Friday, May 25, 2012

Acordei bem demais hoje, depois de um anti-alérgico na noite de ontem, duas horas antes de dormir.
Um pouco depois de eu escrever que estava sem febre, a tive, numa ironia fina do devir. Febre de 37,7, bem baixinha e de acordo com os médicos sem necessidade de antibióticos e talz.
Olhei meu produto narigal depois de uns espirros, e estava claro. Estranho. Fui na farmácia de novo e o rapazim me passou três comprimidos do antialergico com a recomendação expressa de, se não melhorasse, ir ao médico. Tomei-os na hora da janta, 8:00.
Ontem teve assim uma festinha de despedida, com decamações de poema, distribuição de sorvete e chocolate, coisas assim. Peguei meu chocolate e meu sorvete e vim embora. Taquei o sorvete no freezer, comi o chocolate e liguei pra casa, conversei com a mãe e com o pessoal que tava lá (Aninha e Pai). E depois fui dormir bem cedo, umas 23:00. E acordei novo. Sem febre nenhuma, sem nariz entupido, quase sem tosse... Mas que alergia danada, hein?
Depois de futricar pra lá e pra cá na Internet, reservei um hotelzim em Goa e comprei passagens de trem online. Sou o 25 da waiting list. (lista de espera)
Os indianos acham legal comprar várias passagens ao mesmo tempo na Internet e depois ir cancelando. Muito esquisito, né? Mas fazem isso mesmo, acham normal. Dizem que assim podem ir pensando em qual vagão e lugar vão viajar. Que estranho!!
Reservei uma cabine com ar condicionado e cama no domingo 15:00, saindo de Bangalore. Se for confirmada a passagem (provavelmente será, porque conheço um cara que reservou com dois dias e estava no numero 143 da lista de espera e viajou) saio daqui e chego em Goa seis horas da manhã de segunda. Se não for confirmado, devolvem meu dinheiro. Mais uma pista de que será confirmado, ou não iriam arriscar isto de perder dinheiro. Fico em Goa por 10 dias, de segunda até quinta da outra semana, na Biblioteca de livros raros e manuscritos e fazendo alguns contatos com os pessoal da Universidade de Goa, que vão ficar só um pouco felizes, porque será a primeira semana de aula deles e provavelmente negozim quer é enrolar na primeira semana, igual no Brasil.
Tenho esperança de pegar tudo o que eu quero com esse povo e ainda dar sorte de ter um tempo mais ou menos bom pra dar uma volta, ver o braço do Sao Francisco Xavier, ir no templo da família do Dilip, tomar uma água de côco na beira da praia e saudar Yemanjá. Odoiá. Se não der, paciência. Acredito que as vistas pela janela do trem vão valer a pena, e academicamente é essencial essa viagem.
Depois de olhar isto, fui no Xópen pra ver se achava uma legendária loja de violão que vende gibsons a 150 dóla. Ou seja, um absurdo de barato, porque no Brasil custam algo em torno de 700. Mas não achei.
Achei, ao contrário, um mendigo. Um não, vários. Dei esmola a um deles. Abri a carteira e só tinha notas de 500. Provavelmente foi a maior esmola que ele recebeu no dia. Ele pegou a nota, olhou sem entender e se curvou. Eu me curvei, peguei as mãos dele e beijei. E ele ficou me olhando, um agradecido ao outro e sem saber falar a lingua, mas dizendo muito. Um átomo de tempo eterno.
Depois tomei um café numa lojinha, com direito a torta de chocolate, por cinco reau. Uma coisa no nível daquelas carérrima do xópen, muito embora o café indiano seja um pouco mais ralo e amargo, porque é feito mais de Caffea robusta que de Caffea arabica. Ou seja, café canilon pra quem conhece.
Vim embora, passei no caixa eletrônico e peguei o dinheiro do aluguel. Pagarei pelos 5 meses, já acertei com o Pe. Kolikara isto, assim fico mais seguro, porque automaticamente impeço a perda do apartamento, como era a conversa de abril.
Amanhã haverá graduação dos bacharelados da Christ University, e eu fui convidado a ir. Está tudo cheio de luzinhas. O Vice-chanceler e o diretor de Lato Sensu vão ao Brasil, então queriam saber como era o clima no Rio, São Paulo e Curitiba. Como a Luzi pegou uma pneumonia no Brasil, achei por bem assustar eles um pouco e disse que no Rio faz uns 30 graus, em São Paulo uns 10 e em Curitiba neva.
Ok, ok... o Rio é 100% verdade. E, quando eu morava em São Paulo, deu geada um dia. Fez 3 negativos que eu lembro muito bem. E em Curitiba provavelmente nunca nevou. Mas faz um frio do caramba, que pode adoecer os coitadinhos. Então falei pra eles levaram roupas bem quentes e tal e coisa. Deliberadamente, exagerei.
Aí vim aqui, escrever procês. Tô baixando um filme pro Dinesh, que adorou eu conhecer o Prabhu Deva e ficou curiosíssimo pra assistir um filme brasileiro. Vou dar a ele  Tropa de Elite I. Será que ele vai morrer de medo? Sei lá...
E hoje à noite até o dia 3/06, o RU vai fechar. Ô dó...! O Marco tá revoltadíssimo, falando que vai pedir pra comer na casa dos padre e não sei o que. Eu não. Eu vou pra, Goa, solucionar a questão de maneira radical!!! Ou não.

Eu entendi uma coisa da TL:
O lugar preferido de Deus é o pobre. Não porque o pobre tenha alguma propriedade sobrenatural, ou que haja nele alguma coisa que o faça mais importante que o não-pobre.
Mas é que diante da pobreza quem tem de sobra sente-se motivado a atitudes mais humanas.
Aos olhos do pobre, porém, elas parecem divinas. Quem, senão Deus, iria enviar este anjo de alívio?
O pobre se curva diante do que tem, agradecido à Providência.
Se aquele que recebe aquele curvar souber quem ele é, ele se curva diante do pobre.
Quem tem admira-se com tamanho agradecimento, e julga que só pode ser um enviado de Deus alguém que o julgue tão maior do que é.
De fato, Deus tem mania de julgar-nos (ou saber-nos) maiores do que somos (ou nos achamos!). Nunca nos dá provações maiores do que as podemos suportar, atesta Paulo. E, no entanto, quão enormes elas são! Ou seja, Deus nos julga grandes, maiores do que nós nos julgamos, pois sempre que possível gostamos de dizer a Ele: "não agüento mais!", traindo a sua verdade.
Pois é. A curvatura do miserável mostra ao que tem que ele é capaz de atitudes divinas, e então encontra o Eterno.
E curvados um diante do outro, pés descalços um diante do outro, num olhar cúmplice, num toque amigável, numa doação de si, transcendendo a matéria, um e outro se reconhecem divinos. Se fazem humanos.
E, mesmo que seja por um segundo, um mínimo momento, uma vibração de lépton, os dois se sentem iguais.
O lugar de Deus é o pobre e o miserável porque ele nos fala, de maneira radical e real, que todos somos miseráveis. Todos carecemos. Ninguém é pronto. Todo ser humano é um espaço enorme, um vir-a-ser, uma ausência.
E só somos presença diante do outro... que também é ausência.

1 comment:

Glorinha said...

Coitado do Marco, sem comida não dá! Eu tb ficaria revoltada!
Continue assim, bem cuidadoso com sua saúde. Tô torcendo muito daqui, do outro lado do planeta para que Goa não seja um leite condensado.Tomara que seja fácil vc chegar diritinho.O tempo está voando, eu sei, mas tô doida para setembro chegar, não vejo a hora. Não dá pra negar, tem dia que é muito angustiante, sou demais mesmo, o que fazer?