Ontem aconteceu uma coisa muito engraçadinha. Eu tava vindo pro apartamento, quando surgiram as crianças. Um monte delas. Vieram, me cercaram, me deram as mãozinhas pra passear. Aí eu vim andando e eles junto. Mas eu não tinha nada pra dar pra elas. Recentemente, se juntou a eles um menino um pouco maior, já com vozinha de dona. Deve ter pelo menos onze anos. Ele fica de intérprete. Aí eu falei com ele que não tinha chocolate nem bala nem nada, e ele falou pra outras crianças menores. Alguns devem ter tres anos, outros quatro. E eles foram embora.
De vez em quando, andam abraçadinhos de "copa da rua" pra baixo e pra cima. O horário deles aparecerem é mais ou menos cinco horas. Antes disso, você não os vê. Devem estar em casa ou sei lá onde. Mas não estão na rua. Ontem tinha dois com uniforme de escola. Vai ver que eles vão a escola e chegam essa hora.
Pode ser que as escolas estejam voltando a aula, pois na Universidade tem cada dia mais gente. Deve ser período de matricula! Engraçadamente, a Universidade aqui é vertical, e não horizontal como a UFJF. São dois prédios de 8 andares e uns quatro de 3 andares. Aí os alunos ficam por ai, perambulando. Por aí na verdade por lá, porque é longezinho daqui.
Lavei as roupa ontem, à mão. Não deu muito certo usar a teoria marcana de lavagem de roupas, que consiste em colocá-las num balde com sabão em pó por um tempo e depois enxaguar. Ficam fedendo a criança suada debaixo do sol, e por isso hoje lavei tudo de novo, esfregando com pressão e tudo o mais. Fico assim tendo a impressão que talvez os brasileiros sejam mais asseados que a média. Se o Marco for uma boa peça de amostragem, poderia ser considerado meio porquim no Brasil. E os indianos então... eca! Sempre com a mão direita com mancha de açafrão do almoço, porque comem sem talheres, e a esquerda com um delicioso aroma de cocô, de usar o baldinho lindo pra lavar a Holanda. Comi sem talheres por dois dias pra ver qual é a do negócio. É normal, sem grandes conseqüências. Mas fica com um amarelo eterno debaixo das unhas... Então hoje mesmo já desisti e voltei a usar colher. Colher mesmo, garfos são raros, e geralmente não usados pra levar comida a boca diretamente, mas pra alguma outra coisa, tipo pegar os pedaços de sei lá o que no pratinho anexo ou na divisão da bandeja (o RU aqui é um bandejão redondo subdividido) pra colocar em cima do arroz. Enfim... diferente. E só se pode usar a mão direita pra comer, que a esquerda é pra outro tipo de serviço!
Hoje o dinheiro da CAPES apareceu na minha conta, então vou pagar o aluguel do negócio aqui, e já planejar viagem pra Chennai, Madurai e Hehiaaheuham&*^&*#, que é uma cidade que eu não sei falar o nome onde fica o arquivo dos Jesuítas da província de Madurai. Em Madurai, já tenho lugar pra ficar, vou ficar em uma pós graduação de lá, que me ofereceram ontem. E em Hehiaaheuham&*^&*# vou ficar num seminário/faculdade/teologato jesuíta. Em Chennai, ainda não sei. Vou tentar ficar no Loyola College, também dos Jesuítas. Vamos ver. Estou tipo fazendo uma excursão da quarta série pro Colégio Anchiete com a tia Soninha, mas numa versão inflacionada.
Além disto tudo, recebi de volta o artigo que mandei pra revista. Ele foi aprovado pra pubicação, mas pediram pra desenvolver um pouco mais alguns temas meio secundários nele, tipo a primeira fase da Teologia da Libertação, porque parece que eles não conhecem isso a fundo, muito embora exista uma versão indiana da TL rodando por aí. Acho que essa versão indiana de TL é uma novidade por aqui, daí o interesse em saber um pouco mais da TL 1.0, aquela da década de 70 na América Latina.
Aqui em Bangalore mora um professor de karate muito famoso, o Shihan Subramanyam, que é o professor do vice campeão mundial de karate. Eu fucei no site dele pra ver onde era, e mandei um email perguntando porque simplesmente nao consegui entender. Quero ir lá ver a academia dele, ver a aula que ele dá, enfim... ver se a gente tá muuuito pra trás no Brasil ou se é só falta de vergonha mesmo. Ele me mandou um email apaixonado me convidando pra participar com ele e com os alunos. Ou seja, to no mato sem cachorro, porque uma interpretação possível do convite dele é ele querer que eu faça uma demonstração de qualquer coisa, tipo "o professor que veio do estrangeiro". Isso seria um problema, então vou dar o golpe e aparecer lá sem kimono dizendo que não sei onde vende por aqui e perguntando se ele tem pra vender, torcendo pra não ter.
O Subramanyam foi aluno do Kanazawa, que foi aluno do Funakoshi, que inventou karate na forma que ele tem hoje em dia. Ja meu caso...fui aluno do Renato que foi aluno do Zé que foi aluno do Serpente (codinome, acredite se quiser, do seu Jorge de Sant'ana - SIM, ele é professor de Karate, ou foi), que foi aluno do Itamar que foi aluno de .... que foi aluno do Funakoshi. Nessa situação, acho que provavelmente devo estar muito pra trás, porque nesse telefone sem fio a mensagem deve ter se alterado. No site dele ele fala maluquices de Qi, de Prana e de sei lá mais o que da energia vital blablabla, que é uma coisa que ninguém no Brasil num tá nem aí. O convite é pra aula de amanhã as 18:30 aqui por perto. Vai ser muito ruim de eu não ir, então vou dar o tal de golpe mermo e ir lá com uma mochilinha nas costas só com a minha faixa pra ver qualé o do negócio. Se for impossível de acompanhar, vou dizer que vou ter de viajar muito e que foi um prazer enorme conhecê-lo.
Bem! Os latinos estão gozando de muita popularidade com o pessoal todo, by the way.É que a gente tem uma tendência nata de se misturar, de enfiar o bedelho. Então a gente passeia pela cozinha, conhece os funcionários da limpeza e ao mesmo tempo entra na capela e explica o missal romano pros indianos malabares e fornece subsídios em latim (nossa raiz) pros etíopes lerem. Não é que a gente saiba de alguma coisa, mas parece que somos cara de pau! As pessoas ficam impressionadíssimas quando falamos, por exemplo, que não fomos jantar porque cozinhamos em casa. "o queeee? voce sabe cozinhar!!!???" Os indianos, que são beeeem machistas, não sabem. E os etíopes também não, porque na Etiópia isso é papel, acredite se puder, das filhas mais jovens. Nenhum adulto cozinha, só os monges e padres e coisas do gênero.
Apareceu anteontem um alácrano gigante atravessando a rua principal aqui do campus. Devia medir uns 20 cm, nunca vi tão enorme. E era vermelho! Um alien!! Mas não o vi, me contaram. E não consegui encontrar nenhum por enquanto. Acho eles tão interessantes, com uma aparência assim exótica, pretos e vermelhos e talzis, mas nada de eles aparecerem pra mim. Talvez quando eu desistir, apareçam numa epifania.
Acho que é isso, que são essas as novidades. Tô assim meio viajando hoje, pensando na morte da bezerra. Vai ver é de tanto lavar roupa. Isso cansa um bocado!
Mas entre uma peça e outra, eu vou cantando. Umas duas vezes a luz apagou comigo com a mão dentro do balde esfregando camisa, e aí eu dano a cantar. Senhoooor, eu sei que Tu me sondááááááásss.... E ainda faço o a-a-a-a-a-a-aaaa , que eu detesto e que o Fred faz só de sacanagem até não ter mais jeito e eu ter que entrar na onda.
E, quando eu entro na onda, quando eu percebo um de nós tá fazendo outra voz, e fica bonito.
Cantar tem dessas coisas. Às vezes só fica bonito quando você se ouve cantando junto com outra pessoa... Cantar lavando roupa no banheiro no escuro é bonito quando eu escuto dentro de mim as vozes brasileiras que do peito não me saem, cantando coisas diferentes das vozes indianas que na mente ainda moram!
Eita, que coisa, hein!
Um beijo pra cada um, e hoje muito especialmente pro Marcello, pra Fabiana, pra Yandra, Rafael, Dona Lourdes, Gisele Linda, Marcio Bonzim, Raul, Kendra, Ricardo, Edilma (esses dois tão meio sumidos...), Dedé, Paôlla. É os pessoal do Grupo de oraçã e acoplados, gente.
Ontem foi dia.
De vez em quando, andam abraçadinhos de "copa da rua" pra baixo e pra cima. O horário deles aparecerem é mais ou menos cinco horas. Antes disso, você não os vê. Devem estar em casa ou sei lá onde. Mas não estão na rua. Ontem tinha dois com uniforme de escola. Vai ver que eles vão a escola e chegam essa hora.
Pode ser que as escolas estejam voltando a aula, pois na Universidade tem cada dia mais gente. Deve ser período de matricula! Engraçadamente, a Universidade aqui é vertical, e não horizontal como a UFJF. São dois prédios de 8 andares e uns quatro de 3 andares. Aí os alunos ficam por ai, perambulando. Por aí na verdade por lá, porque é longezinho daqui.
Lavei as roupa ontem, à mão. Não deu muito certo usar a teoria marcana de lavagem de roupas, que consiste em colocá-las num balde com sabão em pó por um tempo e depois enxaguar. Ficam fedendo a criança suada debaixo do sol, e por isso hoje lavei tudo de novo, esfregando com pressão e tudo o mais. Fico assim tendo a impressão que talvez os brasileiros sejam mais asseados que a média. Se o Marco for uma boa peça de amostragem, poderia ser considerado meio porquim no Brasil. E os indianos então... eca! Sempre com a mão direita com mancha de açafrão do almoço, porque comem sem talheres, e a esquerda com um delicioso aroma de cocô, de usar o baldinho lindo pra lavar a Holanda. Comi sem talheres por dois dias pra ver qual é a do negócio. É normal, sem grandes conseqüências. Mas fica com um amarelo eterno debaixo das unhas... Então hoje mesmo já desisti e voltei a usar colher. Colher mesmo, garfos são raros, e geralmente não usados pra levar comida a boca diretamente, mas pra alguma outra coisa, tipo pegar os pedaços de sei lá o que no pratinho anexo ou na divisão da bandeja (o RU aqui é um bandejão redondo subdividido) pra colocar em cima do arroz. Enfim... diferente. E só se pode usar a mão direita pra comer, que a esquerda é pra outro tipo de serviço!
Hoje o dinheiro da CAPES apareceu na minha conta, então vou pagar o aluguel do negócio aqui, e já planejar viagem pra Chennai, Madurai e Hehiaaheuham&*^&*#, que é uma cidade que eu não sei falar o nome onde fica o arquivo dos Jesuítas da província de Madurai. Em Madurai, já tenho lugar pra ficar, vou ficar em uma pós graduação de lá, que me ofereceram ontem. E em Hehiaaheuham&*^&*# vou ficar num seminário/faculdade/teologato jesuíta. Em Chennai, ainda não sei. Vou tentar ficar no Loyola College, também dos Jesuítas. Vamos ver. Estou tipo fazendo uma excursão da quarta série pro Colégio Anchiete com a tia Soninha, mas numa versão inflacionada.
Além disto tudo, recebi de volta o artigo que mandei pra revista. Ele foi aprovado pra pubicação, mas pediram pra desenvolver um pouco mais alguns temas meio secundários nele, tipo a primeira fase da Teologia da Libertação, porque parece que eles não conhecem isso a fundo, muito embora exista uma versão indiana da TL rodando por aí. Acho que essa versão indiana de TL é uma novidade por aqui, daí o interesse em saber um pouco mais da TL 1.0, aquela da década de 70 na América Latina.
Aqui em Bangalore mora um professor de karate muito famoso, o Shihan Subramanyam, que é o professor do vice campeão mundial de karate. Eu fucei no site dele pra ver onde era, e mandei um email perguntando porque simplesmente nao consegui entender. Quero ir lá ver a academia dele, ver a aula que ele dá, enfim... ver se a gente tá muuuito pra trás no Brasil ou se é só falta de vergonha mesmo. Ele me mandou um email apaixonado me convidando pra participar com ele e com os alunos. Ou seja, to no mato sem cachorro, porque uma interpretação possível do convite dele é ele querer que eu faça uma demonstração de qualquer coisa, tipo "o professor que veio do estrangeiro". Isso seria um problema, então vou dar o golpe e aparecer lá sem kimono dizendo que não sei onde vende por aqui e perguntando se ele tem pra vender, torcendo pra não ter.
O Subramanyam foi aluno do Kanazawa, que foi aluno do Funakoshi, que inventou karate na forma que ele tem hoje em dia. Ja meu caso...fui aluno do Renato que foi aluno do Zé que foi aluno do Serpente (codinome, acredite se quiser, do seu Jorge de Sant'ana - SIM, ele é professor de Karate, ou foi), que foi aluno do Itamar que foi aluno de .... que foi aluno do Funakoshi. Nessa situação, acho que provavelmente devo estar muito pra trás, porque nesse telefone sem fio a mensagem deve ter se alterado. No site dele ele fala maluquices de Qi, de Prana e de sei lá mais o que da energia vital blablabla, que é uma coisa que ninguém no Brasil num tá nem aí. O convite é pra aula de amanhã as 18:30 aqui por perto. Vai ser muito ruim de eu não ir, então vou dar o tal de golpe mermo e ir lá com uma mochilinha nas costas só com a minha faixa pra ver qualé o do negócio. Se for impossível de acompanhar, vou dizer que vou ter de viajar muito e que foi um prazer enorme conhecê-lo.
Bem! Os latinos estão gozando de muita popularidade com o pessoal todo, by the way.É que a gente tem uma tendência nata de se misturar, de enfiar o bedelho. Então a gente passeia pela cozinha, conhece os funcionários da limpeza e ao mesmo tempo entra na capela e explica o missal romano pros indianos malabares e fornece subsídios em latim (nossa raiz) pros etíopes lerem. Não é que a gente saiba de alguma coisa, mas parece que somos cara de pau! As pessoas ficam impressionadíssimas quando falamos, por exemplo, que não fomos jantar porque cozinhamos em casa. "o queeee? voce sabe cozinhar!!!???" Os indianos, que são beeeem machistas, não sabem. E os etíopes também não, porque na Etiópia isso é papel, acredite se puder, das filhas mais jovens. Nenhum adulto cozinha, só os monges e padres e coisas do gênero.
Apareceu anteontem um alácrano gigante atravessando a rua principal aqui do campus. Devia medir uns 20 cm, nunca vi tão enorme. E era vermelho! Um alien!! Mas não o vi, me contaram. E não consegui encontrar nenhum por enquanto. Acho eles tão interessantes, com uma aparência assim exótica, pretos e vermelhos e talzis, mas nada de eles aparecerem pra mim. Talvez quando eu desistir, apareçam numa epifania.
Acho que é isso, que são essas as novidades. Tô assim meio viajando hoje, pensando na morte da bezerra. Vai ver é de tanto lavar roupa. Isso cansa um bocado!
Mas entre uma peça e outra, eu vou cantando. Umas duas vezes a luz apagou comigo com a mão dentro do balde esfregando camisa, e aí eu dano a cantar. Senhoooor, eu sei que Tu me sondááááááásss.... E ainda faço o a-a-a-a-a-a-aaaa , que eu detesto e que o Fred faz só de sacanagem até não ter mais jeito e eu ter que entrar na onda.
E, quando eu entro na onda, quando eu percebo um de nós tá fazendo outra voz, e fica bonito.
Cantar tem dessas coisas. Às vezes só fica bonito quando você se ouve cantando junto com outra pessoa... Cantar lavando roupa no banheiro no escuro é bonito quando eu escuto dentro de mim as vozes brasileiras que do peito não me saem, cantando coisas diferentes das vozes indianas que na mente ainda moram!
Eita, que coisa, hein!
Um beijo pra cada um, e hoje muito especialmente pro Marcello, pra Fabiana, pra Yandra, Rafael, Dona Lourdes, Gisele Linda, Marcio Bonzim, Raul, Kendra, Ricardo, Edilma (esses dois tão meio sumidos...), Dedé, Paôlla. É os pessoal do Grupo de oraçã e acoplados, gente.
Ontem foi dia.
2 comments:
Ai, meu Deus, sinto arrepios só de pensar nesse aliens gigantes andando na maior cara de pau num campus universitário.Não consigo deixar de zecandidar...Esses bichos têm veneno,sô!Julim, tome muito cuidado, vc aí no escuro, fique esperto, esse bicho é perigoso.Mas mudando de assunto, achei o máximo sua narrativa, princialmente descrevendo os latinos aí, estrelando. Agora, comer com a mão, caramba, isso tb já é demais, é preferível um garfo mesmo.Mas cultura é cultura,né?O que mais me emocionou, entretanto, foi a cena da lavação de roupa no escuro num balde desconfortável e a música entoada nesse momento. Deus vai providenciar a vc toda a força interior ara que vc possa sair dessa bem maior do que entrou.Seu crescimento será incrível e impossível de se imaginar.Só mesmo quem viveu coisa parecida poderá saber bem o que é isso.Beijos, te amo!
Ixi, julim! Cuidado pra não apanhar muito no karatê, rsrsrsrsrs...
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