Saturday, April 28, 2012

Primeiro, uma coisa que eu escrevi e queria poder escrever de novo.
Aquele que a amava apavorou-se.
Seria mesmo verdade o que afirmavam os homens que ali permaneceram?
Sempre soubera que sua amada realmente despertava atenção dos transeuntes e até mesmo dos ali estabelecidos, mas... uma prostituta?
Ele duvidou, não quis acreditar, decidiu reescrever a história dos dois.
A verdade é que ela havia esperado por demais, em sua (dela) opinião. Não suportando mais a demora, muito embora convidasse de volta todos os dias em pensamento e orações e expectativas, cedeu. Ele não podia crer, no entanto. Continuou a escrever no chão de ambos, a que agora retornava, a história de um amor mais profundo e verdadeiro.
Mas os homens, transeuntes e moradores daquele lugar chamado "todos os lugares" decidiram e acharam por bem travestirem-se de amantes, mas minúsculos. O Amante, aquele que a amava, permanecia numa longa viagem por sabe-se lá onde.
Ela cedeu, ela cedeu. Deixou que dela fizessem posse, passou a receber para se dar. Deu-se toda, gastou-se toda, acabou-se toda e por inteiro. Eram já sete os amantes/maridos que tivera até aquela data, onde o Amante, o Maiúsculo, retornara. Ele chorou.
Sentiu enorme dor por saber que culpa nela não havia.Não podia culpá-la. Propôs-se a beber do mesmo copo que ela, enquanto tentava, entre lágrimas, suor e sangue, reescrever, recomeçar a história dos dois.
Mas os homens dali, aqueles que dela haviam se apossado e dela feito mercadoria, a culpavam de tudo. Como a possuíssem, sentiam-se totalmente autorizados a dizer e fazer e tratar dela como lhes conviesse, como se ela se tivesse assim feito. O triste de toda aquela situação é que ela não se havia feito prostituta. Ela nunca pagara nada a si mesma. Nunca havia pago ninguém. Era passiva, saudosa e fraca. Simplesmente, em sua saudade, fraqueza e falta tornara-se sem querer objeto, execrado objeto dos corações emperdenidos que ali havia. À noite, entre um e outro dos sete, que eram todos, chorava e lembrava e orava e pedia de volta o seu Grande Amado. Ele retornou, então, e nessa situação se encontravam. Ele de novo queria beber da água dela.
Mas ela julgava seu copo sujo, e não sabia se assim deveria proceder. Dar-se de volta, sem ao menos ser perdoada em algum ritual? Sem ao menos um sofrimento, uma auto-flagelação, uma confissão pública que fosse?
Tranquilizou-a.
Disse que sabia que os outros todos não eram seus maridos, mas que sabia quem o era. Eu sou, lhe disse. Me dou a você. Se não queres me dar da tua água, toma da minha.
E escreveu no chão, reescrevendo a história. Deu-lhe o frescor do Recomeço.
Os todos, os sete, os transeuntes, os estabelecidos, os confortáveis, os mentirosos, todos. Os quatrocentos e noventa. Todos. se revoltaram. Disseram-lhe: És um bobo! Não percebes o que ela lhe causou? Não enxergas quem ela é? Não sabes o que ela testemunha, ou contra-testemunha, diante, acima, do lado, abaixo e em todas as posições conosco?
Ele então levantou-se. Olhou-os nos olhos. Se espantaram, não podiam crer em tanta dignidade. Era o jardineiro fiel, era o-que-se-levanta. Tudo se condensava naquele momento.
"Vós todos - disse-lhes- deitastes com ela. Com minha amada. Com minha esposa. Com meu motivo, minha promessa, meu porquê. Culpa nela não há, posto que vosso é o objeto. A culpa é vossa. Vede a história que escrevo nesta terra vossa. Transformo o vosso chão, porque sou a nova História. Palavras que vos escrevo não serão jamais apagadas. Nunca mais objeto, nunca mais passividade, nunca mais usufruto, nunca mais pagamento, nunca mais. Perdôo-vos todos, se vos perdoarem. E, para que vos perdoem a si mesmos, assumi o que fizestes, e não mais a acuseis."
Tremeram, olhos no chão. Estava ali escrito, com sangue, a História.
Levantou-a.
"Vede, minha amada, eu nada tenho contra ti. Vá em paz."
Ela foi e contou aos sete e a todos que o Rei havia voltado. E voltou-se para Ele.
(sobre Madalenas, Samaritanas e Prostitutas, Cruz e Jardineiro)

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 Se você quiser, pode parar por aqui... Shifting Subject.


 Agora, os causo do dia!
Aí eu liguei pro Bharath e perguntei:
Aqui, como é que vocês fazem com as geladeiras?
E ele respondeu: elas são feitas com mais isolamento, e têm um estabilizador interno.
Tava no mercado, desfilando com o meu pão integral debaixo do braço e me perguntando como que eles podiam vender geladeiras, já que elas iriam parar.
Uma geladeira indiana modelo "pau pra toda obra" segura as coisas dentro dela congeladas por até... 8 horas. Isso mesmo.
Se for uma geladeira com freezer, passadas 5 horas você abre o freezer e lá dentro tem um controle que faz o ar beeeem frio descer. Assim, se faltar luz por mais de 5 horas, você redistribui manualmente o frio, fazendo com que as coisas no freezes fiquem a uns -4 graus (normalmente é -12 a -16) e a geladeira embaixo fique um tico mais fria, pero no mucho. Em torno de 10 graus.
Maneiro, esse povo. Pensam em tudo pra solucionar os problemas da rede. Perguntei ao Anoop porque toda hora a energia acaba, e ele me explicou que é por causa dos gatos e das árvores.
Aí fico assim abismado. Têm geradores em casa e geladeira com no-break, mas não têm rede elétrica direito.
Fui olhar os preços das geladeira. Comprei uma por 230 real, com freezer. Uma barganha... Foi entregue hoje com 4 horas de atraso (as 20 ao invés das 16).
E, para ilustrar bem a coisa toda, na hora em que estava sendo entregue, tava sem luz. Hahueuhauea.
Me entregaram a coisa a luz de velas, dei 50 rupias de gorjeta e eles foram embora, os dois moços.
Aí eu fui tomar banho na casa dos padre. O cano, sabem? Arrebentou de novo. Aí arrumaram, e ele arrebentou lá embaixo na obra. Então vão arrumar amanhã até as 2. Ou seja, 6.
Nisso, o Anoop me arrumou uma chave do quarto de um padre, cujo bloco é o de frente pra esse aqui.
Gente... o voto deles é de miséria. Tem uma cama, uma privada e um chuveiro e só. Não tem armário, porque eles não têm roupas. As roupas são entregues por um deles, indistintamente, hã. Fiquei abismado... E entendi mais e julguei menos.
Tirei umas fotos das casinhas dos sudras que moram aqui dentro do campus, bem como do cemitério e da geladeira.
O cemitério é pequeninho, de dentro estao enterradas 85 pessoas. Provavelmente, restos já muito decompostos ou cinzas. Mas o legal mesmo é que, pelos sobrenomes, dá pra ver que têm todas as castas, juntas. Na morte, aqui também, são todos iguais. E isso já é um ganho enorme pra Soteriologia daqui, vcs nem imaginam. Significa que as diferenças e a necessidade de superaçao acabaram, e todos estão em pé de igualdade diante do senhor do karma. Ou seja, estão salvos.
Nessa terra de contrastes, a congregação que é dona disso aqui é tao rica, mas tão rica, que doou boa parte dos terrenos deles para outras congregações fazerem seus conventos. Todos têm a média de tamanho da casa dos dominicanos, lá no Serro Azul. E a casa (o campus, a universidade, o seminário, a igreja etc) dos CMI (essa congregaçào onde estou) são dois seminários santo antonio. E eles vivem em um quartinho com o chão de cimento alisado, não tem roupas e tem um banheirinho pequeninho. Mas pelo menos lá tem água, só pra contrastar.
Também só pra constrastar, além da geladeira comprei, por 20 reais, o sofá que tá na foto, que é pro Bharath sentar-se amanhã (em teoria ele vem aqui amanhã)
Sufá de prártico

Casinha dos sudras. O legal é que ela chama "Holstein Dharmaram Block" Três línguas numa só placa.

Geladeira, que teve que ficar no quarto do Frederico porque a tomada não chega na parede. Mas depois eu ponho ela na sala.

Da boa, ó.

Com todas as coisas, pra não chamar barata. Amanhã posso comprar outras, já que agora tem onde guardar. Uhul! Vou comer pão com manteiga, depois de três semanas. Uhul!

6 comments:

Tuca said...

Que bom q agora vc tem uma geladeira, numa cor inclusive q nunca tinha visto numa geladeira... super legal... cada dia fico mais encantada c suas postagens, as fotos... nossa, dá vontade d ir ai....

Bárbara said...

que geladeira mais "indiana"...
super legal...vontade imensa de conhecer a india. ai, morro de rir só de pensar no frederico aí com vc...porque ele tá na cara que não é indiano, além de ser do grupo A e a india, ao que tudo parece, é do grupo bezíssimo. tipo eu e vc né julim. então ia ser engraçado demais.bjos e reze por mim sempre que se lembrar.

Glorinha said...

Adorei o texto sobre as madalenas e tal, pelo que entendi você já o tinha escrito. Porque não tinha publicado coisa tão interessante? Ou tinha? Bem, o que importa é que estamos tendo a oportunidade de conhecer tantas coisas que você guardou bem escondidinho. Até setembro muita maravilha chegará até nós, que daqui do Brasil estamos acompanhando suas experiências( externas e internas) incríveis aí, na India.Além disso, as curiosidades que tem nos encantado: a cor da geladeira, a chave da mesma, as casinhas dentro de um campus, o voto de pobreza vivido realmente pelos padres. Ah, esses padres, eles estão sendo para mim testemunho da fé nesse Rei que escreve no solo e reconstroi tudo. Somente um Deus faria isso . Somente um Deus levaria alguém a escolher essa pobreza descrita nesse seu blogue de hoje(ou ontem?)E eu precisava disso.Chorei ao contemplar essas crianças.Você sabe o que uma criança significa para mim. Essas aí, sem palavras.A presença de Jesus é forte demais!Salta aos olhos.
Bem, enquanto setembro não vem, vamos aproveitando tudo o que for possível para a honra e glória do nome do Senhor.Força e coragem para suportar a falta dágua e de energia em alguns momentos. Um grande abraço.

Glau said...

Morri de rir do sufá de prartico.

Gisele Reis Simões said...

Julim, vc TEM que trazer essas geladeiraaaa!!! Ela é linda! HUhauhauhauha!! Vai ficar linda na sua casa!!
Tô amando seu brógui!
Um beijinho, meu lindo!

Banana said...

Hahaha. Adorei a geladeira. Cor indiana purinha. E adorei o texto de antes tb. Muito apaixonante este Jesus!!