Hoje choveu respeitosamente.
Uma chuva de uma meia hora, sendo que a média de duração de chuva de monção aqui é uma hora.
Nos estados do Kerala e do Tamil Nadu, é de dois meses e duas semanas, respectivamente... o que faz daqui um lugar bem secão.
Eu estava no caixa eletrônico do banco, vendo o meu saldo, pois em teoria (só em teoria) a CAPES deve efetuar um pagamento qualquer dia desses. Eta CAPES, hein! A gente corre pra caramba e a senhora ai, nessa folga.
Ontem o Facebook me sugeriu de adicionar a Valdete Lopes, a técnica que acompanha meu processo aí no Brasil. É uma doninha de óculos pra lá de engraçadinha! Mas não adicionei não. Vai que pega mal? QUEM VOTA PRA EU ADICIONAR ELA? Está aberto o pleito.
Bem, antes disso, passei o dia futricando no Ananias, mas ele vai mal. Vou ter de baixar o Windows pra reinstalar tudo.
O caso é que alguma coisa mastigou o interpretador de C++ dele. C++ é uma linguagem muito utlilizada, então o resultado prático disso é que muitos programas pararam, entre eles o Skype.
Se fizer umas macumba, o Skype até roda. Mas se fechar ele, não abre nunca mais.
Troquei o intérprete de C++ já, mas não adiantou. Isso indica que deve ter um rootkit (um vírus) em algum arquivo. Mas o antivírus não o encontrou, e nem o rootkit killer. Nada encontra ele.
O jeito vai ser formatar. Que coisa chata é formatar. Não porque demore nem nada, mas porque é um atestado de que voce não sabe mexer no computador de uma maneira definitiva, e aí tem que apagar tudo que tem nele pra conseguir voltar a usar. É um atestado de incompetência, um Cd de Windows XP.
Na verdade, instalei gambiarrosamente o Skype em um Pendrive, com os dados e tudo mais incluídos, e funciona.
Mas a pergunta é: até quando? Será que um belo dia outros programas vão enlouquecer? Se isso acontecer, format c: /q.
Encontrei, no fim da tarde, o pe Stephen, que falou que eu tô ótimo, com uma cara de saúde.
É verdade. Tô mesmo, vendendo saúde. Meu nariz nunca entupiu. Nem isso. A única coisa que acontece é de vez em quando uma coceirinha, dessas que a gente tem quando está sestrando. E me sinto assim cheio de energia, sei lá. Leve, flexível. Sei lá.
Enfim... com ele, estavam duas freirinhas Missionárias Servas do Espírito Santo. Tem um convento delas aqui perto, e tem uma freiria que acaba de voltar do Brasil. Que coisa, não? Mas as que estavam aqui não eram ela. Quem sabe não a encontro qualquer dia? Disseram que ela fala português fluentemente.
Bem, enquanto a chuva caía, fiquei no caixa automático, esperando a parte mais forte passar pra eu poder voltar pro apartamento, uma caminhada de uns 150 metros.
Olhei pro chão. A chuva foi aos poucos carregando a poeira e ajuntando ela em ilhazinhas. O plano não era ficar ali, era ir no Shopping comprar um cd gravável. Mas faiou! O Devir teve outros planos. Estudei microgeografia.
Ali, no prédio onde fica o caixa eletrônico, estavam alem de mim 6 meninos. 2 meninas e 2 meninos juntos, e 2 isolados. Eles estavam muito animados, contando um caso em kannada sobre um rapaz que checou o extrato do banco e descobriu que tinha 97,4 crores de rupias. Ou seja, 97,4 milhões. Uns 30 milhões de reais. Quantia respeitável pra se ganhar por acidente.
É... já consigo entender umas coisas soltas de kannada. Esquisito isso. Não presto atenção nem nada, mas de tanto os outros falarem em volta, acaba que você aprende umas coisas sem querer. Entendi "o cara tirou o extrato" "97,4 crores" e "por acidente".
O resto a gente deduz, provavelmente errado.
Com a chuva, tinha um frescor. Um ventinho gelado. Uma coisa gostosa. Acho que o tempo vira mesmo aqui. Já teve dias de 40 graus e dias de 25. E parece que é assim, a variação térmica: um mês de 30, um de 40, outro de 30 e o resto do ano com 20. De vez em quando, 30 ou 15, meio espalhados ao longo do tempo. Fico pensando: será que é igual Juiz de Fora, e de repente vai danar a fazer um frio danado, sem aviso? Seria muito bom!!! Assim a gente ia poder descobrir se é o calor, a umidade ou a dieta que influenciam diretamente a saúde naríguica.
Enquando eu divagava bem devagar, pra passar o tempo, ouvi uma coisa. Vem tocar meu corpo. Eu fui. Levantei, no finalzinho da chuva, e andei nela, de guarda chuva, é claro. Molhei toda a calça e a camisa, ficou só o meu rosto seco.
E vim andando, curtindo a chuva. Assim que cheguei no prédio, ela parou!
Troquei de roupa e peguei minha toalha e meu sabonete pra ir tomar banho no outro bloco, porque não tem água nos chuveiros. Ia saindo um homem se uns 40 anos, com uma sacola na cabeça. Trabalha na construção, mas mora fora daqui, pelo jeito, já que carregava uma mochila. Dei a ele o meu guarda chuva, e ele ficou muito feliz. Ficou agradecendo.
No bloco da Pós, onde o Anoop mora, ele me perguntou o que eu estava fazendo lá e eu disse a ele que não tinha água, e ele se alarmou. Saiu apressado pra resolver, muito embora eu tenha dito a ele, assegurado, que não havia pressa, porque eu já ia tomar banho ali. E também, isso é tão constante que não há nem alarme, mais. Mas ele ficou preocupado. Disse que sim, que isso é um grande problema. E foi embora, apressado, enquanto eu fui tomar banho sem ver problema nenhum.
E aí estou aqui, escrevendo minha novela. Êta coisa gostosa, escrever um diário bem sincero, e que por isso não precisa e nem deve ser escondido! Daqui a pouco, vou fazer muita reza braba pra ver se o Skype carrega. Tenho esperanças moderadas a este respeito.
Passaram-se muitos anos sem que a gente se falasse bem de perto e nus.
Mas eu o seguia, apressado, buscando não o perder de vista, sem saber onde ia aquele caminhozinho em meio a tanto mato.
Não fazia sentido andar para o seguir, no entanto.
É que o caminho era ele. Era só talvez ficar no caminho. Que sentido faz um caminho cujo destino é ele mesmo?
Mas eu o seguia, sem ousar pergunta.
Tinha fome de andar, e por isso nem me preocupei e nem perguntei onde aquilo ia dar.
Quando enfim paramos para descansar, estávamos à minha porta.
Eu a abri, receoso. Entramos os dois.
Ele se transfigurou. Era homem, mulher, menino, moça, velha, banana, maçã, chuva, poeira, escorpião, abelha, besouro, gandhi, pernilongo, morte, vida, lótus, onda, voz, silêncio, reza, arroz, bola, taco, camisa, cricket, dor, riso, canto, ouvido, tudo.
Mas, acima de tudo, na minha casa ele se fez nada.
Despiu-se, como em um convite, de qualquer aparência, e assim pôde ser tudo em lugar algum e nada em todo lugar.
Eu me despi. Entendi o convite.
Perdi minha casa, meu quarto, minha água, minha comida, meu pai, meu amor, meus chocolates, minha cristaleira, minha construção.
Continuam sendo usufruídas por mim, todas estas coisas. Mas eu perdi o senso de posse. Não quero nada.
Nada vale a pena mais que a presença misteriosa que brota da ausência de forma, do despir.
Não ter água não é um problema. Problema seria se eu a tivesse.
Mas não usufruir da água também não é um problema!
Problema é saber que ele, em muitos rostos e corpos e gargantas secas, não usufrui.
Um problema maior que este é pensar que ele teve de se acostumar com isso.
Ainda mais grave é achar que nesses olhinhos pidões e agradecidos de tantas coisas desejáveis para se usufruir, ele nunca experimentou o usufruto mais básico, que é o da água. Pior, que é o da torneira.
E o mais grave de todos os problemas é que provavelmente não exista muito a fazer.
Por isto, entramos, mas deixei a porta aberta.
Tenho esperança de que ele entenda o convite e entre vestindo outros pés.
Uma chuva de uma meia hora, sendo que a média de duração de chuva de monção aqui é uma hora.
Nos estados do Kerala e do Tamil Nadu, é de dois meses e duas semanas, respectivamente... o que faz daqui um lugar bem secão.
Eu estava no caixa eletrônico do banco, vendo o meu saldo, pois em teoria (só em teoria) a CAPES deve efetuar um pagamento qualquer dia desses. Eta CAPES, hein! A gente corre pra caramba e a senhora ai, nessa folga.
Ontem o Facebook me sugeriu de adicionar a Valdete Lopes, a técnica que acompanha meu processo aí no Brasil. É uma doninha de óculos pra lá de engraçadinha! Mas não adicionei não. Vai que pega mal? QUEM VOTA PRA EU ADICIONAR ELA? Está aberto o pleito.
Bem, antes disso, passei o dia futricando no Ananias, mas ele vai mal. Vou ter de baixar o Windows pra reinstalar tudo.
O caso é que alguma coisa mastigou o interpretador de C++ dele. C++ é uma linguagem muito utlilizada, então o resultado prático disso é que muitos programas pararam, entre eles o Skype.
Se fizer umas macumba, o Skype até roda. Mas se fechar ele, não abre nunca mais.
Troquei o intérprete de C++ já, mas não adiantou. Isso indica que deve ter um rootkit (um vírus) em algum arquivo. Mas o antivírus não o encontrou, e nem o rootkit killer. Nada encontra ele.
O jeito vai ser formatar. Que coisa chata é formatar. Não porque demore nem nada, mas porque é um atestado de que voce não sabe mexer no computador de uma maneira definitiva, e aí tem que apagar tudo que tem nele pra conseguir voltar a usar. É um atestado de incompetência, um Cd de Windows XP.
Na verdade, instalei gambiarrosamente o Skype em um Pendrive, com os dados e tudo mais incluídos, e funciona.
Mas a pergunta é: até quando? Será que um belo dia outros programas vão enlouquecer? Se isso acontecer, format c: /q.
Encontrei, no fim da tarde, o pe Stephen, que falou que eu tô ótimo, com uma cara de saúde.
É verdade. Tô mesmo, vendendo saúde. Meu nariz nunca entupiu. Nem isso. A única coisa que acontece é de vez em quando uma coceirinha, dessas que a gente tem quando está sestrando. E me sinto assim cheio de energia, sei lá. Leve, flexível. Sei lá.
Enfim... com ele, estavam duas freirinhas Missionárias Servas do Espírito Santo. Tem um convento delas aqui perto, e tem uma freiria que acaba de voltar do Brasil. Que coisa, não? Mas as que estavam aqui não eram ela. Quem sabe não a encontro qualquer dia? Disseram que ela fala português fluentemente.
Bem, enquanto a chuva caía, fiquei no caixa automático, esperando a parte mais forte passar pra eu poder voltar pro apartamento, uma caminhada de uns 150 metros.
Olhei pro chão. A chuva foi aos poucos carregando a poeira e ajuntando ela em ilhazinhas. O plano não era ficar ali, era ir no Shopping comprar um cd gravável. Mas faiou! O Devir teve outros planos. Estudei microgeografia.
Ali, no prédio onde fica o caixa eletrônico, estavam alem de mim 6 meninos. 2 meninas e 2 meninos juntos, e 2 isolados. Eles estavam muito animados, contando um caso em kannada sobre um rapaz que checou o extrato do banco e descobriu que tinha 97,4 crores de rupias. Ou seja, 97,4 milhões. Uns 30 milhões de reais. Quantia respeitável pra se ganhar por acidente.
É... já consigo entender umas coisas soltas de kannada. Esquisito isso. Não presto atenção nem nada, mas de tanto os outros falarem em volta, acaba que você aprende umas coisas sem querer. Entendi "o cara tirou o extrato" "97,4 crores" e "por acidente".
O resto a gente deduz, provavelmente errado.
Com a chuva, tinha um frescor. Um ventinho gelado. Uma coisa gostosa. Acho que o tempo vira mesmo aqui. Já teve dias de 40 graus e dias de 25. E parece que é assim, a variação térmica: um mês de 30, um de 40, outro de 30 e o resto do ano com 20. De vez em quando, 30 ou 15, meio espalhados ao longo do tempo. Fico pensando: será que é igual Juiz de Fora, e de repente vai danar a fazer um frio danado, sem aviso? Seria muito bom!!! Assim a gente ia poder descobrir se é o calor, a umidade ou a dieta que influenciam diretamente a saúde naríguica.
Enquando eu divagava bem devagar, pra passar o tempo, ouvi uma coisa. Vem tocar meu corpo. Eu fui. Levantei, no finalzinho da chuva, e andei nela, de guarda chuva, é claro. Molhei toda a calça e a camisa, ficou só o meu rosto seco.
E vim andando, curtindo a chuva. Assim que cheguei no prédio, ela parou!
Troquei de roupa e peguei minha toalha e meu sabonete pra ir tomar banho no outro bloco, porque não tem água nos chuveiros. Ia saindo um homem se uns 40 anos, com uma sacola na cabeça. Trabalha na construção, mas mora fora daqui, pelo jeito, já que carregava uma mochila. Dei a ele o meu guarda chuva, e ele ficou muito feliz. Ficou agradecendo.
No bloco da Pós, onde o Anoop mora, ele me perguntou o que eu estava fazendo lá e eu disse a ele que não tinha água, e ele se alarmou. Saiu apressado pra resolver, muito embora eu tenha dito a ele, assegurado, que não havia pressa, porque eu já ia tomar banho ali. E também, isso é tão constante que não há nem alarme, mais. Mas ele ficou preocupado. Disse que sim, que isso é um grande problema. E foi embora, apressado, enquanto eu fui tomar banho sem ver problema nenhum.
E aí estou aqui, escrevendo minha novela. Êta coisa gostosa, escrever um diário bem sincero, e que por isso não precisa e nem deve ser escondido! Daqui a pouco, vou fazer muita reza braba pra ver se o Skype carrega. Tenho esperanças moderadas a este respeito.
Passaram-se muitos anos sem que a gente se falasse bem de perto e nus.
Mas eu o seguia, apressado, buscando não o perder de vista, sem saber onde ia aquele caminhozinho em meio a tanto mato.
Não fazia sentido andar para o seguir, no entanto.
É que o caminho era ele. Era só talvez ficar no caminho. Que sentido faz um caminho cujo destino é ele mesmo?
Mas eu o seguia, sem ousar pergunta.
Tinha fome de andar, e por isso nem me preocupei e nem perguntei onde aquilo ia dar.
Quando enfim paramos para descansar, estávamos à minha porta.
Eu a abri, receoso. Entramos os dois.
Ele se transfigurou. Era homem, mulher, menino, moça, velha, banana, maçã, chuva, poeira, escorpião, abelha, besouro, gandhi, pernilongo, morte, vida, lótus, onda, voz, silêncio, reza, arroz, bola, taco, camisa, cricket, dor, riso, canto, ouvido, tudo.
Mas, acima de tudo, na minha casa ele se fez nada.
Despiu-se, como em um convite, de qualquer aparência, e assim pôde ser tudo em lugar algum e nada em todo lugar.
Eu me despi. Entendi o convite.
Perdi minha casa, meu quarto, minha água, minha comida, meu pai, meu amor, meus chocolates, minha cristaleira, minha construção.
Continuam sendo usufruídas por mim, todas estas coisas. Mas eu perdi o senso de posse. Não quero nada.
Nada vale a pena mais que a presença misteriosa que brota da ausência de forma, do despir.
Não ter água não é um problema. Problema seria se eu a tivesse.
Mas não usufruir da água também não é um problema!
Problema é saber que ele, em muitos rostos e corpos e gargantas secas, não usufrui.
Um problema maior que este é pensar que ele teve de se acostumar com isso.
Ainda mais grave é achar que nesses olhinhos pidões e agradecidos de tantas coisas desejáveis para se usufruir, ele nunca experimentou o usufruto mais básico, que é o da água. Pior, que é o da torneira.
E o mais grave de todos os problemas é que provavelmente não exista muito a fazer.
Por isto, entramos, mas deixei a porta aberta.
Tenho esperança de que ele entenda o convite e entre vestindo outros pés.
4 comments:
a india é engraçada...um dia, uma secura, outro, uma aguaceira.bjo. ainda bem que c sabe consertar computadores e é o rei da gambiarra. se fosse eu, já tinha comprado outro...
Tô achando graça de vc se sentindo "flexível", rssrs...
Guarda uns bombos indianos pra mim!
Eta sô, que novela boa!Num perco um só capítulo.Amanhã tem mais. Bjos.
Caminho das Índias! Arê baba!!
Julim, aproveita sua flexibilidade pra fazer uma yoga aí. Será que tem aulas?
Se vc continuar sem espirrar até a volta, eu mudo pra Índia pra ver se os ares daí curam o Cláudio tb!
Beijos!
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