Monday, August 06, 2012

Corrigindo o Masnavi

A mariposazinha, desejosa de conhecimento, observava atenta sua mestra.
Ela lhe explicou:
- Amamos o fogo, criança. Vê aquela lamparina acesa? Ai, como a desejo.
Uma das alunas levantou vôo, rodou em torno da chama.
- Ele é luminoso, o nosso amado fogo.
- Não! (retrucou a mestra) Ainda não entendeste a natureza do amado...
Outra, mas ousada, em um adejo circundou de perto o fogo, retornou.
- Sua luz é tão intensa que quase me cegou. E também pude sentir o seu calor.
Um meneio de cabeça da mestra fez com que todas entendessem que não. Não era aquela a natureza do amado.
Por isto, mais uma delas em um salto alcançou a proximidade com o objeto de sua veneração.
- Ah, o amado! Chamuscou-me as patinhas e uma de minhas antenas nem mais existe. Ah! O amado!!!
- Tsc!
Apenas este som fez a mestra. E, num único passo, atirou-se dentro do fogo, consumindo-se. Tornou-se fogo.
Aquela primeira mariposazinha, enfim, julgou entender, muito embora não houvesse mais mestra.
E foi-se pôr ao lado do amado.
- Amado desta alma de falena... que lindo és! Entendi tudo! Sua natureza é impossível de entender, pois nos consome se de ti nos aproximamos! Que maravilha! Quero consumir-me em Ti! Quero tornar-me consumo!
Uma voz, como um trovão, emanou do fogo.
- TOLA! Minha natureza é uma falta de vós tão maior que a vossa, que sou eterno consumo. Eu sou o Amor que tens por mim, o Amado que amas  e o Amante que te ama. Não há distinções entre o que sou e o comichão que sentes no fundo de ti.

1 comment:

Glorinha said...

Nossa! Foi fundo,ein?
Adorei esse texto, pois é isso mesmo que me faz feliz: consumir-me, consumir-me, consumir-me,como a mariposinha, atraída pelo fogo ardente e luminoso do Amor.
Beijocas, até amanhã.
Deus te guarde.