de que segundo ou terceiro Godofredo quarto do Irã, os resultados serão insequapíveis, como os velocípedes orbitando os patinetes e vice-versa. Bomba e cuia é coisa pra mate, e só.
 

O aquecimento da mão ao tomar a xícara parece ter efeitos muito benéficos sobre o sistema nervoso central, tornando-o periférico e substituindo-o por um sistema muito mais calmo. O enfermo, ao tomar sua caneca contendo um dos elixires da vida, lembra-se imediatamente da mão de sua mãe tocando a sua na cama aos 7 meses de idade.
 

Ao mesmo tempo, lembra a cintura da irmã durante um bailado de forrobodó aos 17 anos de idade, quando da formatura do segundo grau. Segundo grau que foi substituído pelo Ensino Médio, tornando os alunos apenas medianamente sabidos.
 

Pode chegar ao absurdo de recordar, imediatamente e de maneira notadamente proibida o rosto da mocinha, acariciado no preâmbulo do beijo.
 

Muitas vezes, quando trazida para junto ao peito dada à fraqueza do convalescente, recorda o abraço que ainda não houve.
 

Ou quando deixada sobre as coxas, a caneca se torna na criancinha sentada ao colo dando risada.
 

A propriedade curativa da caneca é, portanto, essencial e irrevogável para a alma daquele que sofre sozinho a doença, sem saber se sofre a doença ou a solidão.
 

É por isso que eu coleciono canecas. 

Colecionar canecas é multiplicar as possibilidades de cura.

Sunday, May 27, 2012

Tem dias que a gente só quer ficar quieto em casa, né?
E quando a gente não pode ir pra casa nesses dias, faz o que?
Acorda, toma banho, vai à missa bem perto afinal de contas você vai pra Goa.
Então vai na sua paróquia de São Tomé.
Que coisa linda que foi essa missa hoje. Toda cantada, muito embora o sotaque do padre fosse enorme.
E arranjaram um pianista pra igreja. Ele é bom. Ele se senta ao teclado, mas o toque dele é claramente de pianista.
"Ah, e o que você entende de piano pra poder avaliar?"
Eu não entendo nada. Mas eu ouço e percebo, uai. Muita coisa nessa vida a gente não precisa entender pra saber. Quando uma pessoa pega um instrumento (piano, lápis, kimono, o próprio corpo, a voz, um violão, arroz... qualquer um) e é possuída pelo instrumento de forma que o que soa do instrumento é a própria pessoa e vice-versa, você sabe.
E o rapazim toca teclado igual eu escuto na rádio de piano ao menos uma vez por semana. Lindamente. Eu queria saber piano.
Mas eu não sei não. O piano não me escolheu... e é assim. O instrumento escolhe e possui quem ele quer. Parece que foram feitos um pro outro.
Enfim, foi uma coisa linda. A minha posição na lista de espera ontem passou de 25 a 6, então vim naquela coisa de ir logo pra estação. Mas logo que o trem foi organizado/mapeado (charted), fiquei em 4! Mas que azar!!! Me disse o moço do hotel em Goa, quando liguei para cancelar, que isso é raro, e que posso ter coragem e tranquilidade pra agendar outra passagem pra semana que vem, que ele acha que vai dar tudo certo dessa vez. Vamos ver!
O dinheiro já foi devolvido, apareceu na minha conta.
Aí fiquei aqui. E foi bom...
É que ontem de noite comecei a ter medo do ar condicionado. Ele seca o ambiente, sabem, né? Então talvez eu ficasse com a garganta e o nariz muito secos. Além disto, existe uma versão da primeira classe sem ar condicionado. Talvez eu devesse trocar.
Mas o que eu queria mesmo fazer ontem de noite, quando cheguei aqui, era encontrar o sentido da vida. O sentido da viagem toda.
Ir a Goa, de repente, me pareceu sem propósito. Tão sem propósito quando a pizza de anteontem, o cinema de ontem, a pepsi e a pipoca... Fiquei pensando que nao posso deixar que o conforto me anestesie e me transforme em alguém insensível e desmedido. O menino prodígio (aquele do Lucas 15) foi criticado porque viveu "dissolutamente", quer dizer, se dissolveu no mundo. Não posso deixar que o mundo me dissolva. Foi assim um clic teológico que me deu ontem. E aí eu fiquei pensando. Talvez fosse melhor ir contra a corrente indiana e assumir meu 25% alemão, e organizar muito bem uma viagem muito proveitosa, com um programa fechado e tudo.
E me preocupei, porque o que eu iria fazer? A passagem tava comprada!  Oh vida futura, nós a criaremos!!!
Nessas indas e vindas mentais, recebi a confirmação de que era o quarto excedente. Como deve ser triste pro estudante ser o excedente no Vestibular. Ser o excedente no trem foi horrível, e eu nem estudei por 2 anos pra comprar a passagem.
Fiquei aqui. Lavei minha toalha com muita diligência, quase machucando o nó dos dedos, e também esfregando com uma escova que comprei pra lavar roupas. Deixei até ela um pouco no desinfetante. Sestro puro: pra matar as bactérias. Coitadas das bactérias.
E depois viajei. Mas muito mesmo... Fiz meu almoço com comida indiana, comi. Assisti Cosmos. Li um pouco do meu livro novo divertidíssimo, "Math Book".
E, quando veio a tentação de editar o meu artigo eterno, cortando 1400 palavras a pedido do editor chefe até amanhã de noite, pensei: "ih, tem tempo... até amanhã meia noite é segunda..."
Fui ao banco tirar um extrato no caixa eletrônico. Por sinal, finalmente aprendi como é que se faz. É o segredo mais bem guardado da Índia até agora. Pior que o Itaú!
Dei uma ajeitada no filme que baixei por Dinesh, vendo se as legendas tão legais (e não estavam mesmo, foram traduzidas por alguém que fala inglês muito mal).
E aí olhei meu mapa de instituições em Goa e nos arredores, respirei fundo... E dentro de pouco tempo vou entrar em contato com esse povo todo.
Vou a Pune, Mumbai e Goa duma vezada só, se conseguir confirmar tudo. Fico uns tres dias em Mumbai, dois em Pune, e dez em Goa (aproveitando pra passear lá, pq é lindo! É tipo Paraty.)
Antes disso, durante esta semana, vou ajeitar o meu celular (tascando nele 5 mil rupias de crédito, o que dá até setembro provavelmente, mas nunca se sabe. Ligar para o BRasil, por exemplo, sai por 10 rupias o minuto. Muito barato...) e o meu modem, que finalmente descobri o numero futricando descaradamente. Vou recarregar e ele vai funcionar (rege a lenda) em Goa, Mumbai, Pune, Austrália, Inglaterra... Se eu quiser ir nesses lugares, o que não é o caso. E, se não funcionar, posso pegar os créditos de voz do celular, mandar uns SMS malucos e eles se tornam em dados, que eu posso usar no outro modem. Acho que por isso que tenho dois. Não sei.
Mas o que eu queria mesmo, mesmo mesmo mesmo, desde ontem, era colocar uma touca na cabeça, uma meia na mão e sair correndo atrás do Francisco, do Henrique e da Isabela pelo corredor. Zé Cândido é paia. Zé Bunda sim, é uma coisa bacana.
Mas vai chegar esse dia, eu sei! E nesse dia, ou pouco depois dele, vou ter uma saudade enorme da minha primeira viagem de trem. Porque Cabangú não conta, né, gente!!

Saturday, May 26, 2012

Sábado é dia de lavar o chão do apartamento, tá?
Antes de lavar, comi no café da manhã duas fatias da pizza de ontem, que estava na geladeira. Dilícia, pizza geladinha e refrescante.
Depois fomos ao cinema ver um filme típico indiano, eu e o Marco. Men in Black 3 3d. Dez reau, ou seja, caro pra caramba.
Enchi o bucho de pipoca e pepsi, e durante o filme tem um invervalo, no qual conheci o Martin, que sentava-se atrás da gente, um alemão que veio trabalhar em uma empresa espanhola, e que fala espanhol muito bem e arregalou olhos enormes quando lhe falei "Was machst du in India? Wie heisst du?". Só prele ficar feliz, né, que ouvir a própria língua é bom.
No mercado onde passei pra comprar detergente, no caixa, outro alemão que não falava entendia o inglês comprando várias bagaça. Perguntei pra ele de onde ele era, e fui sendo o intérprete, de inglês pra inglês, claro. E depois ele me perguntou como poderia agradecer. É o primeiro dia dele na India, tadim. Perguntei se ele cozinha, ele disse que sim, então falei pra ele "Küchen für uns ein gut eisbein mit gulasch und telefonier. Das ist ein gut geschenk."
Engraçado, né? A Índia tá com muito alemão. Por sinal, conheci aqui franceses, italianos, australianos, americanos, nigerianos, egípcios, nepaleses, srilankeses, etc etc. Bangalore tem muitos estrangeiros, muitos mesmo. E dizem que há muitos brasileiros, dos quais não vi nenhum! Talvez se eu comprar uma camisa do Brasil e ir ao shopping, apareça alguém.
Pelo jeito, não vou a Goa é nada esse fim de semana, muito embora os indianos digam que sim, e que é garantido. Sou agora o 11 da lista, e a composição ainda não foi mapeada. Quer dizer que depende de as vagas reservadas não serem preenchidas. Mas sei lá se isso vai acontecer! Gente, o trem sai em menos de 20 horas. Né possível que é tão em cima da hora assim! De qualquer maneira, amanhã arrumo as malas e conforme o caso lá pelos meio dia vou na estação, mas achando muito mais que vou é meramente passear de riquixá.
E é isso. Dia tranquilo, de trabalho físico e diversão no cinema. E não pude deixar de notar que no Brasil como uma pizza inteira de uma vez só, e aqui ela dura dois dias. Acho que mudei, pelo menos em alguma coisa: meu estômago encolheu.
Se for viajar, vou ler o livro que comprei no shopping: 350 milestones in math history. Coisa fina, bonita, boa.
O Girma voltou pra Etiópia. Posto aqui uma foto dele, que tem facebook. Ah, que coisa... um diácono da igreja ortodoxa etíope fazendo MBA EAD na Índia que tem facebook. Atrevidamente exótico.

Girma e senhor Batata


E ponho também fotos da Universidade enfeitada pras colações de grau, que furaram 5 horas. Isso mesmo! de 15:30 as 20:30. Só vi o começo e o finalzinho, porque pelamordedeus, né?
Tem banda de música e não sei o que no começo, mas não tirei fotos porque fui tronxo o suficiente pra esquecer de levar a camera.
 
Não é Natal. É colação.

Mas convenhamos: não ficam bonitinhas essas luzes?
Hasta la vista, seja de dentro do Expresso Vasco da Gama (o trem chama isso, aposto que é o segundo a sair da estação) ou de Bangalore mesmo!

Friday, May 25, 2012

Acordei bem demais hoje, depois de um anti-alérgico na noite de ontem, duas horas antes de dormir.
Um pouco depois de eu escrever que estava sem febre, a tive, numa ironia fina do devir. Febre de 37,7, bem baixinha e de acordo com os médicos sem necessidade de antibióticos e talz.
Olhei meu produto narigal depois de uns espirros, e estava claro. Estranho. Fui na farmácia de novo e o rapazim me passou três comprimidos do antialergico com a recomendação expressa de, se não melhorasse, ir ao médico. Tomei-os na hora da janta, 8:00.
Ontem teve assim uma festinha de despedida, com decamações de poema, distribuição de sorvete e chocolate, coisas assim. Peguei meu chocolate e meu sorvete e vim embora. Taquei o sorvete no freezer, comi o chocolate e liguei pra casa, conversei com a mãe e com o pessoal que tava lá (Aninha e Pai). E depois fui dormir bem cedo, umas 23:00. E acordei novo. Sem febre nenhuma, sem nariz entupido, quase sem tosse... Mas que alergia danada, hein?
Depois de futricar pra lá e pra cá na Internet, reservei um hotelzim em Goa e comprei passagens de trem online. Sou o 25 da waiting list. (lista de espera)
Os indianos acham legal comprar várias passagens ao mesmo tempo na Internet e depois ir cancelando. Muito esquisito, né? Mas fazem isso mesmo, acham normal. Dizem que assim podem ir pensando em qual vagão e lugar vão viajar. Que estranho!!
Reservei uma cabine com ar condicionado e cama no domingo 15:00, saindo de Bangalore. Se for confirmada a passagem (provavelmente será, porque conheço um cara que reservou com dois dias e estava no numero 143 da lista de espera e viajou) saio daqui e chego em Goa seis horas da manhã de segunda. Se não for confirmado, devolvem meu dinheiro. Mais uma pista de que será confirmado, ou não iriam arriscar isto de perder dinheiro. Fico em Goa por 10 dias, de segunda até quinta da outra semana, na Biblioteca de livros raros e manuscritos e fazendo alguns contatos com os pessoal da Universidade de Goa, que vão ficar só um pouco felizes, porque será a primeira semana de aula deles e provavelmente negozim quer é enrolar na primeira semana, igual no Brasil.
Tenho esperança de pegar tudo o que eu quero com esse povo e ainda dar sorte de ter um tempo mais ou menos bom pra dar uma volta, ver o braço do Sao Francisco Xavier, ir no templo da família do Dilip, tomar uma água de côco na beira da praia e saudar Yemanjá. Odoiá. Se não der, paciência. Acredito que as vistas pela janela do trem vão valer a pena, e academicamente é essencial essa viagem.
Depois de olhar isto, fui no Xópen pra ver se achava uma legendária loja de violão que vende gibsons a 150 dóla. Ou seja, um absurdo de barato, porque no Brasil custam algo em torno de 700. Mas não achei.
Achei, ao contrário, um mendigo. Um não, vários. Dei esmola a um deles. Abri a carteira e só tinha notas de 500. Provavelmente foi a maior esmola que ele recebeu no dia. Ele pegou a nota, olhou sem entender e se curvou. Eu me curvei, peguei as mãos dele e beijei. E ele ficou me olhando, um agradecido ao outro e sem saber falar a lingua, mas dizendo muito. Um átomo de tempo eterno.
Depois tomei um café numa lojinha, com direito a torta de chocolate, por cinco reau. Uma coisa no nível daquelas carérrima do xópen, muito embora o café indiano seja um pouco mais ralo e amargo, porque é feito mais de Caffea robusta que de Caffea arabica. Ou seja, café canilon pra quem conhece.
Vim embora, passei no caixa eletrônico e peguei o dinheiro do aluguel. Pagarei pelos 5 meses, já acertei com o Pe. Kolikara isto, assim fico mais seguro, porque automaticamente impeço a perda do apartamento, como era a conversa de abril.
Amanhã haverá graduação dos bacharelados da Christ University, e eu fui convidado a ir. Está tudo cheio de luzinhas. O Vice-chanceler e o diretor de Lato Sensu vão ao Brasil, então queriam saber como era o clima no Rio, São Paulo e Curitiba. Como a Luzi pegou uma pneumonia no Brasil, achei por bem assustar eles um pouco e disse que no Rio faz uns 30 graus, em São Paulo uns 10 e em Curitiba neva.
Ok, ok... o Rio é 100% verdade. E, quando eu morava em São Paulo, deu geada um dia. Fez 3 negativos que eu lembro muito bem. E em Curitiba provavelmente nunca nevou. Mas faz um frio do caramba, que pode adoecer os coitadinhos. Então falei pra eles levaram roupas bem quentes e tal e coisa. Deliberadamente, exagerei.
Aí vim aqui, escrever procês. Tô baixando um filme pro Dinesh, que adorou eu conhecer o Prabhu Deva e ficou curiosíssimo pra assistir um filme brasileiro. Vou dar a ele  Tropa de Elite I. Será que ele vai morrer de medo? Sei lá...
E hoje à noite até o dia 3/06, o RU vai fechar. Ô dó...! O Marco tá revoltadíssimo, falando que vai pedir pra comer na casa dos padre e não sei o que. Eu não. Eu vou pra, Goa, solucionar a questão de maneira radical!!! Ou não.

Eu entendi uma coisa da TL:
O lugar preferido de Deus é o pobre. Não porque o pobre tenha alguma propriedade sobrenatural, ou que haja nele alguma coisa que o faça mais importante que o não-pobre.
Mas é que diante da pobreza quem tem de sobra sente-se motivado a atitudes mais humanas.
Aos olhos do pobre, porém, elas parecem divinas. Quem, senão Deus, iria enviar este anjo de alívio?
O pobre se curva diante do que tem, agradecido à Providência.
Se aquele que recebe aquele curvar souber quem ele é, ele se curva diante do pobre.
Quem tem admira-se com tamanho agradecimento, e julga que só pode ser um enviado de Deus alguém que o julgue tão maior do que é.
De fato, Deus tem mania de julgar-nos (ou saber-nos) maiores do que somos (ou nos achamos!). Nunca nos dá provações maiores do que as podemos suportar, atesta Paulo. E, no entanto, quão enormes elas são! Ou seja, Deus nos julga grandes, maiores do que nós nos julgamos, pois sempre que possível gostamos de dizer a Ele: "não agüento mais!", traindo a sua verdade.
Pois é. A curvatura do miserável mostra ao que tem que ele é capaz de atitudes divinas, e então encontra o Eterno.
E curvados um diante do outro, pés descalços um diante do outro, num olhar cúmplice, num toque amigável, numa doação de si, transcendendo a matéria, um e outro se reconhecem divinos. Se fazem humanos.
E, mesmo que seja por um segundo, um mínimo momento, uma vibração de lépton, os dois se sentem iguais.
O lugar de Deus é o pobre e o miserável porque ele nos fala, de maneira radical e real, que todos somos miseráveis. Todos carecemos. Ninguém é pronto. Todo ser humano é um espaço enorme, um vir-a-ser, uma ausência.
E só somos presença diante do outro... que também é ausência.

Thursday, May 24, 2012

Estendi minha esteira no chão e o aguardei. Ele não veio.
Dobrei a toalha e entendi a colcha sobre a cama. Ausentou-se mais.
Enrolei-me com a toalha da mesa. Parecia que havia desistido de mim..
Então pus a toalha sobre a cama, deitei-me e cobri com a colcha.
Dentro do peito estendi a esteira.
Ei-lo.

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Yo te saludo, hermano de espera.
Visto que la ropa de la muerte o la vida, será bienvenida.
Vida y muerte son lo mismo;
La elección es vivir como alguien que está muriendo o
Morir como los que viven.

(Gisele, corrija por favor)

Tchau...
Tudo bem por aqui, tá? Nada de candidagem! O xarope tá fazendo efeito, não tenho febre, estou tomando chá de alho pra aumentar a imunidade e combater bactériazinhas que sempre se aproveitam. Estou apenas com um leve efeito colateral do xarope, que aumenta a quantidade de muco no trato respiratóri, causando uma leve sinusite. Muuuuito leve, sem dor, sem trauma. Só no esfenoidal e no maxilar, variando de um lado pro outro... Coisa tranquila! Deve passar em três dias! Lembrem-se, já tive muitas sinusites e sei como é. de agora em diante, lavo o apartamento uma vez por semana, para tirar todo o pó, e isso deve diminuir as crises alérgicas.
Um beijo... quando crescer, quero ser o Tagore. Pronto, falei.

Wednesday, May 23, 2012

Antes da próxima linha: Muitas pessoas hoje dormiram pouco e acordaram apreensivas aí no Brasil. Sem saber, vocês estão unidos. Hanny, Barbara, Gisele, Mãe. Sei lá mais quem. Isso aqui foi uma interrupção, por isso colocado no começo, pra doer menos!
Tive a graça e a oportunidade de ver, empiricamente, como vocês estão conectados. Isso é um grande mistério.
Ah, que nada, é coisa da minha cabeça! Se você olhasse de perto, se estivesse aqui, perceberia.
E, se você estivesse de longe, também veria o que eu vejo!

 Bem... depois de muito viajar na maionese lendo coisas maravilhosas do Tagore, do Marcelo Barros, Boff, Betto... no cair da tarde, 16:00;

Saí e fui ao correio.
Como fiquei triste por não O ter encontrado como quem pede.
Fizemos uma combinação no Sábado: um beijo nas mãos e um pedido de bênção.
Beijaria eu suas mãos chagadas, doídas, suadas, empoeiradas, humanas.
E colocaria suas mãos em minha cabeça.
Ele entenderia e não negari bênção.
Mas o vi nos esquilos, na garça, nas folhas novas, em cada árvore.
Nos pernilongos, estes irmãos famintos me fazendo alimento.
O vi no rosto, riso e atitude do padre velhinho, que disseram que enlouqueceu. Um bem aventurado.
Dançamos. Aqui na sala, nas ruas, nos grãos de arroz, na moça do correio.
Nos selos lambidos: Indira Gandhi, Mohandas, Nehru...
Nos entreolhamos nas ruas muitas vezes. Muitos destes olhares me atravessaram.
Quase chegando, conversamos. Mandou um abraço pros meus pais. Disse que vou querer voltar a vê-lo no Stephen.
Deu satisfações - quem sou eu pra merecê-las! - fui por 5 dias à casa de minha famíia, batizei minha sobrinha neta, vou amanhã a uma ordenação. Diga ao seu irmão que as estradas estão boas, as Highways podem ser trafegadas com tranquilidade.
Como poderia saber da intenção de alugar um carro do meu irmão?
Me olhou como quem me atravessa. Precisas dormir, me disse.
Nos encontramos na padaria, na massa folhada de frutas cristalizadas. Na abundância que me faz querer distribuir tudo. Mas não o faço agora, porque o farei em nossa terra.
Me veio em outras formas, em todas as formas. Foi ao fim da tarde ao campo de futebol jogar cricket.
Quantas vezes passou por mim sem que eu te visse, amor. Me desculpe, meus olhos estavam fechados, porque eu tentava te encontrar.
Obrigado por ter me feito desistir de te achar.
Obrigado por ter vindo ao meu encontro.

Obrigado por ter se cantado em mim essa bregura que partilho com as suas outras hóstias!
http://www.youtube.com/watch?v=k34MLo0l7oQ

Tuesday, May 22, 2012

"O homem deixou em suas imagens e templos, em suas pedras lavradas, estas palavras: 'Escutai-me: eu conheci o Ser Supremo'.

A ânsia de manifestação dessa Pessoa nos torna pródigos em nossos recursos. Quando queremos acumular riquezas, temos de prestar contas estritas de todos os nossos bens, calcular com exatidãoe agir com cautela. Todavia, quando nos pomos a expressar a idéia de nossa riqueza, parace como se tivéssemos perdido de vista qualquer idéia de limitação. Na realidade, nenhum de nós pode possuir riquezas suficientes para expressar no mundo de modo pleno o que entendemos por riqueza. Quando tratamos de salvar nossa vida do embate de um inimigo, somos precavidos em nossos movimentos. Porém, quando nos sentimos obrigados a expressar nosso valor pessoal, com prazer enfrentamos os maiores riscos e chegamos até a perder a vida. Pomos cuidado no gasto cotidiano; nas festas, porém, quando expressamos nosso júbilo, nosso esbanjamento costuma ir sempre muito além de nossos recursos.

Com efeito, quando se intensifica em nós a consciência de nossa própria personalidade, exercemos a divina capacidade de ignorar a tirania dos fatos."

(Tagore)

Monday, May 21, 2012

E aí, peçuau?
Ontem de noite vieram aqui o Inaka e o irmão dele, o Fernandô, pra comer uma pizza e falar da Índia.
Aparentemente, todos os imigrantes que vêm aqui se impressionam com a capacidade nata de todos os indianos de transformar a rua em um desmadre, comer pimenta como se fossem uvas-passas e tomar banho com água cheia de cisco.
Digo isto porque hoje conheci uma hongkonguesa, chamada Bless. Ou seja, Bença. Ela tem rodado por aí, fazendo um curso de sei lá o que (acho que é de Bíblia) aqui no Dharmaram. De qualquer jeito, encontrei com ela na biblioteca, porque ela não conseguia entrar na internet e tava bem do meu lado, então disparei uns ping pelo command, vi onde era o problema e assigned (registrei? é isso?) o computador dela no roteador, que tinha cismado que ele era um invasor de Marte. Aí ela me perguntou se eu era o técnico dos computadores, e eu expliquei quem é eu, e ela explicou quem é ela. O marido dela tá fazendo doutorado na Christ University, de Psicologia.
Me perguntou como eu consegui o visto de pesquisador, e eu expliquei que foi na base do jeitinho brasileiro. (Brazilian little way. Não, não falei isso com ela, mas me veio à mente isso agora, e me pareceu muito divertido, então resolvi citar) O marido dela nao conseguiu. Depois, quando eu tava voltando da minha caminhada vespertina, encontrei ela de novo, que me perguntou onde eu tava, mostrei pra ela e ela perguntou quanto era o aluguel. Quando eu falei, ela quase caiu pra trás, e eu também. O aluguel para alunos externos ao Dharmaram (o que seria o meu caso, porque eu sou teoricamente dsa Christ Univesity) é de 1000 rupias POR DIA. Ou seja... 30 mil por mês. Meu aluguel é só 6,6 vezes mais barato. É porque eu sou bunito.
Eu sou o favorito do devir. Um cagão. Alguém com o fiofó voltado ao disco lunar!
A Bença conhece pessoas brasileira (outras) aqui em Bangalore. Disse que vai me apresentar corqué dia desses, porque elas (essas pessoa) adoram poder conversar em Português entre si. Lógico. Contou que tem muitas pessoas do Brasil que ficam querendo ir passear em Macau (na China continental) só pra falar português. Aí também eu já acho demais. Elas podiam instalar o Skype no computador. E comprar um NetCruise da Vodafone pra ver uns vídeos do Eduardo Steiberlitz (Cesar Polvilho) no iutubíu. Ficava mais barato que ir parar na China!
Meu apartamento tá cheio de pó, o tempo todo. Tem pó nas janela, nas prateleira, em cima do armário... Essa obra podia acabar. Apostei com o Dinesh que a obra não acaba até Julho, que é o prazo que ele disse que vai cumprir. Quem perder paga uma entrada da liga profissional de bet pro outro. Ahahehauheua!! Já pensou? Ir no estádio pra ver uns caboclo jogando bet? Ah, é demais de divertido...
Mandei um email pra Biblioteca estadual de Goa hoje, que fica em Panaji, pra ir pra lá, se tiver aberta. Preciso ir logo. O tempo tá acabando... Só faltam três meses. Cruiz!!!
Am-ta mangal father. Deo mangal txócleit.
E mais... ô benediiiito!
Escuto isso direto. Sei lá o que significa. As crianças  falam a primeira e os pedreiros a segunda.
Vou deixar fluir, agora. Hora da janta.



Sunday, May 20, 2012

Muito bem!
Fiz, agora depois do almoço, uma peça de engenharia linda e reluzente: um refletor parabólico.
Usei um monte de papelão, uma lata que achei no lixo e fita para desenvolver o equipamento charmoso.
O resultado prático é que houve um incremento de uns 120% na velocidade.
Para determinar a velocidade, meço três vezes a cada três minutos, e tiro a média de todas as medidas, pelo site www.rjnet.com.br. Lá tem um velocímetro de internet.
Sem o refletor, a velocidade média é 7 kb/s, com vales de 0.8 e picos de 11.3 ; enquanto com o refletor a velocidade passa a 16 kb/s, com vales de 8 e picos de 22.4. Ou seja, bem mais lâmpada.
Fiz isto porque o modem não tem entrada pra antena. Tenho a impressão que, se tivesse, a velocidade ia chegar aos 2MB, como acontece com o outro modem 3g.
Estou pensando em comprar outro SIM e deixar ele aqui, assim se um falhar, tenho outro, muito embora eles digam que usam a mesma rede. Ou vender o outro. Ou vender este. Ou ficar com os dois e vender ao final da minha viagem. Ou guardar de lembrança. Ou levar o 3g pra aí, porque ele funcionará no Brasil, tá escrito na caixa dele. Ou... sei lá.
Por enquanto, fico com os dois.
Terminando agora de colocar novas referências na versão expandida do artigo sobre Teologia/Ecologia. Isto está dando muito trabalho, muito mais que eu gostaria. Fico assim doido pra acabar isso logo e poder me perder na teologia indiana. Mas eles estão querendo ler e se perder na brasileira, e me querem de guia. Não é curioso??
De ontem pra hoje, tive uma tosse doida. Melhorou quando eu peguei um papelão, fiz um tubo, fervi uma água e inalei 3 gotas de óleo de menta. CHESSUIIIZZZ!! O negócio queima de tudo que é jeito, mas resolve. É tipo um vick bisurado!
Ainda não fui na missa, vou na das 17:00 no convento franciscano. É que acordei cansado de manhã, mas muito cansado mesmo, e dormi até as 9:30. (por mais uma hora)
Mas aí continuei cansado e dormi sem querer até as 11:30. Aí já era a missa das onze, né!
Mas a das 17:00 me espera.
Aliás, tá quase na hora, são 16:20 aqui.
Acho (só acho) que hoje é Pentecostes no rito Malabar, e sexto domingo da páscoa no latino. Em qual dos dois ir? Eis a questão. Mas acho que vou no convento mesmo! É mais legal no sentido de dar pra entender melhor e os padres se esmerarem mais para tanto.

Chama-se "Refletor Parabólico Sexy Cardpaper"

O Marco foi lá na Indian Heritage Society hoje. 40 minutos de caminhada, passando por dois parques. Voltou todo assanhado, dizendo que a gente deve ir domingo que vem. Lá tem grupo de meditação indiana (yoga) no domingo, e tem um templo do Sai Baba, que me decepcionou porque disse que sabia o dia que ia morrer, mas morreu no dia errado. Depois você pesquisa sobre ele na wikipedia, ok? Não to aqui pra dar aulas sobre o que é um Baba ou o que significaria morrer no dia certo... Mas basicamente, isto o elevaria a categoria de Avatar, Mahatma, Buda... depende do ponto de vista. Nós chamaríamos de santo.
Santa Rosa de Lima e São Francisco de Assis e alguns outros souberam o dia que iam morrer. Bizarro. Jesus também sabia, e inclusive sabia como.
Hoje é dia do São Bernardino de Sena, sabiam? Não sei quem é ele, mas tem um nome engraçado!
Posto abaixo a foto da minha peça linda de engenharia... desfrute esta linda imagem.
E, no mais, prezadissimos, saudade! Muita saudade! E muita empolgação, sempre, também. Esse lugar aqui é lindo... Tem tipo uns 10 parque da lajinha no meio do centro! E sol, um céu azul como só aqui consegue ser. E um calor gostoso quando a gente caminha, e um frio delicioso quando chove um pouquinho.
Parece com Juiz de Fora em Janeiro. E quem diria que essas viradas de tempo de quem a gente tanto reclama têm lá sua beleza?
Por fim, conto brevemente:

A pequenininha subiu as escadas em silêncio, na noite do Natal. Queria olhar as estrelas. Do alto do telhado, sem saber ainda dizer qualquer palavra, apontava pras estrelas como quem procura algo, e de repente se pôs a sorrir. Apontou Vênus, o corpo mais luminoso dos Céus. Estava bem acima de nós, eu agora com ela no colo, num abraço. Os reis magos acabaram de chegar.

Este conto, que eu estou roubando e recontanto do meu jeito de um livro daqui, me faz muito lembrar que quando a Mírian era muito pequena, e eu também, e ela apontava pro céu de noite do meu colo, olhando a lua. Entendi agora, uns 18 anos depois, que Jesus nascia naqueles natais. Que coisa, não? E a minha preocupação era ensinar ela como se falava LUA, enquanto ela me olhava com uma gravidade estranha.
É que ela sabia, e eu não, porque ficava tentando pôr nome naquEle que não se pode nomear, e por isto só as crianças vêem.
Como o Henrique que descreveu a cena pra mim uma vez, depois de uns 8 dias: "A tia Joana veio aqui em casa com o tio Waguinho e passou muito mal. Estava só eu, a mamãe e o papai. Ninguém podia fazer nada, e eu fui pra casa do meu amiguinho." "É mesmo?-e meio incerto se devia fazer isso, arriquei: - e o que aconteceu depois?" "Veio a tia Aninha, veio outra moça, veio um moço grande (acho que era o João Leonardo). Ninguém conseguiu resolver. Mas aí o Papai do Céu veio e ajudou, e resolveu tudo"

Meu Deus do céu... o que a Mirian via na Lua, e o que o Henrique via na sala, que eu posso estar perdendo aqui nestas muitas ruas na minha sala? Ainda bem que no convento hoje ainda é dia de Páscoa, dia do Ressuscitado. Todo dia acho que é Páscoa... Mas a gente põe nela os nomes de "Céu", "Lua" e "Morte". Não entendemos nada. Talvez o melhor nome seja "Presença Misteriosa". Ou "Jesus".

Saturday, May 19, 2012


Ontem eu fui na aula dos karate daqui. É misturado com Yoga. Eles não lutam, ficam fazendo kata e parando e fazendo exercício de respiração (kokyu) e alongamento, do nada. Se fosse no Brasil, esses intevalos seriam puro cascudo.
O motorista/piloto/jóquei do riquixá que me levou perdeu a gente, e eu encontrei o caminho porque sou esperto, sabe? Nem foi pura sorte... hehehe. Comprei (na verdade trouxe pra casa pra ver se servia, e foi o caso) um kimono por 30 real, do tipo que no Brasil, da última vez, paguei de dez de 25 real... Eta diferença. Coisa boa mesmo! E ainda por cima com o símbolo da Federação Indiana de Karate bordado nele. Mó barato, e barato!
Na volta, o outro ginete de riquixá veio me perguntando se eu era daqui, de que estado que eu era, Brasil? oooohhh, look so indian!!! e depois me deu o telefone dele, dizendo: "If there's something you need here in our city, please call me, sir! Namaskara, Swami!" Isso é constante. O moço da Vodafone já fez o mesmo, o Dinesh (engenheiro da obra aqui do prédio), o Baburaj (tênico de informática...) Todo mundo quer te ajudar. Bonitninhos, né? Tem gente que vem pra cá e acha ruim, acha tudo uma bagunça e não sei o que. Mentira!!! Aqui a doçura se mistura ao caos, porque tudo se mistura com tudo. Tudo é o um.
Hoje, nesse dia do aniversário do Bernardo, deixa eu falar: minhas perna tão doce!
Não tem nada a ver com o o aniversário dele não, mas sim com o fato de eu ter ido e voltado na Vodafone Store duas vezes. Cada ida e vinda leva meia hora, desviando dos côco no chão, das flores em frente o templo que vão apodrecendo, das sacolas de lixo, dos caminhões no meio do passeio, de uns três engarrafamentos de gente... paz!! ar condicionado!!!(é o shopping) e fala com os motoristas de riquixá que não quer, e atravessa a avenida mega movimentada, sobe um passeio colocado meio metro acima do asfalto, desce, paaaazzz!!! Ar condicionado!! Vodafone. Pinneacle Prestige, Ground Floor - Koramangala.
O moço que cuida de 3g não conseguiu saber porque meu SIM card não funciona mais no dongle (mini modem, fala-se dònglh no sotaque daqui) e me ofereceu duas opções: comprar outro sim ou trocar de plano. Não quis nenhum dos dois, que hoje eu tava birrento, sabe? Falei pra ele que não queria saber de nada, queria uma coisa que funcionasse, queria sair dali com o troço estalando de tanto funcionamento.
Aí ele me falou assim: então pega um dõnglh de sim impresso ilimitado free supercalifrigilistisespialidoutious! O que é isso, gente? SIM impresso? que bruxaria...? Mas Unlimited Free? Sim, queremos.
Trata-se de um mini modem sem lugar pra enfiar sim card. Na verdade, o buraco está lá, mas sem os contatozinhos dourados. Esse dõglh é promíscuo e liga no que tiver o sinal mais forte, seja 3g ou CDMA. E como é Ulimited, vc faz uma recarga mensal de 10 reau (301 rupa) e usa ele o mes todo, não é pré pago assim no estilo crédito, mas é na verdade alugado e sem contrato.
Tá aqui, ligado e funcionando. Vou comprar um chip 3g BSNL agora, ou Vodafone mesmo, na padaria, pra usar no meu outro dõglh, assim fico com os dois.
Claaaaro,não foi de graça Foi subsidiado porque eu tava reclamando muito, então foi 800 rublias mais barato. De 2000 por 1200, depois de muito choro e reclamação e eu dizer ao moço que se o troço não funcionasse ele tinha de me devolver o dinheiro. Não vai ser o caso, porque funciona
MAS (sempre tem um MAS) não tem saída pra antena, então ele fica lá fora, pendurado pela extensão USB pra dar mais sinal. Funciona no Skype Voz, o vídeo fica meio esculhambado. Vou tentar fazer pra ele um prato de concentração.
É simples... arrume uma tampa de panela beeeem lisa, ache o centro focal dela e trace uma reta perpendicular ao plano de corte (porque pratos são setores de esferas, ou algo parecido com isso. - nao sei o nome) passando pelo centro do círculo. E aponte essa reta pra antena. Aí, posicione o modem mais ou menos no centro da esfera original, talvez um pouco pra frente, pra trás, sei lá. E vai dar certo. Na verdade, você tem que achar o ponto focal dela.
Se de tudo você nao conseguir achar, vá para o sol e tente achar o ponto mais quente nessa reta, que será o ponto focal. Aposto que o Claudio e o Marcio quando leeem isso aqui riem, mas se admiram pelo meu esforço teórico. Aí pronto. Provavelmente, se eu apontar essa parafernália na direção da antena, vou conseguir um incremento de uns 12 dB, dizem os gambiarreiros consultados na net. Duvido, e acho que deve aumentar uns 2dB, o que elevaria a taxa de transimissão até uns 40 kbps, o que tá bom demais
Minha diversão amanhã vai ser fazer esse tal prato, nas horas vagas.
O Inaka (um dos primos congoleses láááá de antigamente, lembram?) vai vir aqui depois da missa. eu vou na missa latina amanhã, na igreja do santo antônio, porque lá é garantido que vai ser bonito, porque o padre, coitado, é só um freizinho! Deve ter assim uns 27 anos, e fica se esforçando pra fazer tudo certinho. E, claro, tem a menina que canta absurdamente bem lá.
Essa missa Malabar que tem aqui perto é meio nas coxa, porque é pra inglês ver. (pegou? pegou?)
Hoje, na hora do almoço, saí sorrateiro sem que nnguém visse, fui no armário dos empregados do blogo da PG e roubei por 30 minutos um rodo. Lavei o piso tudim, ficou liiiindo e liso, sem nenhum traço de poeira. Foi uma aventura! Pronto, cabou o caso. Mas na hora foi legal.
Eu tavo fuçando aqui meu HD externo e achei umas foto de quando eu fui pro mestrado em sao paulo. Nossa... foi duro.
A única coisa que era muito legal era ir pra casa do Frederico todo dia, porque eu sou lâmpada dele.
Tô colocando isso aqui porque ele ficou todo dodói porque eu falei que ele fica disfarçando de estátua. Não é fofo?
Não se iludam, minha gente.
Tem uma senhora que pára eu toda hora aqui no campus, aquela doninha amiga do Marco, que está muito preocupada porque agora, aos 68 anos, resolveu ir morar com o filho na Austrália. Mas o filho resolveu que não quer ela em casa, e ela teve de vender o apartamento dela aqui pra poder comprar passagens e ter algum dinheiro pra começar.
Um filho que obriga a mãe a recomeçar aos 68 é, na minha opinião, alguém que já arruinou a própria vida, e que precisa de muita reparaçào. Não merece nem inferno e nem purgatório, claro.
Tem mais é que reencarnar, se for possível. Viver tuuuudo de novo, cagar nas calça e ter catapora, fimose,  conjuntivite, catarro agarrado no nariz, amigdalite, medo de palhaço, xixi na cama... tudo que as mães sabem resolver, pra ver se ele entende o que é que ele tá fazendo. Seria o pior castigo, e é por isso que não tem reencarnação, porque Deus é tão amoros, mas tão tão, que é assim tipo o Frederico, que se faz de durão, mas deixa sempre a porta aberta.
Por isso que eu sou lâmpada dele. E comprei travesseiro e roupa de cama pra ele.
E, se alguma outra pessoa quiser vir, é até bem vinda... mas se não for lá de casa, do círculo ( O ) ou do Bom Dosco, pode deixar que eu chamo o riquixá pra você todo dia, pra te levar pro seu hotel. Tá?

Friday, May 18, 2012

Bem... o que dizer...?

O caso é que ontem eu escrevi o texto do Blog e não consegui publicar por causa das armadilhas do destino!

Então hoje tem dois posts.

Amanhã eu conto como é o Dojo do Subramanyam e tal, porque vou logo mais à tardinha (17:30 vou sair daqui, mais ou menos, pra passar na cabaninha de colocar crédito no celular no caminho).

Vou reescrever um pedacinho do meu artigo agora, atendendo o pedido do editor, provavelmente isto vai levar o dia todo!

E não vou escrever mais nada não, pra não sobrecarregar o espectador.

De qualquer jeito, espero que o destino para de fazer gracinha pra eu conseguir atulizar issaqui tudos os dia!

E termino dizendo que, aparentemente, entendi o desafio, ou parte dele.

O desafio parece (parece) consistir em descobrir que ninguém faz falta nenhuma e que é tudo invenção da sua cabeça. Tudo apego. E aí tomar posse de si mesmo, já que você quando descobre isso, fica sozinho. E, com você mesmo na mão, se doar pro zoto. 

Se o tal de Zoto quiser pegar, tudo bem. Se não quiser, tudo bem também. Porque até a doação é meio mentirinha! No final das contas, se te largarem e te espatifarem no chão, você se ajunta, se ajeita e... pronto!

Amor de verdade nunca causa dor. O que causa isso é paixão, que é aquela coisa que te rouba de si mesmo e te deixa sem chão.

Não me doeu ficar sem vocês... o que me doeu foi descobrir o apego enorme que existe em mim a cada um, e ter de fazer alguma coisa com isto.

A solidão, no quarto de noite, não dói mais.

A noite, no escuro, não tem mais monstros, como aquele terrível ser que mora na lavanderia da César Augusto Seixas 48, a partir das 21:00

Nem demônios, desses que se escondem atrás das portas e embaixo das camas só pra tentar as pessoas!

Eles tiveram de morrer em favor das baratas, escorpiões, pernilongos, falta de luz, roupa pra lavar, preocupação sobre "será que vai dar tempo? como transferir dinheiro pro Brasil?" e coisas assim.

Os monstros são paixão. A crueza da realidade, muito mais assustadora, mas ao mesmo tempo muito mais fácil de lidar,  é amor.

Vim pra cá por amor. Pra aprender a amar. Pra aprender a ter saudade. Saudade é um lugar onde só chega quem amou um dia...

Não me dói a ausência de vocês. Esta ausência, simplesmente, não existe... O que me dói é a realidade da presença que só pode ser percebida realmente na aparente ausência. Essa presença escondida, acho que é saudade...

Estou só divagando, bem devagar. É que percebi totalmente sem querer que paixões doem.

E como me dói ter de lidar, daqui a um tempo, com as paixões de quem ainda não sabe amar... do Henrique, do Francisco, da Bebela, da Ketlin, do Migarmen (filho do miguel ca ana carmen), do Ilustre (o filho gerado e não criado da Barbara, que espero estar ganhando balas nas ruas).

Como é difícil e dolorido pra gente ter de lidar com a paixão da Mirian e da Teresa!

Que fazer? Construir um muro em volta pra deixar de apaixonar? Que nada!

Aprender a lidar com isso. Descobrir que faz mal, em última análise.

Falam de "dor de amor" e blablabla. Sempre desconfiei, junto com minha vovó Lilita, que isso é tudo invenção, que a gente gosta e fica com quem merece a gente.

E quem merece? Quem nos deixa livres, quem não nos prende a um esquema de satisfação do ego, da demanda.

Quem não faz da gente um bibelozinho pra atender a propria demanda de sexo, auto-imagem, narcisismo, poder (econômico [dos maridos que sustentam esposas não por amor, mas só pra poder tê-las sobre domínio], político [dos professores e diretores que humilham os funcionários, dos coordenadores que nao querem co-ordenar, mas ordenar e o co que se dane], moral [dos padres, teólogos, freiras, psicólogos, que definem o que é certo e errado na vida do outro, como se pudessem vivenciar o próprio código moral deste outro]).

Isso é tão triste, gente! Nem gosto de pensar em quanta gente já prendi, e quanta gente me prendeu.

Estar aqui é delicioso por isso! Estou livre.

E é doído por aquilo: amo muitos dos que me lêem aqui, acho que a maioria. Não tenho um amor promíscuo pra todo mundo não! Isso seria falsidade!

E sei que vocês estão aqui, do mesmo jeito que eu estou aí, de algum jeito maluco, estranho e misterioso.

E sei que nosso amor nos cura das nossas dependências mútuas e apaixonadas.

Por isso que eu e a Gisele vamo juntá nossos pano de bunda, ao que parece. É que a gente não tá muito aí pra possuir o outro. 

Do mesmo jeito que eu vejo o Claudio e a Cecilia discutindo de vez em quando na cozinha não porque o outro não está sendo o que ele(a) quer, mas só porque eles sao livres e transparentes, e não tem vergonha e nem receio de dizerem um ao outro que o outro não o tem.

E o Robert, escondendo chocolates da Barbara não como castigo, mas em respeito à compulsão da indiana formiguenta que vai devorar tudo e depois se sentir mal.

E o Miguel, fazendo tsc! tss! e falando "tá bom, tá bom. Não faço maixxxx" com a Aninha na fila do telemênico.

Ou a mãe o pai (esses são recordistas de auto-posse) que sustentam o casamento felicíssimo na base do cascudo e da discordância. Uma querendo cimentar tudo e o outro querendo novas galinhas, enquanto eu faço um degrauzinho e corto uma goiabeira, ao mesmo tempo que compro 5 galinácea.

E o Frederico? Esse amante disfarçado de estátua gélida, que em dias de muita exceção aceita abraços e que cuidadosamente escolhe presentes pras pessoas de acordo com o que elas gostam, num exemplo raro de capacidade de transcender o próprio pensamento.

E a Teresa e a Mirian, as apaixonadas mútuas, uma lavando a roupa e a outra chorando escondida porque se esqueceram que a base fundamental do amor é a diferenciação, é o deixar livre, leve e solto. E por isto, não enfrentar o confronto, mas abraçá-lo em aprendizagem.

Ah, meu post pequeno ficou enorme!!! É que é feliz e transbordante a descoberta do amor.

Eu amo vocês. Obrigado por me deixarem livre, muito livre, do outro lado do mundo.

Obrigado por não quererem que eu faça o que vocês mesmos querem fazer.

Obrigado por me permitirem entrar na cabeça de vocês por linhas mal escritas e com erros de digitação e opções gramaticais atrevidamente exóticas.

Obrigado por romperem comigo, aceitando ao longo desses anos todos os meus defeitos terríveis, a minha acidez corroente, o meu mau humor constante e o meu disfarce chamado "ironia", que só esconde um coração apaixonado sim, mas sobretudo amante.

Quem dera todas as familias e todas as amizades fossem como a nossa, que, por ser nossa, não é de ninguém.

E canto um samba, só pra me lembrar do batuque. Liberdade liberdade, abre as asas sobre nós.



Ontem aconteceu uma coisa muito engraçadinha. Eu tava vindo pro apartamento, quando surgiram as crianças. Um monte delas. Vieram, me cercaram, me deram as mãozinhas pra passear. Aí eu vim andando e eles junto. Mas eu não tinha nada pra dar pra elas. Recentemente, se juntou a eles um menino um pouco maior, já com vozinha de dona. Deve ter pelo menos onze anos. Ele fica de intérprete. Aí eu falei com ele que não tinha chocolate nem bala nem nada, e ele falou pra outras crianças menores. Alguns devem ter tres anos, outros quatro. E eles foram embora.
De vez em quando, andam abraçadinhos de "copa da rua" pra baixo e pra cima. O horário deles aparecerem é mais ou menos cinco horas. Antes disso, você não os vê. Devem estar em casa ou sei lá onde. Mas não estão na rua. Ontem tinha dois com uniforme de escola. Vai ver que eles vão a escola e chegam essa hora.
Pode ser que as escolas estejam voltando a aula, pois na Universidade tem cada dia mais gente. Deve ser período de matricula! Engraçadamente, a Universidade aqui é vertical, e não horizontal como a UFJF. São dois prédios de 8 andares e uns quatro de 3 andares. Aí os alunos ficam por ai, perambulando. Por aí na verdade por lá, porque é longezinho daqui.
Lavei as roupa ontem, à mão. Não deu muito certo usar a teoria marcana de lavagem de roupas, que consiste em colocá-las num balde com sabão em pó por um tempo e depois enxaguar. Ficam fedendo a criança suada debaixo do sol, e por isso hoje lavei tudo de novo, esfregando com pressão e tudo o mais. Fico assim tendo a impressão que talvez os brasileiros sejam mais asseados que a média. Se o Marco for uma boa peça de amostragem, poderia ser considerado meio porquim no Brasil. E os indianos então... eca! Sempre com a mão direita com mancha de açafrão do almoço, porque comem sem talheres, e a esquerda com um delicioso aroma de cocô, de usar o baldinho lindo pra lavar a Holanda. Comi sem talheres por dois dias pra ver qual é a do negócio. É normal, sem grandes conseqüências. Mas fica com um amarelo eterno debaixo das unhas... Então hoje mesmo já desisti e voltei a usar colher. Colher mesmo, garfos são raros, e geralmente não usados pra levar comida a boca diretamente, mas pra alguma outra coisa, tipo pegar os pedaços de sei lá o que no pratinho anexo ou na divisão da bandeja (o RU aqui é um bandejão redondo subdividido) pra colocar em cima do arroz. Enfim... diferente. E só se pode usar a mão direita pra comer, que a esquerda é pra outro tipo de serviço!
Hoje o dinheiro da CAPES apareceu na minha conta, então vou pagar o aluguel do negócio aqui, e já planejar viagem pra Chennai, Madurai e Hehiaaheuham&*^&*#, que é uma cidade que eu não sei falar o nome onde fica o arquivo dos Jesuítas da província de Madurai. Em Madurai, já tenho lugar pra ficar, vou ficar em uma pós graduação de lá, que me ofereceram ontem. E em Hehiaaheuham&*^&*# vou ficar num seminário/faculdade/teologato jesuíta. Em Chennai, ainda não sei. Vou tentar ficar no Loyola College, também dos Jesuítas. Vamos ver. Estou tipo fazendo uma excursão da quarta série pro Colégio Anchiete com a tia Soninha, mas numa versão inflacionada.
Além disto tudo, recebi de volta o artigo que mandei pra revista. Ele foi aprovado pra pubicação, mas pediram pra desenvolver um pouco mais alguns temas meio secundários nele, tipo a primeira fase da Teologia da Libertação, porque parece que eles não conhecem isso a fundo, muito embora exista uma versão indiana da TL rodando por aí. Acho que essa versão indiana de TL é uma novidade por aqui, daí o interesse em saber um pouco mais da TL 1.0, aquela da década de 70 na América Latina.
Aqui em Bangalore mora um professor de karate muito famoso, o Shihan Subramanyam, que é o professor do vice campeão mundial de karate. Eu fucei no site dele pra ver onde era, e mandei um email perguntando porque simplesmente nao consegui entender. Quero ir lá ver a academia dele, ver a aula que ele dá, enfim... ver se a gente tá muuuito pra trás no Brasil ou se é só falta de vergonha mesmo. Ele me mandou um email apaixonado me convidando pra participar com ele e com os alunos. Ou seja, to no mato sem cachorro, porque uma interpretação possível do convite dele é ele querer que eu faça uma demonstração de qualquer coisa, tipo "o professor que veio do estrangeiro". Isso seria um problema, então vou dar o golpe e aparecer lá sem kimono dizendo que não sei onde vende por aqui e perguntando se ele tem pra vender, torcendo pra não ter.
O Subramanyam foi aluno do Kanazawa, que foi aluno do Funakoshi, que inventou  karate na forma que ele tem hoje em dia. Ja meu caso...fui aluno do Renato que foi aluno do Zé que foi aluno do Serpente (codinome, acredite se quiser, do seu Jorge de Sant'ana - SIM, ele é professor de Karate, ou foi), que foi aluno do Itamar que foi aluno de .... que foi aluno do Funakoshi. Nessa situação, acho que provavelmente devo estar muito pra trás, porque nesse telefone sem fio a mensagem deve ter se alterado. No site dele ele fala maluquices de Qi, de Prana e de sei lá mais o que da energia vital blablabla, que é uma coisa que ninguém no Brasil num tá nem aí. O convite é pra aula de amanhã as 18:30 aqui por perto. Vai ser muito ruim de eu não ir, então vou dar o tal de golpe mermo e ir lá com uma mochilinha nas costas só com a minha faixa pra ver qualé o do negócio. Se for impossível de acompanhar, vou dizer que vou ter de viajar muito e que foi um prazer enorme conhecê-lo.
Bem! Os latinos estão gozando de muita popularidade com o pessoal todo, by the way.É que a gente tem uma tendência nata de se misturar, de enfiar o bedelho. Então a gente passeia pela cozinha, conhece os funcionários da limpeza e ao mesmo tempo entra na capela e explica o missal romano pros indianos malabares e fornece subsídios em latim (nossa raiz) pros etíopes lerem. Não é que a gente saiba de alguma coisa, mas parece que somos cara de pau! As pessoas ficam impressionadíssimas quando falamos, por exemplo, que não fomos jantar porque cozinhamos em casa. "o queeee? voce sabe cozinhar!!!???" Os indianos, que são beeeem machistas, não sabem. E os etíopes também não, porque na Etiópia isso é papel, acredite se puder, das filhas mais jovens. Nenhum adulto cozinha, só os monges e padres e coisas do gênero.
Apareceu anteontem um alácrano gigante atravessando a rua principal aqui do campus. Devia medir uns 20 cm, nunca vi tão enorme. E era vermelho! Um alien!! Mas não o vi, me contaram. E não consegui encontrar nenhum por enquanto. Acho eles tão interessantes, com uma aparência assim exótica, pretos e vermelhos e talzis, mas nada de eles aparecerem pra mim. Talvez quando eu desistir, apareçam numa epifania.
Acho que é isso, que são essas as novidades. Tô assim meio viajando hoje, pensando na morte da bezerra. Vai ver é de tanto lavar roupa. Isso cansa um bocado!
Mas entre uma peça e outra, eu vou cantando. Umas duas vezes a luz apagou comigo com a mão dentro do balde esfregando camisa, e aí eu dano a cantar. Senhoooor, eu sei que Tu me sondááááááásss.... E ainda faço o a-a-a-a-a-a-aaaa , que eu detesto e que o Fred faz só de sacanagem até não ter mais jeito e eu ter que entrar na onda.
E, quando eu entro na onda, quando eu percebo um de nós tá fazendo outra voz, e fica bonito.
Cantar tem dessas coisas. Às vezes só fica bonito quando você se ouve cantando junto com outra pessoa... Cantar lavando roupa no banheiro no escuro é bonito quando eu escuto dentro de mim as vozes brasileiras que do peito não me saem, cantando coisas diferentes das vozes indianas que na mente ainda moram!
Eita, que coisa, hein!
Um beijo pra cada um, e hoje muito especialmente pro Marcello, pra Fabiana, pra Yandra, Rafael, Dona Lourdes, Gisele Linda, Marcio Bonzim, Raul, Kendra, Ricardo, Edilma (esses dois tão meio sumidos...), Dedé, Paôlla. É os pessoal do Grupo de oraçã e acoplados, gente.
Ontem foi dia.