Monday, May 28, 2012

Chá de hortelã, de funcho, de picão, de tulsi, de capim cidreira, de mate, verde, de amoreira.
 

Hortelã tem mentol, seria bom para dores de estômago ou para lombrigas. Porque elas ficam anestesiadas e perdem a aderência à parede do intestino, e assim são eliminadas.
 

De funcho, para acalmar as necessidades sexuais. Sim, dizem isto! Quando uma pessoa tá com muita necessidade de fazer bubice por aí, você pode dar-lhe funcho, que é um ótimo corta-fogo. Tem, parece, fitoestrógenos, iguais aos da amoreira, que os tem em quantidade maior e por isto é usado até como reposição hormonal para menopausa.
 

O picão, esta planta de nome semi-pornográfico, serve para curar o amarelume, em banhos. Se a pessoa tem icterícia, dê-lhe um banho com este chá e tudo ficará bem.
 

O tulsi é uma panacéia. Aumenta a imunidade, cura gripe, diabetes tipo 2, anti-stress e adaptogênico. Cria na pessoa a capacidade de se adaptar ao meio. É tão importante que é sagrada no hinduísmo vaishnava e cultuada como um avatar de Lakshmi, a esposa de Visnhu. Tem até um ritual anual de casamento entre o Krishna e a Tulsi, avatares dos deuses masculino e feminino principais; ou aspectos do masculino e feminino do único Deus (como queira).
 

Capim cidreira tem um composto cujo nome eu esqueci que é analgésico, além de outros que são tóxicos, podendo ser usado para dores leves e para matar coisas dentro de você, incluvise bactérias. Então é um bom chá pra tomar se tiver com uma zica qualquer na garganta, ameaçando virar amigdalite ou faringinte. Vai matar as bactérias que estão passeando pela sua boca e assim evitar que elas colonizem as fissurazinhas minúsculas que vão se abrir de tanto você tossir, espirrar e fazer haahahahahammmm.
 

O Mate tem fitoenzimas (proteinases) que agem na digestão de proteínas e por isto é bom tomá-lo em caso de má-digestão, porque vai facilitar pelo menos a digestão das proteínas. Por isto as culturas brasileiras que comem muita carne (gaúchos e matogrossenses) o tomam direto, seja na forma de infusão quente (chimarrão) ou macerado acidificado frio (tereré). As duas formas de extração do alcalóide da Ilex paraguaiensis são eficientes, porque é um alcalóide. Então a falta de calor na maceração, que desaceleraria o processo, é compensado pela acidez da água utilizada, geralmente proveniente de rios. E, como estamos falando do Pantanal, a decomposição de matéria vegetal nestas águas diminui o PH, fazendo dela uma água um pouco ácida.
 

O chá verde seria bom antioxidante, porque teria muitos compostos que se quebram na presença de calor ou acidez (xícara ou estômago) em radicais de carga negativa e positiva, capturando íons carregados na luz intestinal, os impedindo de entrar na corrente sangüínea e assim desacelerando o processo de envelhecimento celular, pois a célula poupará a energia que gastaria resolvendo o problema da descompensação eletroquímica, assim durando mais tempo.
 

Pois é.
Pode ser que tudo isto seja verdade, total ou parcial.
 

Na realidade, se você injetar o composto ativo isolado do Cynbopogum citratus (capim cidreira) em uma rata prenha, ela aborta. Ou seja, a coisa é tóxica mesmo. Não sei se o que provoca o aborto é o citral, o ácido capróico, os terpenos... mas chutaria o citral, que é o que tem poder analgésico e bactericida. É que ele é excretado inteiro pelo rim, o que indica que passeia pelo corpo em forma inalterada, não sintetizada, e por isso provavelmente tóxica.
 

Tóxico é toda forma de energia química que o ambiente/ser vivo não consegue quebrar/digerir, e fica ali sobrando. O ambiente fica então com uma sobra energética, que mais ou menos o impede de aproveitar o espaço onde aquela coisa específica está inserida. Este é o conceito do Odum para poluição, lá do primeiro período de Ciências Biológicas.
 

E, se a gente pensar em uma maneira de eliminar outras fontes de efeito, a gente encontra muita planta que tem sim propriedades. Bater umas folhas novas e uns galhinhos bem finos (ainda macios e verdes) de buguenvilhe no liquidificador com água e jogar esse suco verde na horta espanta os pulgões, mata as formas larvais de insetos metábolos que vivem em leguminosas (besouros principalmente), helmintos parasitas de hortaliças... 
Inclusive, você deve parar de jogar a sua dose de suquinho do bem cinco dias antes de colher no mínimo, ou pode se intoxicar ou matar parte da sua microfauna interna, tendo uma deliciosa caganeira por uns 4 dias.
 

MAS...
Uma coisa que ninguém explorou até hoje a propriedade medicinal é a caneca.
 

Estou aqui chamando de caneca toda e qualquer forma de copo com alça, o que inclui as xícaras, que não passam de canecas mais luxuosas ou com um encaixe para pires. Pires aliás, servem exclusivamente para apoiar xícaras, num casamento interessante. Também podem, quando ficam viúvos, servirem para se dar leite aos gatos. Ou como apoio de vasinhos de violeta. Mas as línguas dos gatos e as bundas dos vasos de violeta não se encaixam nele como a sua amada saudosa e espatifada xícara fazia. Acho que estes pires soltos de suas xícaras são criaturas eternamente saudosas.
 

As canecas, no entanto, é o que interessa aqui.
 

É considerado afronta grava e risco de queimar-se tomar chá em copos. Ou de canudinho. Também não pode.
 

Para que o chá possa ser tomado, é extremamente aconselhável que se usem canecas.
 

Estudos clínicos nunca realizados provaram que o chá tomado em copos não faz o menor efeito, como não faz efeito o xarope tomado sem aquele simpático copinho graduado.
 

Curiosamente, o chá mate também faz efeito, de acordo com o mesmo estudo, quando tomado na cuia, em roda, contando piada e usando a cuia e a bomba. Importante também que a bomba seja de prata ou bambu. As bombas de inox e prártico parecem produzir um efeito danosíssimo aos tomantes, bem como a ausência de conversa.
 

Mas a caneca, se substituta da cuia, oferece vantagens.
 

A caneca é a verdadeira panacéia.
 

Tanto é verdade suas propriedades, que altera o gosto de refrigerantes ou de qualquer suco nela colocados. Torna-os grossos, espessos, estranhamente menos palatáveis.
 

Por isso é que todo chá, tomado devidamente em uma caneca, é levemente amargo, e por sinal não pode ser adoçado, sob pena de perder as suas capacidades curativas. O amargor do chá acarreta na demora para tomá-lo, aos poucos e entre caretas. É perfeitamente possível (e o mais provável, arrisco dizer) que as canecas, quando quentes, tenham dentro de si uma espécie de anti-açúcar capaz de tornar ruins bebidas doces (refrigerantes e sucos por exemplo) e capaz de absorver parte (cerca de 70%) do açúcar depositado em algum eventual chá, tornando-o sempre de difícil apreciação para seres não iniciados na arte do Canequismo.
 

Adicionalmente, aquele estudo clínico também conseguiu demonstrar que café com leite, mesmo que levemente frio pelo fato de o leite ser gelado também produz os mesmos efeitos que um chá de abu, que cura tosse e chulé.
 

Mas o canudinho tem propriedades deletérias, e a sua utilização prejudica qualquer bebida. Refrigerantes gaseificados perdem sua fase líquida e se transformam em mera profusão de bolhas, ao passo que os sucos de fruta não podem ser plenamente apreciados. Quando se bebe com canudinho, sente-se parte do gosto, pois o líquido atinge diretamente ou o céu da boa ou o meio da língua, e é rapidamente engolido.
 

E, no caso do chá de caneca (é bom insistir neste qualificativo essencial para todo chá que se preze), o mesmo instrumento abominável impede o aquecimento dos lábios, a aspiração naríguica dos vapores medicinais, a queima da ponta da língua e o aquecimento secundário das mãos, que é um conhecido efeito colateral dos chás.
 

A única exceção é justamente a bomba de mate pelo fato de ela ser presa como uma palheta de saxofone nos lábios, possibilitando todos os efeitos que o beber do canto da caneca proporciona. O mate, pela força da roda, da cuia e da conversa, canta ao descer pela garganta dos comungantes em suas rodas-culto.
 

E, se o estudante que agora lê este tratado breve sobre as propriedades curativas da caneca decidir-se por passar a tomar qualquer tipo de chá em cuias ou em copos, apenas utilizando a bomba como resolutor de sua heresia, fica o alerta de que segundo ou terceiro Godofredo quarto do Irã, os resultados serão insequapíveis, como os velocípedes orbitando os patinetes e vice-versa. Bomba e cuia é coisa pra mate, e só.
 

O aquecimento da mão ao tomar a xícara parece ter efeitos muito benéficos sobre o sistema nervoso central, tornando-o periférico e substituindo-o por um sistema muito mais calmo. O enfermo, ao tomar sua caneca contendo um dos elixires da vida, lembra-se imediatamente da mão de sua mãe tocando a sua na cama aos 7 meses de idade.
 

Ao mesmo tempo, lembra a cintura da irmã durante um bailado de forrobodó aos 17 anos de idade, quando da formatura do segundo grau. Segundo grau que foi substituído pelo Ensino Médio, tornando os alunos apenas medianamente sabidos.
 

Pode chegar ao absurdo de recordar, imediatamente e de maneira notadamente proibida o rosto da mocinha, acariciado no preâmbulo do beijo.
 

Muitas vezes, quando trazida para junto ao peito dada à fraqueza do convalescente, recorda o abraço que ainda não houve.
 

Ou quando deixada sobre as coxas, a caneca se torna na criancinha sentada ao colo dando risada.
 

A propriedade curativa da caneca é, portanto, essencial e irrevogável para a alma daquele que sofre sozinho a doença, sem saber se sofre a doença ou a solidão.
 

É por isso que eu coleciono canecas. 

Colecionar canecas é multiplicar as possibilidades de cura.

6 comments:

Fabs Lawall said...

Quanta saudade de vc, sr. Wikipédia! Rsrsrs.
Realmente canecas têm efeitos curativos! Em estado de TPM, nada melhor que chorar por nada, tomando um delicioso (mas levemente amargo) chá. O tipo de chá nem importa tanto! Minha canequinha verde sempre me acalma! Hahahaha. Ainda mais sem vc e sem o Rafaelito aqui pra eu descontar meus dramas em estado pré-menstrual. Rsrsrsrs.
Te amo, queridão!
Beijinhos e abracinhos procê!

Fred Simoes said...

Até que enfim vc escreveu alguma coisa que eu entendi. Estou tomando um Lady Grey da Twinnings, sem açúcar, na minha caneca branca, em sua homenagem.

Fred Simoes said...

PS: A caneca ideal tem que ser branca para não adulterar a percepção da cor verdadeira do chá nela depositado e bebericado.

Glorinha said...

Continua o mesmo,ein? Que capacidade de criar teorias malucas! E engraçadas, com borogodó.Me deu até vontade de tomar um chá para relaxar e me curar da ansiedade da chegada do Judac 25 Mais. Tá danado de difícil essa preparação, tantas coisas para se acertarem...!Tantas dificuldades...Ore por nós.Deus vai ter misericórdia e vai realizar uma grande obra, dada as nossas dificuldades em seguir em frente. Beijos!

Glorinha said...

PS: quanto à caneca, vou escolher uma branca, viu, Frederico?

Banana said...

Hhhmmm!!!! Eu tb adoro canecas! Mas eu gosto mesmo é de tomar leite com nescau!