Friday, May 04, 2012

Saí pela rua, fui ao correio. Nem sabia onde era o correio direito, mas fui caçando sem medo de ser feliz. Ainda bem que tinha uma placa na frente.
Placa esclarecedora em frente ao correio. Ufa!

No caminho, uma senhora pedia esmolas. Dei-lhe 10 rupias (uns 30 centavos de real...) e ela acariciou meus pés.
Dentro do correio, tive de preencher uns formulários, e quando os ia entregar me deparei com um cachorro dormindo dentro da agência. Um cachorro preto enorme, estendido no meio do corredor. Aqui, pelo jeito, eles não enxotam os cachorros dos lugares, e aposto que os mesmos devem se sentir muito felizes com isto.
Saí dali, peguei um riquixá porque estava muito calor e fui na loja da Nike trocar minha camisa, porque ficou um pouco excessivamente sexy e demarcando minhas curvas... ou seja, apertada.
É uma camisa de treino oficial da seleção indiana de críquete.
Já que era assim, depois de comer no McDonalds e enfiar numa loja cheia de badulaques e na Apple store só de curiosidade, vim embora e pesquisei na internet sobre o críquete. Realmente, é o bat, mas com onze pessoas.
O campo é redondo, com dois círculos (ou elipses, pode ser os dois) concêntricos (ou co-focais, né?) com um retângulo-corredor no meio. No meio, eles jogam bat, e quando a bola sai daquele corredor, os outros 9 jogadores de cada time (afinal, são 11) tentam pegar a bola e jogar pro meio, para ou derrubar a casinha (que são três pauzinhos fixos no chão segurando uns toquinhos no alto, portanto quando o toquinho cai, a casinha foi derrubada) ou tocar os rebatedores que estiverem correndo. É bat. Fiquei sabendo que a Índia ganhou a copa do mundo de 2011 de críquete e que o Brasil tem uma seleção (deve ser de moleques lá do São Pedro, pois lá sempre se jogou bat) que está em 59º lugar, entre 95 seleções que existem. Nada mal.
Mas estamos na série C do críquete mundial. Precisamos treinar as crianças melhor...
Depois, escrevi mais um tanto do meu artigo e cozinhei, jantei... Quando chega assim o final do dia, e eu penso no que eu fiz ao longo dele, é a hora que dá mais saudade. Essa seria a hora que eu estaria correndo pra alguma atividade, fosse Grupo de Oração, karate, casa de Gisele, sei lá. Mas aí agora é a hora de escrever no Blog, que tá ficando com fama de novela.
Então eu ligo pra casa, falo com a mãe e com mais estiver lá, depois ligo pra Gisele, e aí dá um aliviozinho. Mas claro, não é a mesma coisa que saber que é só pegar o fusca ali fora e dirigir por meia hora no máximo que eu chego em casa ou esperar o 532 no ponto e arriscar encontrar com o Afrânio, que mais ou menos nessa hora sai da gráfica, muito embora geralmente saia mais cedo.
Escrevi ontem no facebook que tinha um bate estaca na rua ontem. Tinha mesmo, até umas duas da manhã. Dormi lá por essa hora... acordei umas 10. E fiquei pensando que muitas vezes dormi e acordei nesses horários em Juiz de Fora. Será que aqui está virando minha casa? Será que aqui é minha casa? Em que porcentagem? Será que vou sentir saudade daqui?
É claro que sim, que sim, que sim... mas a alegria de saber que vou estar voltando pra perto de vocês, penso, seria insuperável... Acho que abafaria todas estas saudades, e o sentimento de perda que provavelmente vou ter em relação a geladeira e 3500 rupias do plano de saúde que nem vou usar. É que ele vale por um ano... Das pessoas daqui também terei saudades, acho. Mas vou convidar elas pra ir ao Brasil. E se voltar aqui algum dia, será como turista. Não quero saber de viver num lugar onde o esporte nacional é bat!
Enche-me de alegria saber que faltam menos de cinco meses pra voltar. Na verdade, 4 meses e 20 dias. É muito pouco.
E, quando penso nisso, tenho vontade de pular e me sinto muito motivado a trabalhar bastante, a escrever, a visitar lugares, a fazer tudo muito ligeiramente, porque vai voar!!! E quanto mais coisa eu fizer, mais rápido voa.
Era dificil fazer mestrado em São Paulo, mas tinha o Cometa e o Util e o Salutaris pra me levar em menos de 10 horas pra Juiz de Fora. Aqui, tem British Airways e a consciência de que eu teria de arrumar uns 10 mil reais pra devolver ao Ministério da Educação. Há impedimentos de ordem prática e econônica... Além de ter de viver pro resto da vida com a pulga atrás da orelha coçando a pergunta "como teria sido? eu devia ter aguentado mais?"
Aí, eu me reforço em mim mesmo a vontade e a força pra ficar. É assim quase todo dia... um desfazer-se para ser refeito por alguma força que não se onde vem e nem se é minha num sentido egoísta e auto-centrado da palavra.
Usei meu repelente indiano de pernilongos hoje. Ele tem cheiro de rosas, é uma pomada e refresca onde você passa, fica geladinho. É gostoso. Passei-o nos braços, porque sai de calças. Só os braços, a cabeça e os pés estavam nus.
Respondendo a pergunta da Bárbara e eventualmente de mais alguma pessoa, sim, falta luz todo dia na cidade toda. Em média, ela volta em 30 minutos, ãs vezes mais... Em dias bons, ela desliga só uma vez. Em cinquenta por cento dos dias, ela apaga e volta umas três ou quatro vezes. Teve dia que eu parei de contar quantas vezes desligava, mas de sete eu tenho certeza. E quanto aos insetos, não é a presença de insetos que assusta o estrangeiro, seja um alemão no Brasil ou um brasileiro na Índia. É que você olha pra eles e não sabe o que eles são. Mesmo a maior parte das coisas muito pequenas é pura estranheza. E a gente nunca se lembra que 99,9% dos pernilongos não estão infectados por nada, mas que 0,1% deles provavelmente tem alguma coisa e que não existe vacina pra malária. E aqueles milhares de outros bichinhos, o que são? Esses besourinhos miúdos transmitem alguma coisa? Eles picam? A picada deles dói? E até você acostumar com o bicho, já matou uns duzentos inutilmente e se estressou totalmente à toa. É isso que eu acho que acontece comigo... e deve acontecer com os alemães e finlandeses no Brasil. Outro dia li num site sobre a Índia (o mikeindia) as desventuras de uma finlandesa porque os filhos dela tinham piolhos. Gente...a Finlândia é frio pra caramba (o pólo Norte, se não me engano, fica lá, muito embora acredite mais na possibilidade de Bluquitas), tem um mês do ano que é noite o tempo todo... Duvido que tenha piolho e barata e tudo o mais como tem nalgum lugar tropical. Imagina o que essa mulher passou!!!? Que susto que ela tomou, senhoras e senhores... E que susto o Jonas, lá do PPCIR, passou quando estudou lá praquelas banda. Não sei se assustam mais várias presenças ou inúmeras ausências...

Eu quis uma caixa bem grande, mas tinha já jogado a da geladeira fora.
Levaria dentro dela latas de baby carrots, sliced green beans, ready masalas, sacos de lixo e papel higiênico, além de 30 garrafas de Bisleri.
Pagaria a postagem e só me abriria quando tocasse o chão que me fez.
Mas não pude.
Andei já longo caminho, os pés abertos na sandália-sacramento, o coração aberto dentro do peito, os braços descansados após sustentarem pesos enormes, num descanso e frescor talvez merecido, mas certamente preparatório para novos esforços.
Perfumava as ruas inconsciente que a unção de rosas que me deste e que me fiz era sinal de um jardim secreto em mim.
Não te reconheci... tive pena de você, julguei-te pobre criatura misturada ao pó da beira do caminho e à miséria típica do descarte.
Dei-te um valor pequeno pra mim, poderia ter dado muito mais.
Mas você acolheu, se alegrou.
Até a mísera esmola que eu, sovina, lhe ofereci, foi-lhe motivo de ventura.
Tocaste-me os pés, e imediatamente vi quem eras. Quis descer ao chào e beijar os teus pés.
Mas a covardia me tomou, me arrastou de volta ao mais fundo e sombrio de mim.
Segui meu caminho.
Eu devia ter lhe beijado os pés.
Devia ter lhe trazido para a minha casa, que nem é minha.
Devia ter lhe convidado pra morar aqui.
Mas segui meu caminho fingindo ou não querendo ou tentando me esquecer qual é o Caminho.
Acho que você entende e perdoao meu espanto e minha covardia, és humano como eu.
De qualquer modo...
Amigo, obrigado porque em meio ao cansaço da caminhada, acariciaste meus passos.

5 comments:

Roiíces de um Minotauro said...

Gente, li uns comentários pra trás que nunca tinha visto.
Adorei dois da Barbara, e quero que ela saiba disso: o da musica da Kelly Patricia e o sobre nossa sobrevivência à casa da Vó Lilita. Este segundo é muito chistoso, mas verdadeiro... tinha pulga pra caramba, uma época!!!
E, todos e especialmente a Cecilia, informo:
Para ligar ou mandar mensagem, escrevam
0021919742970583
ou
+919742970583
PReciso comentar que não consigo mandar mensagens. Elas saem do meu celular (pelo menos ele diz isso) mas não chegam a lugar algum
A Gisele sabe mandar mensagens, talvez seja melhor confirmar com ela as informações aqui contidas.
Eu vos amo, salvai almas.

Banana said...

Julim, sou sua fã número 1!!

Glorinha said...

Nossa, que lindo!
Adorei tudo, a camisa é muito linda.Tô feliz porque estou esperando o presentinho que vc me enviou.Quero lhe desejar força, Julim, o tempo vai passar depressa, você vai dar conta de tudo.Com Jesus e Maria.Bjos.

Gisele Reis Simões said...

Eu fico aqui lendo seus textos e pensando em como todos nós estamos crescendo...
Que bom que no meio do seu caminho tem Alguém...
Bjo!
Te amo!

Bárbara said...

ou, que bom que vc leu meus comentários e gostou. todo dia eu acordo cedinho pra estudar, aí a primeira coisa que eu faço é ler seu brogui e eu capricho no meu post a comment, viu?
julinho, realmente qdo vc volta sente saudade e tal, mas tenta não pensar, pega uns livros e lê muito e estuda muitíssimo porque depois nunca mais c tem tempo de estudar na vida...olha, 4 meses é um suspirp diante da eternidade, que pena, não vai dar pra vc fazer muita coisa aí não. então nunca pense nisso, pense nos pudins de leite condensado que agora eles tão ótimos de verdade. olha, eu li há tempos que o Diante do trono tem um trabalho parece que em Faulkner, uma rua de prostituição aí acho que em Nova Dehli, um horror, cheia de prostitutas mirins, não estou ccerta agora se é em nova Nehli, mas o fato é que eles tem uma casa e e acolhem crianças de rua, eu era doida pra visitar. uma hora c dá uma pesquisada na internet.
ok, mudemos de momento.
gente, que pena daquela senhora, cruz-credo, c devia ter colocado ela na caixa da geladeira e agora q c sabe onde é o correio, é só postar ela pra gente. olha, to até vendo ela na capelinha e ficando amigaça da dona diná.
e deve ter uma criança por aí que eles não ligam de vc trazer pra cá, então traz que os juizes do brasil tem muita preguiça de trabalhar e estão esperando as crianças dos orfanatos aqui completarem 18 anos pra decidir se a gente pode adotar ou não.
beijo então julinho
coma pudins de leite condensado por mim.
lembre-se de mim quando estiver no paraíso.