Tem dias que a gente só quer ficar quieto em casa, né?
E quando a gente não pode ir pra casa nesses dias, faz o que?
Acorda, toma banho, vai à missa bem perto afinal de contas você vai pra Goa.
Então vai na sua paróquia de São Tomé.
Que coisa linda que foi essa missa hoje. Toda cantada, muito embora o sotaque do padre fosse enorme.
E arranjaram um pianista pra igreja. Ele é bom. Ele se senta ao teclado, mas o toque dele é claramente de pianista.
"Ah, e o que você entende de piano pra poder avaliar?"
Eu não entendo nada. Mas eu ouço e percebo, uai. Muita coisa nessa vida a gente não precisa entender pra saber. Quando uma pessoa pega um instrumento (piano, lápis, kimono, o próprio corpo, a voz, um violão, arroz... qualquer um) e é possuída pelo instrumento de forma que o que soa do instrumento é a própria pessoa e vice-versa, você sabe.
E o rapazim toca teclado igual eu escuto na rádio de piano ao menos uma vez por semana. Lindamente. Eu queria saber piano.
Mas eu não sei não. O piano não me escolheu... e é assim. O instrumento escolhe e possui quem ele quer. Parece que foram feitos um pro outro.
Enfim, foi uma coisa linda. A minha posição na lista de espera ontem passou de 25 a 6, então vim naquela coisa de ir logo pra estação. Mas logo que o trem foi organizado/mapeado (charted), fiquei em 4! Mas que azar!!! Me disse o moço do hotel em Goa, quando liguei para cancelar, que isso é raro, e que posso ter coragem e tranquilidade pra agendar outra passagem pra semana que vem, que ele acha que vai dar tudo certo dessa vez. Vamos ver!
O dinheiro já foi devolvido, apareceu na minha conta.
Aí fiquei aqui. E foi bom...
É que ontem de noite comecei a ter medo do ar condicionado. Ele seca o ambiente, sabem, né? Então talvez eu ficasse com a garganta e o nariz muito secos. Além disto, existe uma versão da primeira classe sem ar condicionado. Talvez eu devesse trocar.
Mas o que eu queria mesmo fazer ontem de noite, quando cheguei aqui, era encontrar o sentido da vida. O sentido da viagem toda.
Ir a Goa, de repente, me pareceu sem propósito. Tão sem propósito quando a pizza de anteontem, o cinema de ontem, a pepsi e a pipoca... Fiquei pensando que nao posso deixar que o conforto me anestesie e me transforme em alguém insensível e desmedido. O menino prodígio (aquele do Lucas 15) foi criticado porque viveu "dissolutamente", quer dizer, se dissolveu no mundo. Não posso deixar que o mundo me dissolva. Foi assim um clic teológico que me deu ontem. E aí eu fiquei pensando. Talvez fosse melhor ir contra a corrente indiana e assumir meu 25% alemão, e organizar muito bem uma viagem muito proveitosa, com um programa fechado e tudo.
E me preocupei, porque o que eu iria fazer? A passagem tava comprada! Oh vida futura, nós a criaremos!!!
Nessas indas e vindas mentais, recebi a confirmação de que era o quarto excedente. Como deve ser triste pro estudante ser o excedente no Vestibular. Ser o excedente no trem foi horrível, e eu nem estudei por 2 anos pra comprar a passagem.
Fiquei aqui. Lavei minha toalha com muita diligência, quase machucando o nó dos dedos, e também esfregando com uma escova que comprei pra lavar roupas. Deixei até ela um pouco no desinfetante. Sestro puro: pra matar as bactérias. Coitadas das bactérias.
E depois viajei. Mas muito mesmo... Fiz meu almoço com comida indiana, comi. Assisti Cosmos. Li um pouco do meu livro novo divertidíssimo, "Math Book".
E, quando veio a tentação de editar o meu artigo eterno, cortando 1400 palavras a pedido do editor chefe até amanhã de noite, pensei: "ih, tem tempo... até amanhã meia noite é segunda..."
Fui ao banco tirar um extrato no caixa eletrônico. Por sinal, finalmente aprendi como é que se faz. É o segredo mais bem guardado da Índia até agora. Pior que o Itaú!
Dei uma ajeitada no filme que baixei por Dinesh, vendo se as legendas tão legais (e não estavam mesmo, foram traduzidas por alguém que fala inglês muito mal).
E aí olhei meu mapa de instituições em Goa e nos arredores, respirei fundo... E dentro de pouco tempo vou entrar em contato com esse povo todo.
Vou a Pune, Mumbai e Goa duma vezada só, se conseguir confirmar tudo. Fico uns tres dias em Mumbai, dois em Pune, e dez em Goa (aproveitando pra passear lá, pq é lindo! É tipo Paraty.)
Antes disso, durante esta semana, vou ajeitar o meu celular (tascando nele 5 mil rupias de crédito, o que dá até setembro provavelmente, mas nunca se sabe. Ligar para o BRasil, por exemplo, sai por 10 rupias o minuto. Muito barato...) e o meu modem, que finalmente descobri o numero futricando descaradamente. Vou recarregar e ele vai funcionar (rege a lenda) em Goa, Mumbai, Pune, Austrália, Inglaterra... Se eu quiser ir nesses lugares, o que não é o caso. E, se não funcionar, posso pegar os créditos de voz do celular, mandar uns SMS malucos e eles se tornam em dados, que eu posso usar no outro modem. Acho que por isso que tenho dois. Não sei.
Mas o que eu queria mesmo, mesmo mesmo mesmo, desde ontem, era colocar uma touca na cabeça, uma meia na mão e sair correndo atrás do Francisco, do Henrique e da Isabela pelo corredor. Zé Cândido é paia. Zé Bunda sim, é uma coisa bacana.
Mas vai chegar esse dia, eu sei! E nesse dia, ou pouco depois dele, vou ter uma saudade enorme da minha primeira viagem de trem. Porque Cabangú não conta, né, gente!!
E quando a gente não pode ir pra casa nesses dias, faz o que?
Acorda, toma banho, vai à missa bem perto afinal de contas você vai pra Goa.
Então vai na sua paróquia de São Tomé.
Que coisa linda que foi essa missa hoje. Toda cantada, muito embora o sotaque do padre fosse enorme.
E arranjaram um pianista pra igreja. Ele é bom. Ele se senta ao teclado, mas o toque dele é claramente de pianista.
"Ah, e o que você entende de piano pra poder avaliar?"
Eu não entendo nada. Mas eu ouço e percebo, uai. Muita coisa nessa vida a gente não precisa entender pra saber. Quando uma pessoa pega um instrumento (piano, lápis, kimono, o próprio corpo, a voz, um violão, arroz... qualquer um) e é possuída pelo instrumento de forma que o que soa do instrumento é a própria pessoa e vice-versa, você sabe.
E o rapazim toca teclado igual eu escuto na rádio de piano ao menos uma vez por semana. Lindamente. Eu queria saber piano.
Mas eu não sei não. O piano não me escolheu... e é assim. O instrumento escolhe e possui quem ele quer. Parece que foram feitos um pro outro.
Enfim, foi uma coisa linda. A minha posição na lista de espera ontem passou de 25 a 6, então vim naquela coisa de ir logo pra estação. Mas logo que o trem foi organizado/mapeado (charted), fiquei em 4! Mas que azar!!! Me disse o moço do hotel em Goa, quando liguei para cancelar, que isso é raro, e que posso ter coragem e tranquilidade pra agendar outra passagem pra semana que vem, que ele acha que vai dar tudo certo dessa vez. Vamos ver!
O dinheiro já foi devolvido, apareceu na minha conta.
Aí fiquei aqui. E foi bom...
É que ontem de noite comecei a ter medo do ar condicionado. Ele seca o ambiente, sabem, né? Então talvez eu ficasse com a garganta e o nariz muito secos. Além disto, existe uma versão da primeira classe sem ar condicionado. Talvez eu devesse trocar.
Mas o que eu queria mesmo fazer ontem de noite, quando cheguei aqui, era encontrar o sentido da vida. O sentido da viagem toda.
Ir a Goa, de repente, me pareceu sem propósito. Tão sem propósito quando a pizza de anteontem, o cinema de ontem, a pepsi e a pipoca... Fiquei pensando que nao posso deixar que o conforto me anestesie e me transforme em alguém insensível e desmedido. O menino prodígio (aquele do Lucas 15) foi criticado porque viveu "dissolutamente", quer dizer, se dissolveu no mundo. Não posso deixar que o mundo me dissolva. Foi assim um clic teológico que me deu ontem. E aí eu fiquei pensando. Talvez fosse melhor ir contra a corrente indiana e assumir meu 25% alemão, e organizar muito bem uma viagem muito proveitosa, com um programa fechado e tudo.
E me preocupei, porque o que eu iria fazer? A passagem tava comprada! Oh vida futura, nós a criaremos!!!
Nessas indas e vindas mentais, recebi a confirmação de que era o quarto excedente. Como deve ser triste pro estudante ser o excedente no Vestibular. Ser o excedente no trem foi horrível, e eu nem estudei por 2 anos pra comprar a passagem.
Fiquei aqui. Lavei minha toalha com muita diligência, quase machucando o nó dos dedos, e também esfregando com uma escova que comprei pra lavar roupas. Deixei até ela um pouco no desinfetante. Sestro puro: pra matar as bactérias. Coitadas das bactérias.
E depois viajei. Mas muito mesmo... Fiz meu almoço com comida indiana, comi. Assisti Cosmos. Li um pouco do meu livro novo divertidíssimo, "Math Book".
E, quando veio a tentação de editar o meu artigo eterno, cortando 1400 palavras a pedido do editor chefe até amanhã de noite, pensei: "ih, tem tempo... até amanhã meia noite é segunda..."
Fui ao banco tirar um extrato no caixa eletrônico. Por sinal, finalmente aprendi como é que se faz. É o segredo mais bem guardado da Índia até agora. Pior que o Itaú!
Dei uma ajeitada no filme que baixei por Dinesh, vendo se as legendas tão legais (e não estavam mesmo, foram traduzidas por alguém que fala inglês muito mal).
E aí olhei meu mapa de instituições em Goa e nos arredores, respirei fundo... E dentro de pouco tempo vou entrar em contato com esse povo todo.
Vou a Pune, Mumbai e Goa duma vezada só, se conseguir confirmar tudo. Fico uns tres dias em Mumbai, dois em Pune, e dez em Goa (aproveitando pra passear lá, pq é lindo! É tipo Paraty.)
Antes disso, durante esta semana, vou ajeitar o meu celular (tascando nele 5 mil rupias de crédito, o que dá até setembro provavelmente, mas nunca se sabe. Ligar para o BRasil, por exemplo, sai por 10 rupias o minuto. Muito barato...) e o meu modem, que finalmente descobri o numero futricando descaradamente. Vou recarregar e ele vai funcionar (rege a lenda) em Goa, Mumbai, Pune, Austrália, Inglaterra... Se eu quiser ir nesses lugares, o que não é o caso. E, se não funcionar, posso pegar os créditos de voz do celular, mandar uns SMS malucos e eles se tornam em dados, que eu posso usar no outro modem. Acho que por isso que tenho dois. Não sei.
Mas o que eu queria mesmo, mesmo mesmo mesmo, desde ontem, era colocar uma touca na cabeça, uma meia na mão e sair correndo atrás do Francisco, do Henrique e da Isabela pelo corredor. Zé Cândido é paia. Zé Bunda sim, é uma coisa bacana.
Mas vai chegar esse dia, eu sei! E nesse dia, ou pouco depois dele, vou ter uma saudade enorme da minha primeira viagem de trem. Porque Cabangú não conta, né, gente!!
3 comments:
Ai, q saudade do Zé Bunda!
Ô Julim, vc não andou de maria-fumaça na excursão do colégio, não?
Ah, julim, que penal! mas, olha só,nada acontece atoa, Deus toma conta de tudo. Se vc nã conseguiu ir hoje,sabe-se lá porque? Os Zés são realmente o máximo: nem sei qual é o mais interessante...mas as crianças estão aguardando a volta do Z. B. : já perguntaram.Mas tudo na vida é assim mesmo, a gente tem que se adaptar às coisas inesperadas. Tô cum pena docê, aì, tao longe, querendo brincar. te adoro, tá?
Oi, Julim... continuas o mesmo...rsrs, seja aqui ou em Goa, Bangalore, e por aí vai.
Que Jesus seja o teu universo, que Ele encha todo o seu pensamento, que Ele seja dono do seu tempo e dos seus planos!
Te amo...você me faz muiiiiitaa falta! Beijo no coração!
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