Foi ate meio complicado, admito.
Com duas panelas e uma boca de fogao apenas... mas comecei fazendo o feijao, enlatado e ja cozido, na frigideira menor.
Depois, enquanto cozinhava o arroz, coloquei o feijao numa tigelinha e lavei beeeem lavada a frigideirazinha.
E, quando o arroz ficou pronto, fritei os dois ovos, duvidando que fosse dar certo. Mas deu. Fritei-os sem arrebentar a gema, deixando-a naquele estado semi-mole favorito da maioria das pessoas do planeta Brasil.
Arrumei tudo no prato.
Para acompanhar, uma kingfisher red. Muuuito leve, esta cervejota. Voce poderia tomar umas dezoito e nao ficar bebado com ela. Enfim...
Sentei.
Chegaram as companhias, em minha mesa enorme que permiti que se fizesse a minha frente.
Cidinha, que adora ovo frito e muito embora cozinhe em festas nao sabe fritar ovo sem arrebentar a gema e sem atingir o ponto preciso do quase-cozimento da gema foi a segunda a tomar sela. Antes dela, a mae e o pai.
Ele disse que comeria so arroz e feijao. E batata, claro. Sempre ha batatas pra ele em minha mesa, salteadas e cozidas.
A mae ficou me olhando e perguntando se eu estava tomando cuidado com o alcoolismo. O Frederico, que tambem estava ali, disse a ela que isso e bobagem da Teresa e que nao e porque a pessoa toma uma cerveja no domingo que ela e alcoolatra. E a mae logo se adiantou: "Oooooh!!!! Mas e assim mesmo que comeca, aos poucos. Nao acha, Toninho?"
O tio Toninho levantou um pouco a cabeca e fez um sinal que ninguem entendeu. E pediu outro relogio de pulso. Servi-o em seu prato.
Dona Aparecida Lopes, querida segunda mae, ficou falando "nossa, Julio! Voc^e precisa ensinar a Gisele a cozinhar assim!" E o sr Moacir comeu em silencio, rindo vez ou outra. E me acompanhou na kingfisher, dizendo que Antarctica era melhor. Ate a Ketlin comeu. Arroz feijao e ovo, pra ela, tudo bem. Acho ate que escolhi este cardapio requintado para poder inclui-la inconscientemente.
Num repente, o Robinho apareceu. Aquela versao divertida dele, casado ainda. Aqui na minha mesa nao tem essas frescuras de tempo. Sentou-se com a Mirian pequenininha no colo. E ja foi se servindo, de acordo consigo mesmo, de roz, jao e disco voador.
Sem o menor aviso, a Tia Lalinha comecou a fazer caretas com a dentadura, enquanto a tia Tilinha nao sabia se a repreendia ou ria.
Vo Lilita (quem diria!) elogiou (sera que elogiaria?) a comida do Macaquinho. E o Vo Francisco batia um papo com o Zezinho, sentados la na escada. Ouvi-os pela janela.
Francisco e Henrique riam, contavam piadas estranhas, comiam, enquanto a Isabela parecia mergulhada em um mundo proprio, onde a satisfacao do paladar e tudo o que importa nesta vida.
Ao lado dela, a procuradora procurava a conta que esqueceu em algum lugar, enquanto o Codiobé, por trás, segurava o Zé Lucas e conversava com o Marcio, que trazia uma menina no colo. Até já nasceu, por aqui.
A Glauciléia conversava com a Glaucilene a respeito de seus nomes estranhamente estranhos e parecidos. Mas que pra elas é normal.
Robert colocou Maria Gadu no cd player, dizendo que todos deviam experimentar ouvir, o que foi atestado pela Barbara, que assegurou que nao assentia por lampadismo apaixonado, mas que as letras, que nao sei o que mais... etc. E me acusava de implicancia, gratuitamente! Eu, sempre inocente...
Fabiana e Marcello tambem vieram. O pai perguntou pra ele onde estava a foto da Tia Henriqueta.
E entao, um barulho de motor. Pela porta, Nelminha, Frederico, Newton e Marcia. Nao sei o que diziam. Mal me lembro, agora, das suas vozes...
Asseguraram que nao deviamos nos preocupar com o carro, pois ninguem roubaria "aquilo". Foram seguidos imediatamente pela Aninha e Miguel, que trouxeram um frango assado e uma carne de nao sei o que na cerveja, parece.
Ela me perguntou alguma coisa sobre o aquario, mas o Frederico discordou de tudo que eu disse e falou outras coisas. Ele esta certo, acho. Tem aquario ha mais tempo. E o pai falou que peixes morrem mesmo.
E a mae protestou num muxoxo "aaaaah, mas e taaaao triste!"
Teresa, que sentou-se umas duas cadeiras pra la do Robinho, estava linda, em plena luz do dia. Ria alto de tudo, Ribeiro que so.
Gisele falava com todo mundo ao mesmo tempo, rindo risos lindos, acendendo luzes por toda parte com a simpatia e docura enorme.
E entao...
A tela de mosquiteiro da janela aqui na minha frente. O ultimo grao de arroz. Voltaram todos pra dentro da minha casa que sou eu. Se impregnaram no meu sangue. Nao so estes que cito, mas muitos e muitos outros que estavam aqui. Todos... Ate o Sr Vicente Tonelli, que metia o pau no Juracy Scheffer o tempo todo estava presente! E a Bia, a minha amiga querida. Joana, com um olho espetacularmente verde, um riso frouxo. Hundt e Hundien davam um risinho pro Alexandre e pra Carminha na varanda. E taaantas outras cenas, em cada grao.
Pelo que sei, foi a minha ultima refeicao. Posso morrer a qualquer hora, visto que estou vivo. Tomara que nao. Tomara que me sente em muitas mesas ainda. mas quem sabe?
O que me importa mesmo e que felicidade e a consciencia de que sou a 'suas' mesa.
Sirvam-se do que posso dispor, hoje e sempre.
Com duas panelas e uma boca de fogao apenas... mas comecei fazendo o feijao, enlatado e ja cozido, na frigideira menor.
Depois, enquanto cozinhava o arroz, coloquei o feijao numa tigelinha e lavei beeeem lavada a frigideirazinha.
E, quando o arroz ficou pronto, fritei os dois ovos, duvidando que fosse dar certo. Mas deu. Fritei-os sem arrebentar a gema, deixando-a naquele estado semi-mole favorito da maioria das pessoas do planeta Brasil.
Arrumei tudo no prato.
Para acompanhar, uma kingfisher red. Muuuito leve, esta cervejota. Voce poderia tomar umas dezoito e nao ficar bebado com ela. Enfim...
Sentei.
Chegaram as companhias, em minha mesa enorme que permiti que se fizesse a minha frente.
Cidinha, que adora ovo frito e muito embora cozinhe em festas nao sabe fritar ovo sem arrebentar a gema e sem atingir o ponto preciso do quase-cozimento da gema foi a segunda a tomar sela. Antes dela, a mae e o pai.
Ele disse que comeria so arroz e feijao. E batata, claro. Sempre ha batatas pra ele em minha mesa, salteadas e cozidas.
A mae ficou me olhando e perguntando se eu estava tomando cuidado com o alcoolismo. O Frederico, que tambem estava ali, disse a ela que isso e bobagem da Teresa e que nao e porque a pessoa toma uma cerveja no domingo que ela e alcoolatra. E a mae logo se adiantou: "Oooooh!!!! Mas e assim mesmo que comeca, aos poucos. Nao acha, Toninho?"
O tio Toninho levantou um pouco a cabeca e fez um sinal que ninguem entendeu. E pediu outro relogio de pulso. Servi-o em seu prato.
Dona Aparecida Lopes, querida segunda mae, ficou falando "nossa, Julio! Voc^e precisa ensinar a Gisele a cozinhar assim!" E o sr Moacir comeu em silencio, rindo vez ou outra. E me acompanhou na kingfisher, dizendo que Antarctica era melhor. Ate a Ketlin comeu. Arroz feijao e ovo, pra ela, tudo bem. Acho ate que escolhi este cardapio requintado para poder inclui-la inconscientemente.
Num repente, o Robinho apareceu. Aquela versao divertida dele, casado ainda. Aqui na minha mesa nao tem essas frescuras de tempo. Sentou-se com a Mirian pequenininha no colo. E ja foi se servindo, de acordo consigo mesmo, de roz, jao e disco voador.
Sem o menor aviso, a Tia Lalinha comecou a fazer caretas com a dentadura, enquanto a tia Tilinha nao sabia se a repreendia ou ria.
Vo Lilita (quem diria!) elogiou (sera que elogiaria?) a comida do Macaquinho. E o Vo Francisco batia um papo com o Zezinho, sentados la na escada. Ouvi-os pela janela.
Francisco e Henrique riam, contavam piadas estranhas, comiam, enquanto a Isabela parecia mergulhada em um mundo proprio, onde a satisfacao do paladar e tudo o que importa nesta vida.
Ao lado dela, a procuradora procurava a conta que esqueceu em algum lugar, enquanto o Codiobé, por trás, segurava o Zé Lucas e conversava com o Marcio, que trazia uma menina no colo. Até já nasceu, por aqui.
A Glauciléia conversava com a Glaucilene a respeito de seus nomes estranhamente estranhos e parecidos. Mas que pra elas é normal.
Robert colocou Maria Gadu no cd player, dizendo que todos deviam experimentar ouvir, o que foi atestado pela Barbara, que assegurou que nao assentia por lampadismo apaixonado, mas que as letras, que nao sei o que mais... etc. E me acusava de implicancia, gratuitamente! Eu, sempre inocente...
Fabiana e Marcello tambem vieram. O pai perguntou pra ele onde estava a foto da Tia Henriqueta.
E entao, um barulho de motor. Pela porta, Nelminha, Frederico, Newton e Marcia. Nao sei o que diziam. Mal me lembro, agora, das suas vozes...
Asseguraram que nao deviamos nos preocupar com o carro, pois ninguem roubaria "aquilo". Foram seguidos imediatamente pela Aninha e Miguel, que trouxeram um frango assado e uma carne de nao sei o que na cerveja, parece.
Ela me perguntou alguma coisa sobre o aquario, mas o Frederico discordou de tudo que eu disse e falou outras coisas. Ele esta certo, acho. Tem aquario ha mais tempo. E o pai falou que peixes morrem mesmo.
E a mae protestou num muxoxo "aaaaah, mas e taaaao triste!"
Teresa, que sentou-se umas duas cadeiras pra la do Robinho, estava linda, em plena luz do dia. Ria alto de tudo, Ribeiro que so.
Gisele falava com todo mundo ao mesmo tempo, rindo risos lindos, acendendo luzes por toda parte com a simpatia e docura enorme.
E entao...
A tela de mosquiteiro da janela aqui na minha frente. O ultimo grao de arroz. Voltaram todos pra dentro da minha casa que sou eu. Se impregnaram no meu sangue. Nao so estes que cito, mas muitos e muitos outros que estavam aqui. Todos... Ate o Sr Vicente Tonelli, que metia o pau no Juracy Scheffer o tempo todo estava presente! E a Bia, a minha amiga querida. Joana, com um olho espetacularmente verde, um riso frouxo. Hundt e Hundien davam um risinho pro Alexandre e pra Carminha na varanda. E taaantas outras cenas, em cada grao.
Pelo que sei, foi a minha ultima refeicao. Posso morrer a qualquer hora, visto que estou vivo. Tomara que nao. Tomara que me sente em muitas mesas ainda. mas quem sabe?
O que me importa mesmo e que felicidade e a consciencia de que sou a 'suas' mesa.
Sirvam-se do que posso dispor, hoje e sempre.
5 comments:
Ah, Julim, que linda sua mensagem, mas saiba que estou preparando um arroz, feijão e ovo frito para te receber de volta à casa paterna.
Adoro essa comida, ainda mais com as beiradinhas queimadinhas do ovo,como tá na foto.
VOU ME DEITAR, REZAR POR VOCÊ, PARA QUE ESSE SEJA UM LINDO DIA AÍ, NA SUA CASA INDIANA,POIS SEI QUE ESTÁ COMEÇANDO O DIA AÍ, AGORA, ENQUANTO ESCREVO.
Deus abençôe você sempre!
Depois desse texto, só tenho a dizer:
"Julio Simões: vou dormir
Teresa Simões: um beijo de irmã no coração de irmão por inteiro!
Julio Simões: e sonhar com seu abraço!
Teresa Simões: é só por ele que eu anseio agora e sempre!
Julio Simões: boa noite!"
O resto da conversa está gravado nos nossos corações! Um beijo enorme e que o Cara te acompanhe em todas as etapas do seu regresso! Te amo... e muito!
Lindo texto Julinho!
Bela refeição, cheia de palavras gostosas temperadas com saudade
e carinho.
Deu água nos olhos!
Receba aí o nosso abraço, recheado
de contagens regressivas.
Abraço, do amigo, Robert
Em tempo: (aproveitando para fazer propaganda)
ouçam um fado bonitinho gravado pela Maria Gadu em parceria com um jovem cantor português chamado Marco Rodrigues
o link http://ummarconofado.blogspot.com.br/2011/12/marco-rodrigues-e-maria-gadu-cantam.html
Robert
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