Wednesday, May 02, 2012

Incrível como a chuva muda tudo.
Ontem choveu aqui, com trovões e etc. Pacote compreto.
Aí o cheiro mudou, mas não é aquele cheiro de terra molhada que dá no Brasil.
Quando saí pra escanear os documentos para mandar pra CAPES, tava com um cheiro assim meio de esterco meio de sei lá o que.
Parece que as árvores de cocô estão carregadinhas, e que os frutos tão amadurecendo.
Na verdade, é porque andam com carro de boi pelo campus, recolhendo la basura en los basureros, com uns bois brancos e de chifres enoooormes. Aí boi não solta fumaça, mas outro tipo de trem, e como tava seco, nada de cheiro.
Mas agora, que o tempo melhorou e choveu pra caramba, os odores se manifestaram. Cheio de fazenda.
Escaneei uns documentos e mandei pra Capes, como já disse. Assim, fechei o meu processo. Fico aqui até quando eu quiser, agora!
Como boa parte do meu medo passou, acho que vou até durar bastante.
Meus medos eram de ficar doente, mas tenho plano de saúde.
E de acabar o dinheiro, mas com isso ja foi liberado dinheiro pa nóis, e chega aqui em 15 dias no máximo. Tirando que com duzentos real no bolso, tirando os aluguel e tudo o mais, vc vive aqui o mes inteiro sem problemas.
Outro medo era o de ter insetos por todo o lado na Índia, porque é a imagem que temos daqui no Brasil. E tem mesmo, mas também tem tela de mosquito pra todo lado, giz anti barata, repelente em pomada com cheiro de rosas (uma delícia!!!), citronela em muitas variações e venenos potentes pra rai.
Ontem, depois do passeio pela fazendinha, de noite, senti um treco na minha nuca. Botei a mão e era uma pulga. No Brasil, tem pulgas e baratas. Mas quando a gente tem uma imaginação muito solta, tipo a minha, as lembraças sobre pulgas que vêm à mente são a de uma mega infestação que deu no quarto dos gatos em mil novecentos e epa, quando os gatos moravam naquele quartinho do JUDAC em sua versão expandida. Lembro que quando a gente punha a mão nas almofadas, as pulgas pulavam no nosso braço. Não lembrei de jeito nenhum da Alopex sem pulgas há anos e nem da Duda com pulgas mas curtindo a vida numa nice. Lembrei foi dessa cena das pulgas pulando no meu braço (convenhamos, algo realmente traumatizante) e de um documentário sobre um casal que foi picado por uma pulga nos EUA e ficou com febre bubônica. Pronto, sestrei a mil, fiquei com peste bubônica e tudo o mais.
Aqui, as baratas são paquidermes gigantescos e as pulgas vampiros da transilvânia. Os pernilongos sào helicópteros de guerra e os cupins são radioativos. Tudo aumenta de tamanho!
Bem, de qualquer maneira, li uns mil sites sobre controle de pulga, muito embora já soubesse o que fazer. E, quando fui dormir, senti todas as pulgas do mundo, muito embora tenha amanhecido sem nenhuma picada. Mas elas estavam lá, até que me controlei e lembrei. Lembrei que foi só dar um banho nos gatos com sabonete rexona e passar um detefon, repetindo depois de 15 dias, e tudo ficou bem. O gato sempre fui eu, então dormi mais tranquilo. Acordei, mandei os documentos pra Capes, fui no Mango Tree com o Marco comer uma coisa com muita pimenta (na opinião do cozinheiro, "half the chilis" e "evry chili in the world" significam extatamente a mesma coisa) mas gostosa pra caramba, Mushroom Masala. E passamos na farmácia pra eu poder controlar minhas neuroses. Comprei antiácido (muito embora não tenha usado nada disso por aqui, nunca houve necessidade) e Novalgin (já ouviram falar?) e o tal repelente pra evitar a malária, que claro que eu pegaria! Comprei uma lata de baygon (hit on, na verdade) e chegando aqui tratei a situação como se houvesse uma invasão da marcianos, lavando todas as roupas e dedetizando a cama. Claaaro, senhores zé candidos, que eu usei uma coisa específica pra isso. Aliás, especificismo é um dos fortes da Índia. Os venenos de barata e cupim matam barata e cupim. As formigas ficam ilesas. Os de matar pernilongo só atingem os pernilongos. E os de pulga só matam pulga.
E aí pus-me a escrever o artigo sobre Ecologia e Teologia. Nossa senhora, que coisa mais difícil é escrever em inglês. Deve  estar tudo errado! Depois vou pegar página por página e tacar no Google Translate pra ver se pelo menos as palavras tão escritas direito. E passar o filtro de correção gramatical do Word, talvez acatando uma ou outra sugestão.
Fui interrompido pelo Marco gritando pela janela. Morar no primeiro andar dá nisso.
Padre Saju é o novo reitor do Dharmaram Vidya Kshetram. Agora fica mais fácil muita coisa, porque ele é nosso amigaço e podemos pedir diretamente a ele as coisas, sem pedir pra ele pedir, igual a gente fazia.
Cozinhei um mundo de risoto de arroz com beterraba e congelei em potinhos, pros dias de preguiça.
E aí fiquei pensando.
A pulga de ontem estava bem menor que a média indiana, devo assumir. Mas fico pensando no dia em que tiver piolhos, muito embora nunca os tenha tido no Brasil.Vou rapar a cabeça se isso acontecer. A parte triste disso é que quando eu enfim estiver beeeem relaxado e acostumado com a realidade de eu sozinho comigo mesmo  vai estar na hora de voltar pra casa. Pelo menos o Neo vai tá quase pronto e aí eu fico cheio das tranquilidade pra enfrentar o exterior (no caso, o Brasil) mais uma vez.
Essas neuroses sao aumentadas pela Índia, mas a causa é o sestro de eu me iludir e pensar que ninguém vai me socorrer e o diabo a quatro. Na verdade, se eu pegar o celular e chamar alguém, claro que virão. Seja o Marco, o Saju, o Stephen, o Inaka, o Fernando (um outro congolês)... homem nenhum é uma ilha, e os indianos são extremamente prestativos...
Mas é legal e bom eu poder perceber o quanto sou neurótico! Gente, era pra eu não ligar porque eu era avacalhado! Dedetizei mil vezes a nossa casa, a da Gisele... Dei banho em todos os cachorros e gatos dessa casa, nunca tive receio das baratas que abundam no quartinho de ferramentas, aliás as peguei e dei pras galinhas ou soltei as galinhas em cima delas.
Os cupins, matei todos em tudo que é móvel infestado que vi pela frente.
Agora, fica sozinho pra tu vê! Os bichos crescem!!!
Talvez quando a gente perde o papel social e simbólico da gente, todas as imagens internas que a gente tem se sintam livres pra passear por todos os lados.
Isso é incrível, mas não é muito consolador ser sobre isso a sua própria cobaia...
Se estou nervoso, cansado, desesperado ou algo assim? Não! To tranquilo, porque percebi isso, que a verdade pessoal é pura mentira... As pulgas, se houvera alguma, morreram. Os piolhos teriam de ser mutantes porque nunca os tive. Nunca mesmo, la em casa todo mundo tinha, passava o pentezinho na minha cabeça e... nada. Será que mudei tanto a ponto de conseguir pegar piolho?
E vou assim curtindo um aroma de fazenda, o levantar de vôos dos cupins (duas vezes no ano, ê provação! Eles devem ter vindo comigo do Brasil), os besouros que batem na janela, os ventiladores ultra potentes, o risoto no freezer, o skype (que seria da humanidade sem ele?), o celulite, o artigo... Já tenho várias distrações e até uma rotina!
Buscando ser perfeito, sempre... por hoje é só!

7 comments:

Teresa said...

Julim, pára de infestar de inseticida por aí... tampa tudo, veda janelas e portas, e cuidado onde pisa na rua. Pelo visto, depois da chuva tudo se espalhou, né? kkkk
E nem pensa em ficar descalço...Ou com aqueles seus chinelos metade sola e metade chão! Ahh! Como esse Projeto Índia tá mudando as pessoas, heim!? kkkkkk sestro puro!!!!!

Fred Simoes said...

Julim, deixa de ser fresco. Só isso.

Fred Simoes said...

Ah, esqueci de falar: hoje tomei a agulhada da febre amarela e dia 9 pedo o passaporte e o certificado da Anvisa. Próximo passo: agendar com o cônsul em Sampa.

Gisele Reis Simões said...

Ih, próximo sestro do Julim: arrumar o quarto pra quando o Fred chegar, hahaha!!!
Mas esse é bacana, tenho certeza que vai ficar tudo lindo pra visita.
Queria ir na mala... mas fico aqui esperando...
Não fica preocupado com os bichos, vc já se precaveu muito bem. Mas, por favor, não raspa a cabeça, tá??? Eu tô achando que não vai ficar muito bom e outra, eu já tô com saudade do meu namorado cabeludo!
Se bem que eu tô com saudade de vc desse jeito que vc é, mutante, mudado, "mudador"...
Um beijo, boa viagem sempre!

Glorinha said...

Ai, Fred, que pena! Doeu a agulhada? Acho que não, afinal, só uma picadinha de formiga. Que bom que você vai poder realizar um sonho: conhecer uma terra tão diferente. Cuidado com os piolhos, ein? E com as pulgas, etc...Viu, Julim, que legal, você e seu irmão Minerino vivendo grandes aventuras? Deus os abençoe!

Bárbara said...

ai, que legal as aventuras dos dois na india. Gente, tô a-mando. mas julinho, se vc pegar o celular e ligar, claro que vai ter gente aí te ajudando (esses caras que já são seus amigaços) e tb é claro que se vc precisar muito a gente vende as calça aqui e viaja pra te socorrer, nem que seja a nado. Então, não precisa ficar preocupado com esses bichinhos (tudo bem que eu morro de medo tb) e lembre-se do marco dormindo com as baratas e da cozinha do judac. E além disso, sobrevivemos anos à casa da vó lilita. bjos.

Banana said...

hahaha, vai ser o máximo essa dupla dinâmica na Índia! Bem que eu queria ir... aproveitem muito!

Julim, sempre que for matar um inseto, mata de uma vez. Nada de torturas. Nunca me esqueço daquele besouro que morreu "murcho e de ladinho" no Fazendinhas... chuif!