Friday, May 11, 2012


Então!
Hoje comi no RU, curry de peixe! Uma coisa deliciosa. E beterrabas e mamão de sobremesa.
Acho que se eu não tomar cuidado, fico (ou continuo) uma bola. Mas, de qualquer jeito, o que é muito interessante é que não se consegue comer muito, devido à pimentaria doida. Assim, é um regime forçado. Não que seja ruim, mas é que parece que enche mais rápido, sei lá. De qualquer modo, ainda como bem menos que no Brasil devido à quantidade de água que bebo.
Coloquei um mega antivírus no Ananias, que encontrou 48 espalhados pelos meus USB’s diversos e cartões de memória. O antivírus da Microsoft simplesmente não é bom, não o recomendo. Ele encontra os vírus, mas não consegue apagar. Mas aí ao invés de tranquilo, você fica uma pessoa mais ansiosa, porque se antes desconfiava que podia haver vírus, agora tem certeza.
Os insetos continuam batendo nos vidros, me enchendo de dó. Que coisa frustrante deve ser para eles virem todo empolgados, voando e... poft.
Hoje as crianças me perseguiram pelo prédio, até a porta do apartamento. Duas delas entraram, se sentindo em casa. E saíram com a   “coleta” para os outros. A menininha das tranças quis biscoito, porque viu em cima da geladeira. Ela tem um brinco no nariz.
E, pouco depois, quando saí pra pegar água, uma mulher se inclinou dizendo “Namaste, Swami!”. Swami é o título com o qual Roberto de Nobili explicava Jesus pro zoto aqui. É um Mestre, mas um Mestre Santo, uma coisa assim elevadíssima.
Nisto, enquanto divagava sobre a minha repentina promoção a semi-deus, apareceu o Marco, dizendo  “hizo una investigación completa!” A tal investigación completa foi sobre uns access points de internet que vimos aqui, e que funcionam!
Ele ligou todos, seguiu os fios e ficou tentando chutar a senha. Depois, mais tarde, eu perguntei ao Pe Sebastian, que é o administrador do prédio e chefe do Anoop, que agora é supervisor do RU, a senha. E ele me disse que os Access Points não são deles, mas dos antigos moradores, que voltam em Junho. Ou seja, os cucarachos estavam tentando roubar propriedade privada.
O Sebastian se ofereceu para ligar para eles e ver se consegue a senha. Tomara que sim! Ia ser ótimo usar um link de internet rápido aqui. O link da Biblioteca hoje baixou o McAffee (antivírus) em 10 minutos. Sendo que o arquivo tinha 130MB. Muuuito rápido.
Mas... aqui no prédio a internet 3G, que é muito boa, de vez em quando some o sinal. Ela é rápida, bem rápida mesmo, mas quando tá a fim. Melhor seria se a gente ganhasse a senha dos nossos antigos (e futuros) vizinhos! Veremos...
Um etíope chegou aqui hoje, com muita cara de etíope. Um diácono da Igreja Ortodoxa Etíope. Está todo assustado, com cara de cansaço. Me lembra eu mesmo nos meus primeiros dias aqui. Pelo que sustento que vai ser ótimo pra ele experimentar tudo por aqui. Levei ele ao RU, mostrei onde é o apartamento, procurei deixá-lo a vontade. Amanhã, a pedido dele, vou levá-lo ao câmbio e ao Vodafone store, para ele comprar crédito pro celular. Também o apresentei aos outros etíopes, que são três, que moram aqui. A língua que eles falam (etíope? copta? sei lá o nome...) é travada e bonita de se ouvir. À noite, o disse que podíamos ir ao RU, pois está tudo incluído no preço do aluguel. A congregação dos CMI é uma mãe, nesse sentido: facilitam ao máximo a vida de quem precisa morar aqui dentro. Acho que quem paga isso são os prei que estudam na Christ University, no melhor estilo Robin Hood.
Estou adorando o livro do Tagore, coisa linda. E terminei, aleluia, meu artiguinho ridículo. Agora é escrever o book review e depois tirar outras férias pra ler mais.
A diversão aqui é ler. Que televisão o que... pra que? Radio, também tenho, mas não consigo entender nada e as músicas quando são cantadas por mulheres fazem doer o fígado, de tão esganiçado. Eles acham bonito esganiçar-se. Conheço muitas pessoas que fariam um enorme sucesso aqui! Só nasceram no país errado...
Outra coisa que é muito terápica é rezar terço. Seja o ocidental (esse das 50 ave maria) ou o bizantino (de 33 contas, e não aquela fraude do Marcelo Rossi, que de bizantino só tem o nome). Ih, é uma beleza. Você vai naquilo ali e quando percebe, percebeu. Percebeu algo que sempre passou despercebido.
É um exercício constante, este de escutar passos silenciosos. Eles não são passos no silêncio, como a Kelly Patricia tanto gosta. Há os passos silenciosos no meio do barulho, também. Um escorrer de luz vindo do Sol. A voz de um morcego-raposa durante a noite. O bater das asas dos besouros levantando vôo depois de mais uma decepção junto ao vidro.
E a gente vai entendendo. Cada vez que eu vejo o riso de um desses meninos ganhando um bombom ou uma bala ou um sei lá o que, eu entendo o açúcar escondido na cana, e o suco escondido na fruta e as cores da natureza e o cheiro das flores.
O desafio é entregar estes presentinhos do mesmo jeito que os outros nos foram entregues. Como de um amigo para um amigo, mesmo sendo enorme a distância que separa estes amigos.
Namaskará, Swamis.

5 comments:

Glorinha said...

Nossa! Achei estranho essas crianças entrando assim em sua casa.Isso é comum por aí? Que idéia eles estão formando a seu respeito? Um Papai Noel? Um Mensageiro de Deus? E elas não te incomodam? Espero que não!
Achei muito legal você ajudando o etíope(pós graduando de que?).Você sempre foi assim mesmo, solícito e prestativo.Parabéns! Que Deus lhe recompesnse e o proteja sempre! Um abração especial de sua mãe Zé candido.

Glorinha said...

Que legal a sua diversão: aproveite porque aí não tem ninguém te chamando toda hora pra resolver problemas de nada. Aliás, o artiguinho deve ser muito chique, faça-me uma idéia! Depois comente sobre ele, se for possível. Um grande abraço e as bênçãos de Deus!

Banana said...

Que legal! Quem diria que um dia vc teria colegas etíopes? E pensar que quando vc era pequeno as pessoas diziam que " vc veio da Etiópia", lembra? Quem te viu, quem te vê, hein, tigrão?
Hahahaha...
Ixi, Julim, aqui no Fazendinhas quem bate no vidro de vez em quando são passarinhos... Até choro de pena....
Beijokas pra ti!

Bárbara said...

e pensar que aqui na rua da mãe tem no máximos angolnos que na verdade são de guiné-bissau e cabo-verde...deve ser legal com esses etíopes. acho que eles falam italiano lá. ou não?
um beijo e acho sinceramente que vc devia pagar uma pessoa para fazer revisão do su artigo em ingês. quando voltar, pode ser. A dale faz e tenho feito com ela revisão dos meus pontos de concurso e chegado à triste conclusão que meu inglês acadêmico é um lixo.
muito difícil para non-native speakers escrever inglês acadêmico. PRecisa de revisão.
se quiser, quando vc voltar, eu te dou o telefone dela.
beijo

Maria Maria said...

Eles dividem as balas entre todos? Uma coisa que eu achava interessante entre os Maxakali é que tudo que qualquer criança ganhasse, ia correndo distribuir pros outros. Infelizmente, muito diferente do que a gente vê e mesmo ensina, através do exemplo, pras nossas crianças.
beijos! (como pode perceber, fiquei um tempo em ler o blog, pq tava sem tempo mesmo, mas agora tô colocando a leitura em dia)