Saturday, July 28, 2012

Oi. Esta postagem é um salto para a humanidade, já que atualiza muita coisa.
Agra, a cidade do Taj Mahal, é um lugar agourento e que traz má sorte.
Isto porque o hotel em que ficamos, sem ar condicionado, trazia embutida na janela uma opção difícil, de duas possibilidades: pernilongos e calor, com mais ventilação ou menos ventilação com menos pernilongos. Havia uma fresta de cerca de 10cm dos lados do water air cooler; uma espécie de ar condicionado que usa como refrigerante a água, que fica ali circulando.
A água de Agra, que sai nas torneiras, é extremamente salgada. Está entre a lágrima e a água do mar.
Mas o Taj Mahal... o Taj Mahal... é seguramente uma das edificações mais lindas do mundo. É lindo. Lindo demais. Enorme. Mas enorme mesmo. E projetado com detalhes incríveis. A caligrafia que está nele, por exemplo (trechos do Alcorão) muda de tamanho, aumentando à medida que o prédio é mais alto, para que a pessoa que o olha veja tudo do mesmo tamanho. Os quatro obeliscos nos quatro cantos são inclinados em 1,6 graus para fora, pois assim em caso de terremoto eles caem nos jardins e não danificam o prédio. Os incrustados em pedra são absolutamente fantásticos, nivelados com perfeição. Enfim, detalhado e maravilhoso. E um monumento à corrupção e à depressão. O rei que o construiu foi deposto assim que anunciou que iria fazer, do lado oposto do rio em cuja margem o Taj Mahal está o seu próprio mausoléu, desta vez preto. E ele ia ao túmulo todos os dias, enquanto livre.
Assim que deposto, foi preso, mas pediu uma cela de onde pudesse olhar todos os dias para o Taj. E morreu ali, sonhando com a mulher que ele amou e que ali enterrou. Acabou sendo enterrado dentro do Taj Mahal mesmo, ao lado da dita cuja. História bonita...
Bem, a Índia é contraste. Assim sendo, muito embora a maravilha que o Taj Mahal e só ele consegue ser, Agra é extremamente quente e úmida, e tem cheiro de esgoto pra todo lado. E muito malandro na rua, cobrando preços absurdos por coisas absolutamente falsas... Os artefatos que são reproduções das coisas do Taj mesmo são feitos pelos restauradores do edifício, e patrocinados e reconhecidos pelo governo. E são caros, mas não absurdos. Para fazer uma parede vazada de mármore do Rajastão (do que o Taj é feito), leva-se 7 meses de trabalho manual. Fazer um porta jóia de tampa vazada com pedras (madrepérola, lápis-lazuli, coral etc) engastada leva muito tempo, também. Mas fazer uma coisa de pedra sabão branco é fácil. Pedra sabão é barata, macia e abundante. E o material preferido para falsificações...
Bom, em Agra todo mundo parece estar ansioso pra levar unzinho a mais, e por conta da confusão toda que isso acaba gerando, acabamos decidindo cancelar o trem e ir de táxi para Delhi, que é a 240 km de distância.
No caminho para Delhi, o motorista ameaçou cochilar, mas foi desperto com os xingamentos do censurado. Fiquei até com pena, mas é melhor que morrer. E em Delhi, ele não achava por nada o hotel. Depois de umas duas horas rodando a cidade, acabamos chegando lá. Um hotel da rede Ginger. Confortabilíssimo, grazadeus.
Mas os cortes de energia em Delhi são frequentes. Muito frequentes. Uma vez por hora, pelo menos. Para que tudo ficasse lindo, machuquei meu pé, até liguei pra Aninha pra pedir uma idéia. Pois, por mais que o ideal seja deixar a ferida aberta para cicatrizar, na Índia isso significa estar com o machucado dentro da onipresente sujeira. Um machucado pequeno, gente. Bem pequeno. Mas o medo mesmo era infeccionar.
Em Delhi, fomos ao Museu Nacional, com exposições detalhadas sobre a cultura indiana, desde os Harappan, do vale do Indos, até os principados da colonização do século XX. Muito bom, aquele museu.
Depois, fomos ao túmulo de Humayun, que inspirou o Taj Mahal. Assim, só inspirou, pelo jeito. O Taj dá de 400 a zero no negócio. Quando você vier aqui, veja-o primeiro, ou terá um enorme efeito 27.
Por falar em 27, como o calor de Delhi era de uns 70 graus na sombra (aliás, em Agra e Delhi bati meu recorde e tomei 4 litros de água em um dia...), fomos pro hotel descansar um pouco no ar condicionado, que de hora em hora dá uma pausa pelo corte de energia, mas é o que tem.
Claro, o motorista do táxi se perdeu. E, de novo, não falava uma vírgula de inglês. Mas tudo bem, é o que tem.
Acordamos às 3:30 da manhã, tomamos um táxi pro aeroporto, pegamos um avião para Ladakh, na Caxemirra.
Que mudança!!!
Ladakh, província no trans-Himalaia em cuja capital ficamos (cidade de Leh) é absolutamente maravilhoso.
3500 metros de altitude, os morrinhos em volta deviam ter uns 3900, 4000 (estimativa, ok?). Claro que subimos os morros. De cima deles, uma vista fantástica. A cordilheira com as suas geleiras, o vale de Leh, o Indos passando lá longe... E um monte de exército pra todo lado, afinal a Caxemirra tem sido disputada por Índia, Paquistão e China há tempos... no caso, desde 1948.
Mas absolutamente seguro e tranquilo.
No primeiro dia, visitamos os mosteiros no alto das montanhas. Depois de uma noite relaxante, no segundo dia o plano era visitar o mosteiro de Alchi.
Mas o Dalai Lama foi em Leh. É isso mesmo. O Dalai Lama foi lá, enquanto estávamos lá.
A 14a. encarnação dos Lamas do Tibet. O Buda. Vote: você acha que a segurança foi reforçada na cidade? Ô se foi! O Tibet também é área de disputa e conflito, não de esqueça. Os chineses gostariam muito que o Dalai Lama morresse em uma explosão acidental. Ou tiro, ou de qualquer outra coisa. Ele é o "rei" deposto do Tibet, em cujo lugar foi colocado um fantoche do partido comunista chinês...
Por isto, a cidade ficou intrasitável. Resolvemos nem arriscar sair de lá. Ficamos no hotel. Com vista, da janela, dos picos nevados do Himalaia. Tomando chá das quatro. Comendo coisas deliciosas. O Dalai Lama falou em Ladakh, então não fomos ver. Não entende-se nada daquela língua, que soa como francês, às vezes, curiosamente.
O hotel é cheio de franceses, e por isto mesmo aquelas frescuras de etiqueta francesa são seguidas. Três colheres diferentes, dois garfos, copo disso, copo daquilo, cuia de não sei o que, prato para colocar o seu guardanapo... E à medida que voce vai comendo e colocando os talheres na posição de "acabei de comer isso aqui" (faca com o corte para dentro ao lado do garfo voltado para cima, dentro do prato e com o garfo na porção superior do prato), mudam o que você estava comendo. Enfim. Hotel Le Grand Beaudeausitè de le trans-himalaiê. Ipanaiê.
Decidimos nem ir mais a Aurangabad, onde está chovendo sem parar. Trocamos a reserva da passagem e voltamos pra Bangalore.
E aqui estamos... Felizes. Contentes. Realizados. Processando (ao menos no meu caso, o tempo todo) o que isso tudo que eu vi queria dizer. E tentando contar, pra que todo mundo possa participar.
Bem, como dizem em Ladakh... Jullay!! (até mais ver)
(aprovado pela censura)

4 comments:

MCarmen said...

Aí, já estava aqui me perguntando como estariam as coisa aí! Quanto aos contrastes, São Pedro, (nosso querido bairro) é mais pura expres são deles, não?Penso que é fantás tico estar frente a frente com o Taj Mahal!!! Para mim, meus queri dos,só aí, JÁ VALEU!!!
Muito bem,Sr. Mister sei lá o que, vá dizendo ao "censor"(que tem lá seus motivos) por aqui, a gente vai curtindo o que vocês vão informando daí! Aproveitem garotos!!!!Viver é uma coisa rápida!!!!!!!!!!!!!!!

Teresa said...

Nâo dá pra explicar o que é "sentir" daqui essa aventura aí! E tbém não dá pra imaginar o que vcs sentiram aí, no ao vivo e a cores de tudo isso!!!! Deve ter sido inexplicavelmente maravilhoso! Enfim, vcs merecem essa experiência!
Semana passada estive em Poços de Caldas e em Muzambinho! Também adorei... vamo combíná... sonhar eu posso, né??? kkkkkk Beijos

Glorinha said...

Até que endim, chegaram as informações preciosíssimas dessa aventura incrível.
Chego a ver com detalhes voces dois, vivenciando tudo isso. O que posso eu dizer diante de tanta graça? Voces nem imaginam o tamanho da minha alegria de poder participar dessa viagem com vocês através desses relatos magnificamente descritivos.
Jamais pensei que chegariam tão perto do carinha, que é a décima quarta encarnação de Buda.Caramba!
Adorei poder ler seu blogue hoje, obrigada.Abraços nos dois.

Banana said...

Maneiro, véi!