Saturday, May 12, 2012


O dia começou com o Girma (fala Guirma), o moço etíope que chegou ontem, batendo na porta assim que eu acabei de tomar café. Umas oito e meia, nove hora. Queria saber onde era o câmbio.
Como no dia em que eu cheguei o Pe Stephen me levou pra baixo e pra cima na rua, fiz o mesmo com ele. Mostrei pra ele o shopping, onde tem câmbio, e ele quis comprar uma toalha. Disse que não trouxe toalha, coitado. Então deve estar há dois dias sem tomar banho! Comprou uma toalha, um sabonete. Trocou dólares. Depois, levei-o ao café. Os etíopes inventaram o café. Ele adorou.
Junto com a gente, foi o Philip, outro etíope. Ele e outros dois chegaram a uma semana e não tinham saído à rua por... não sei. então fomos eu, o Guirma (que chegou ontem) e o Philip. A lingua deles chama-se amárico, parente beeeem próximo do hebraico e do aramaico.
Na volta, almoçamos e eu vim pro apartamento. Futriquei no HD externo, que tava cheio de um backup que fiz pra Maria Carmem há uns cinco meses.
Nossa, encontrei fotos antiquíssimas do Pedrinho no Judac, do Pedro Paulo, do batizado do Francisco, do Teatro da Paixão 2008... uma maravilha ter achado isso. Aí salvei algumas coisas. Fiz isso pq o HD nao queria apagar este tal backup da Maria Carmen. Provavelmente, porque era destino dele ser escarafunchado por mim. Vai saber.
Aí, começou um dilúvio. O tempo já tava assim feínho, e de repente, uma chuva. A chuva mais forte que já vi na vida.
Apagou tudo! Os tranformadores, assim que alagados, explodiam à distância. Hahaahhaah!! Pura poesia linda!
Nessa sinfonia rara que só as monções proporcionam, saí no meio da chuva (no finalzinho) pra ir pra cozinha do RU, porque no beneficiado PG Block e no RU havia luz. Marco estava lá, havia me avisado.
Ele estava conversando com as cozinheiras, na maior intimidade, e elas estavam adorando, claro. O brâmane cucaracho ali, divinizando o sagrado espaço da comunhão do arroz e do curry.
No caminho, deixei o netbook no quarto do Girma, que mora no PG, carregando, já que não havia luz. Tinha gastado a bateria ligando pra Gisele, essa linda.
Aí depois, jantamos sobriamente, conversamos sobre Etiópia, Brasil e México, cada um tentando entender o que o outro era. E vim pra cá.
No percurso de hoje, o que me assustou foi me lembrar de um encontro de ontem. Um sannyasi.
Sannyasi são renunciantes, no grau mais elevado de espiritualidade, que fazem um voto de pobreza e castidade e saem pelo mundo portando um cajado e uma sacola.
Ele tinha uma sacola de plástico, um cajado de madeira e era absolutamente pobre.
E, ao mesmo tempo, quando cheguei perto dele para lhe dar dez rupias, dele saiu uma coisa.
Não sei o que era a coisa. Não sei que reza ele fez antes, durante ou depois o nosso encontro. Mas saiu uma coisa dele. E eu entendi.
Entendi que passear pela rua é olhar pra muitas coisas das quais não se precisa.
O que a gente precisa é da gente. Da posse perfeita de nós, para podermos entregar todo dia.

Saímos pela rua, meu Amado e eu.
Eu era um com Ele, por Sua escolha.
Ele olhou e ouviu e cheirou e comeu e sentiu.
Nisso, as coisas ficaram abençoadas e belas.
Os olhos, ouvidos, nariz, pele e boca do meu Amado.
Sou eu.

2 comments:

Glorinha said...

Nossa! Imagino esse tal de (Ih, esqueci), essa espécie de eremmita, peregrino, encontrando-se com você. Lembra que quando era pequeno dizia que ia ser Andarilho?Acho que andarilho é algo mais ou menos assim.É.. você tá muito chique mesmo,conhecendo Eremitas(quando eu era pequena eu pensava que eremita fosse alguém exatamente assim como voce descreveu esse alguém aí) , conversando com etíopes.Tô adorando essa viagem que você tem dividido conosco.Obrigada, Deus te abençôe.Um beijo da mamãe Zé.

Bárbara said...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

morri de rir do comentário da grurinha