Sunday, July 15, 2012


Querida Teresinha;

Eu também vivo já fora de mim.
Morri de amor, Teresinha! Se não fosse você, não conseguiria entender o que se passa.
Amo esta vidinha aqui da terra, mas concordo com você, que sempre celebrou a graça da brevidade de vida que seus irmãos tiveram.
Porque a pergunta que fica é: e…? 
Inclusive, há até um gibi da turma da Mônica, uma história sobre o Franjinha, com esta pergunta. Acho que quando alguém mata um gibi, seja o perdendo, danificando, jogando no lixo, recliclando… ele vai pro céu. Tenho certeza de que eles têm alma. E deve ser alma imortal, posto que li esta história já há muito tempo e não me esqueço dela, que está sempre na minha mente. É imortal, a alma daquela hestorinha, e de outras. Até me divirto, porque diante dos meus olhos, quando fechados, posso ver o exato quadrinho onde a Magali pergunta ao Franjinha "…E…?", o irrita e depois se volta para a Mônica dizendo: "É mágico, não?". Então… se você ainda não tiver lido esta hestorinha, leia-a aí no céu. Ela é assim mesmo, com H e E, porque é mistura de realidade e ficção. Inegável a realidade da turma, mas em um mundo de ficção.
Bem, o caso é que ela fala da nossa pergunta que não que calar. E…?
Nascemos. Crescemos. Mamamos no peito. Tomamos todas as vacinas. Hoje em dia tem até de tuberculose, pena que você não a pôde tomar e acabou morrendo disto. Mas há…
Aí crescemos mais. Estudamos. Aprendemos música. E arte, pintamos. Moldamos cerâmica. Criamos textos. Compomos músicas!! Cantamos. Vamos à missa. Comungamos. Alguns se casam, outros não. Os que se casam antes se apaixonam… Alguns dos solteiros também o fazem. Apaixonam-se por si mesmos e pela ilusão de liberdade. 
Alguns, hoje em dia, não vão à missa, mas vão ao culto. É mais ou menos a mesma coisa. No fundo, é a mesma coisa, mas as camadas superiores (porque igrejas são espécies de pavês de espiritualidades) costumam ocultar o fundo do doce, que é a doce união com Deus. É pena que na França da tua época, não havia muitos cultos para você poder ir. E é bom (também) que tenha sido assim!
Eventualmente, temos filhos. Ganhamos até um dinheirinho. Fazem doutorado, vão a outros países.
Como você mesmo comentou, quero muitos anos ainda viver. Mas meu objetivo de vida é a morte.
Pois é…
Fazemos isto tudo e…? Morremos!
E a morte é uma delicia, Teresinha!  Quando atingimos este grau de maturidade na vida, que é exercer o direito de morrer (porque as pessoas morrem e não são morridas, portando é atitude, em última análise), nos encontramos com o sentido da vida, do qual a vida por si mesma padece falta.
É lá, do outro lado do mundo, onde existe uma biblioteca infinita de Gibis e outras Hestórias, já que muitas são as hestórias já contadas… lá! Aí, no caso, né?
Aí as coisas não precisam de reticência. Aí não é e…?, mas e isso e aquilo e mais e menos e tudo e nada e infinito. 
Se tivéssemos um hotel com um número infinito de quartos e todos estivessem ocupados, caso chegasse um número igualmente infinito de hóspedes de última hora ainda assim haveria lugar para todos, muito embora o que ganhasse o número de quarto "infinito" levasse um tempo infinito para chegar à recepção e suas ligações para a mesma nunca fossem completadas. Seria a este hóspede necessário levar tudo o que precisasse para o quarto, ao qual nunca chegaria.
Esse hotel é a vida. E o quarto "infinito" é o céu.
No inferno, os quartos têm números. O meu lá, é o 301. Pegue o elevador, desça, vire a primeira a direita. É em frente ao seu quarto, que você tinha mandado reservar. Mas você foi pro céu, tendo eu por prova o número enorme de milagres que você pediu junto com os seus amigos que aqui ficaram. Você mereceu o céu mesmo.
Eu mereço o inferno, certamente, e acho que vou pra lá.
Ir pro inferno é fácil. Mas o inferno é uma "…" sem sequer e ou ?. O Inferno é uma droga. 
Eu queria mesmo ir pro céu, te fazer companhia, agora que somos tão amigos.
Eu tenho vontade dos "e"s do céu. Tenho vontade de poder incluir e ser tudo.
A dor de nós, princesos e príncipas, é não poder ser tudo. O único lugar que nos deixa ser tudo é o céu, porque pra chegar lá, temos que passar por todos os outros quartos, que é o mundo todo e até mesmo o inferno.
Quando a gente se cansa muito de subir as escadas, há um elevador onde Nossa Senhora do Carmo é a ascensorista, dizem. É o purgatório. Mas o elevador mesmo é Jesus. Só pode ser. 
E tenho certeza de que você não se assusta com a minha idéia de Maria dentro de Jesus, porque você carregava seu pai e sua mãe no peito, como eu também faço com os meus. Porque Jesus, que é gente igualzinho à gente, não faria igual?
Lá tem um número infinito de pessoas (acho que todas, porque Jesus não consegue não ceder aos apertos de botão da solidariedade com os seus irmãos humanos, nós, que aprendeu com a sua mãe…), mas todo mundo tem privacidade porque a área dele é infinita.
Brilha nele uma luz sem brilho… uma luz que é tão pura que não chega a iluminar. Nem é luz nada. Porque Luz e energia e onda e matéria se expandindo e oscilando por aí. Mas essa coisa que existe nesse quarto aí é um                         .
E é o único                       que existe. O nome dele é esse mesmo, se não me engano:                      .
Eu amo muito essa vida aqui. Você também amava, e ainda ama, claro. Mas realmente… o              é MUITO mais legal.
E aí, fico sonhando, querendo viver o máximo possível por aqui, mas ansioso pra chegar o dia de eu conhecer este                             pessoalmente.
E se a idéia de                         parece implausível a um lugar onde tenha todos os gibis do mundo… é porque o                    é feito de Es. Aí cabe tudo, e ainda sobra muito                     .
Amiga, colega, comparsa:
Eu também. Vivo sem viver em mim e morro porque não morro. Ah, que longa essa vida. E que bela…
Minha querida príncipa, termino por aqui. É que tenho que lavar o chão, tem muita poeira da obra. ..E…? rsrsrs...

Um beijo em espírito de também, do seu amigo e vaso quebrado

Princeso.

5 comments:

MCarmen said...

Tão sábio quanto profundo!!!!!!!!!!!
Aliás, como sempre, fico daqui a usufruir desse banquete de experiências e vivências permeadas de reflexões. Que bom conseguiu o colchão!!!!!!! já pensou? O menino/seu irmão preferido entre os do sexo masculino, dormindo no chão e a Glorinha daqui cestrando de Zé Cândido? Não ia dar nada certo...

Anonymous said...

Eu dormiria no chão...
Ah, gente, o Anonymous é o Julim, ok?

Glorinha said...

Foi fundo hoje, ein?
Também, falando com Teresinha não tem como ficar na superfície.
Que ela interceda por todos nós nessa caminhada longa em direção à santidade.Bjos.

Teresa said...

Caraca! Sem palavras! Só Teresinha e vc podem alcançar o meu coração e o meu abraço agora, queu espero que vc esteja recebendo aí, de braços abertos!

Não dá pra vc parar de me emocionar, não? rsrsr

Mil beijos no seu coração!

Gisele Reis Simões said...

A Tetê é uma graça mesmo...
Mas acho que eu não sou tããããããooo amiga dela ainda, sabe?
É que eu ainda não consegui me acostumar com esse jeito que vcs têm de pensar na M(m)orte... nem preciso conseguir, né?
A gente combinou de se encontrar qualquer dia, ela vem aqui em casa...
Diz ela que vai ficar, mas acho que ela tá querendo saber é de vc mesmo... depois vc vai saber o que é.
É igual esperar pra saber como é que é subir nesse elevador-Jesus (ou o contrário...), mas acho que sem esse . Entendeu, né?
Um beijo, princeso! Tô te amando...