Friday, May 18, 2012

Bem... o que dizer...?

O caso é que ontem eu escrevi o texto do Blog e não consegui publicar por causa das armadilhas do destino!

Então hoje tem dois posts.

Amanhã eu conto como é o Dojo do Subramanyam e tal, porque vou logo mais à tardinha (17:30 vou sair daqui, mais ou menos, pra passar na cabaninha de colocar crédito no celular no caminho).

Vou reescrever um pedacinho do meu artigo agora, atendendo o pedido do editor, provavelmente isto vai levar o dia todo!

E não vou escrever mais nada não, pra não sobrecarregar o espectador.

De qualquer jeito, espero que o destino para de fazer gracinha pra eu conseguir atulizar issaqui tudos os dia!

E termino dizendo que, aparentemente, entendi o desafio, ou parte dele.

O desafio parece (parece) consistir em descobrir que ninguém faz falta nenhuma e que é tudo invenção da sua cabeça. Tudo apego. E aí tomar posse de si mesmo, já que você quando descobre isso, fica sozinho. E, com você mesmo na mão, se doar pro zoto. 

Se o tal de Zoto quiser pegar, tudo bem. Se não quiser, tudo bem também. Porque até a doação é meio mentirinha! No final das contas, se te largarem e te espatifarem no chão, você se ajunta, se ajeita e... pronto!

Amor de verdade nunca causa dor. O que causa isso é paixão, que é aquela coisa que te rouba de si mesmo e te deixa sem chão.

Não me doeu ficar sem vocês... o que me doeu foi descobrir o apego enorme que existe em mim a cada um, e ter de fazer alguma coisa com isto.

A solidão, no quarto de noite, não dói mais.

A noite, no escuro, não tem mais monstros, como aquele terrível ser que mora na lavanderia da César Augusto Seixas 48, a partir das 21:00

Nem demônios, desses que se escondem atrás das portas e embaixo das camas só pra tentar as pessoas!

Eles tiveram de morrer em favor das baratas, escorpiões, pernilongos, falta de luz, roupa pra lavar, preocupação sobre "será que vai dar tempo? como transferir dinheiro pro Brasil?" e coisas assim.

Os monstros são paixão. A crueza da realidade, muito mais assustadora, mas ao mesmo tempo muito mais fácil de lidar,  é amor.

Vim pra cá por amor. Pra aprender a amar. Pra aprender a ter saudade. Saudade é um lugar onde só chega quem amou um dia...

Não me dói a ausência de vocês. Esta ausência, simplesmente, não existe... O que me dói é a realidade da presença que só pode ser percebida realmente na aparente ausência. Essa presença escondida, acho que é saudade...

Estou só divagando, bem devagar. É que percebi totalmente sem querer que paixões doem.

E como me dói ter de lidar, daqui a um tempo, com as paixões de quem ainda não sabe amar... do Henrique, do Francisco, da Bebela, da Ketlin, do Migarmen (filho do miguel ca ana carmen), do Ilustre (o filho gerado e não criado da Barbara, que espero estar ganhando balas nas ruas).

Como é difícil e dolorido pra gente ter de lidar com a paixão da Mirian e da Teresa!

Que fazer? Construir um muro em volta pra deixar de apaixonar? Que nada!

Aprender a lidar com isso. Descobrir que faz mal, em última análise.

Falam de "dor de amor" e blablabla. Sempre desconfiei, junto com minha vovó Lilita, que isso é tudo invenção, que a gente gosta e fica com quem merece a gente.

E quem merece? Quem nos deixa livres, quem não nos prende a um esquema de satisfação do ego, da demanda.

Quem não faz da gente um bibelozinho pra atender a propria demanda de sexo, auto-imagem, narcisismo, poder (econômico [dos maridos que sustentam esposas não por amor, mas só pra poder tê-las sobre domínio], político [dos professores e diretores que humilham os funcionários, dos coordenadores que nao querem co-ordenar, mas ordenar e o co que se dane], moral [dos padres, teólogos, freiras, psicólogos, que definem o que é certo e errado na vida do outro, como se pudessem vivenciar o próprio código moral deste outro]).

Isso é tão triste, gente! Nem gosto de pensar em quanta gente já prendi, e quanta gente me prendeu.

Estar aqui é delicioso por isso! Estou livre.

E é doído por aquilo: amo muitos dos que me lêem aqui, acho que a maioria. Não tenho um amor promíscuo pra todo mundo não! Isso seria falsidade!

E sei que vocês estão aqui, do mesmo jeito que eu estou aí, de algum jeito maluco, estranho e misterioso.

E sei que nosso amor nos cura das nossas dependências mútuas e apaixonadas.

Por isso que eu e a Gisele vamo juntá nossos pano de bunda, ao que parece. É que a gente não tá muito aí pra possuir o outro. 

Do mesmo jeito que eu vejo o Claudio e a Cecilia discutindo de vez em quando na cozinha não porque o outro não está sendo o que ele(a) quer, mas só porque eles sao livres e transparentes, e não tem vergonha e nem receio de dizerem um ao outro que o outro não o tem.

E o Robert, escondendo chocolates da Barbara não como castigo, mas em respeito à compulsão da indiana formiguenta que vai devorar tudo e depois se sentir mal.

E o Miguel, fazendo tsc! tss! e falando "tá bom, tá bom. Não faço maixxxx" com a Aninha na fila do telemênico.

Ou a mãe o pai (esses são recordistas de auto-posse) que sustentam o casamento felicíssimo na base do cascudo e da discordância. Uma querendo cimentar tudo e o outro querendo novas galinhas, enquanto eu faço um degrauzinho e corto uma goiabeira, ao mesmo tempo que compro 5 galinácea.

E o Frederico? Esse amante disfarçado de estátua gélida, que em dias de muita exceção aceita abraços e que cuidadosamente escolhe presentes pras pessoas de acordo com o que elas gostam, num exemplo raro de capacidade de transcender o próprio pensamento.

E a Teresa e a Mirian, as apaixonadas mútuas, uma lavando a roupa e a outra chorando escondida porque se esqueceram que a base fundamental do amor é a diferenciação, é o deixar livre, leve e solto. E por isto, não enfrentar o confronto, mas abraçá-lo em aprendizagem.

Ah, meu post pequeno ficou enorme!!! É que é feliz e transbordante a descoberta do amor.

Eu amo vocês. Obrigado por me deixarem livre, muito livre, do outro lado do mundo.

Obrigado por não quererem que eu faça o que vocês mesmos querem fazer.

Obrigado por me permitirem entrar na cabeça de vocês por linhas mal escritas e com erros de digitação e opções gramaticais atrevidamente exóticas.

Obrigado por romperem comigo, aceitando ao longo desses anos todos os meus defeitos terríveis, a minha acidez corroente, o meu mau humor constante e o meu disfarce chamado "ironia", que só esconde um coração apaixonado sim, mas sobretudo amante.

Quem dera todas as familias e todas as amizades fossem como a nossa, que, por ser nossa, não é de ninguém.

E canto um samba, só pra me lembrar do batuque. Liberdade liberdade, abre as asas sobre nós.



7 comments:

Gisele Reis Simões said...

Achei esse post parecido com o e-mail que te enviei. É vc escrevendo pra si. Estamos muito bem de auto-análise e auto-crítica!!
Viu que eu dizia que vc é livre? Tô tão feliz de vc estar vivendo essa liberdade... e eu a minha... aí, daqui a pouco a gente já tá podendo juntar os "pano de bunda", haha!!!
Um beijo da preta que te ama!

Fabs Lawall said...

Juju, achei lindo o seu post, mas tenho que discordar com vc em um aspecto: amor causa dor.
Como negar a dor de uma mãe vendo seu filho passar fome e não ter o que lhe oferecer, como negar a dor de um filho ao ver a vida de seu pai se esvaindo, ou de uma mãe ao ver seu filho em um caixão?
Dar a vida pela humanidade com certeza é de lindeza só, ato poético,de amor verdadeiro, mas carregado de dor. O nosso Amado sente dor ao amar.
O ato de amar é em si um pouco egoísta. Quando a gente ama, é pq tem um pedacinho nosso que está no outro. E tem um pedacinho do outro que está na gente. Não tem jeito. amar é ser cativo. Te dou toda liberdade de fazer o que o seu coração mandar,como dizia Raulzito: "o amor só dura em liberdade", mas ainda assim és MEU amado. Ainda assim, tens um pedacinho de mim dentro de vc que eu não posso abandonar. Saudade é isso: não conseguir abandonar o pedacinho de vc que mora dentro outro e que na verdade se faz outro.
Paixão e amor... pra quê tentar separar, tentar estabelecer sintomas para cada... Prefiro amar apaixonadamente, sempre! Ai de mim quando minha paixão acabar. Pra mim, paixão é pulsão de vida!
Hahahaha... falei demais... não precisa responder... deixa pra gente conversar sobre isso quando vc voltar da Índia, no final de um grupo de oração, ou aqui em casa, ao lado do Rafael (nosso querido saudoso físico-filósofo), o que é bem típico da gente.
Um abração!

Roiíces de um Minotauro said...

É... discordo plenamente!!!
A dor da mãe é causada pela fome do filho, a do filho pela morte do pai, a do crucificado pela tortura sofrida, a do que ficou pelo fato de ter ficado, e a de quem foi por não poder ter trazido. Mas o amor em sua forma pura é sempre libertador e suave!
Ou não...

Glorinha said...

Ah, o amor, sempre o amor...Aprendi certa vez que amar é diferente de gostar. E daí? Olha, isso me faz lembrar do 12° passo do A E , que propõe grandes reflexões a respeito do amor.
Julim, fico feliz demais em saber que vc se sente livre. Olha, quero lhe dizer que a tendência das mães é sufocar o filhos de tanto "amor", impedindo-os de crescer. Lendo o seu texto, sinto-me tranquila, apesar de Zé Cândido, consegui não atrapalhar sua liberdade para viver. A Bênçãoda mamãe querida, que te ama.

Fabs Lawall said...

O que penso, querido, é que sem amor, a fome do filho pouco afetaria a mãe; sem amor, a morte do pai pouco afetaria o filho e a morte do filho pouco afetaria a mãe. O amor pode gerar dor. Mas a dor, principalmente a gerada pelo amor, é sim libertadora e suave. Eu que o diga! Quando penso em meu pai, por exemplo, sinto dor por sua morte, pq o amo tanto (se eu não o amasse não sofreria). Às vezes acho que meu coração vai até parar de tanto que dói. E mesmo assim, com dor, transformo-me a cada dia (sinal de libertação).
Tb agradeço por me fazer refletir sobre o amor!

Banana said...

O amor é um bichinho que rói, rói, rói,
Rói o coração da gente, que dói, dói, dói...

É um não sei que, que nasce não sei onde. Vem não sei como e dói, não sei por que...

Não tô afirmando nada; tô só cantando...

Eh, julim, vai juntá os panim de bunda, hein?

Teresa said...

Pois é, meu querido! Prá refletir não te falta tempo! Isso é bom! Mas... apesar que não concordar com tudo que vc pensa, reflete e deduz... ou conclui... rsrsr, ainda aprecio e admiro sua sinceridade e coragem... e coragem realmente é um ingrediente indispensável a quem se dispõe a amar! E por falar em amor, li por aí uma reflexão que se encaixa bem aqui: "Um amor mais forte que tudo, mais obstinado que tudo, mais duradouro que tudo,é somente o amor de mãe..." de Paul Raynal.
E eu ainda prefiro amar apaixonadamente seja quem ou o que for... E haja coragem!!!!(valeu, Fabiana!)
Bjos,