Dois domingos.
Hoje eu acordei as 9 horas, porque é domingo. Combinei de ir co’s primo na missa das onze,e assim eu o fiz após tomar meu substanciosíssimo café da manhã. Mas os primo não apareceram na missa. Gozado, porque eles andam com rosários no pescoço e tudo o mais. Deve ter ocorrido algo, né.
Saí da igreja e fui no mercado que fica dentro do shopping, porque aí eu pude aproveitar e almoçar no xópen mesmo. Chama shopping Forum, e tanto ele quanto a igreja são perto da Universidade. Também tem lá por perto o Big Bazaar, uma espécie de Bretas ou Bahamas, e um Star Bazar, que tem 3 andares: o primeiro é mercado (comida, frutas, limpeza etc) o segundo é roupas e o terceiro é tecnologia. Ou seja, um troço gigante, uma espécie de Carrefour melhorado. Mas fui no do xópen, né. Chama More for You, e tem algumas coisinhas. estava atrás de frutas (maçãs e bananas, porque a pêra daqui é horrível, então comprei a “Brazilian Style Gala Apple”, que acho que é style só e não a Gala mesmo. Sei que a Embrapa tem um centro de pesquisa aqui, então devem ter ensinado os indianos a plantar maçã no calor, igual a gente faz aí.
Comi numa coisa que nunca poderia comer no Brasil: KFC, Kentucky Fried Chicken. Um frango frito indecente de gostoso. É o restaurante onde os muçulmanos e cristãos vão no shopping, porque os vaishnava (adoradores de Vishnu como Deus principal ou único, em sua forma eterna (Vishnu) ou em suas encarnações (Krishna, Rama e etc) raramente comem frango, e são na maioria lacto-vegetarianos, como é o caso do pessoal que é dono aqui do hotel; por isso o cardápio daqui é lacto-vegetariano. Algumas seitas comem carne de frango e de leite entre os vaishnava, mas esses aqui não, pelo que a gente poderia remontá-los provavelmente à idade média, por volta do século XIII e na região um pouquinho mais ao Norte e Noroeste. Aqui ocorreram sempre muitas migrações, algumas vezes violência. Em Bangalore mesmo, na década passada, teve um arranca rabo entre as religiões locais. Morreu gente, explodiram bombas... Por isso, hoje todo mundo quando entra em tudo que é lugar é revistado. E a polícia, quando pára turistas, pede o passaporte e é sempre muito amável, para tranquilizar o estrangeiro de que está tudo bem por aqui. A mim nunca pararam, como não parariam a Marciléia, mas outros me contaram disso. Hoje, por sinal, chegou um russo aqui. Me perguntou onde ficam os templos de Krishna e Shiva. E eu tive de explicar pra ele que essa zona da cidade é muçulmana, na maioria. Tem uns templinhos aqui e ali... Mas os hindus compõem 25% da populaçào da cidade, enquanto os cristãos (latinos e siríacos) compõem20%, os muçulmanos 50%, os sikhs 3% e outros (budistas, ateístas, agnósticos etc) 2%. Ele pareceu não saber disso. Acho que veio pra cá achando que era Rikshek, sei lá. Ou Srivilliputtur. Nesses lugares é templo pra tudo que é canto que se olha, shivaítas. Em outras cidades você encontra muitos Vaishnavas. A maioria dos hindus é vaishnava, e quase ninguém mais adora o Brahma, um Deus esquecido, coitado. Virou até nome de cerveja. É que ele não tem forma, nunca encarnou, nunca faz nada. Tá dormindo há alguns milhões de anos e qualquer dia desperta pra recriar o mundo. Aí o Shiva vai querer destruir tudo de vez e o Vishnu vai querer manter tudo do jeito que está. Eles vão chegar ao acordo do recomeço e pronto.
Por conta disso, a gente entende o papel dos deuses. O Vishnu é esse princípio que mantém o mundo como está, buscando remendá-lo, ensinando. Por isso ele se encarna tanto. Já foi Rama, Krishna, Buda, Jesus...
O Shiva não é muito de conversa. Ele fica olhando o mundo gerido pelo Vishnu de olhos quase fechados, mas de vez em quando resolve intervir. A intervenção dele resulta sempre na renovação, pela destruição, do mundo. Os cultos ligados a ele propõem um distanciamento do status quo, seja pela meditação profundamente calma (a ioga) seja pela meditação enérgica, essa sim uma ruptura e destruição de tudo ao redor. Essa meditação enérgica, chamada de “mão esquerda de Shiva”. é o exercício da sensualidade (kama sutra, sexo tântrico, culinária, lutas, taichi etc). E o Shiva sempre ensina (quando resolve falar alguma coisa, porque é um cara calado) que a realidade do mundo é diferente dele.
O Vishnu não, normalmente ensina que é a mesma coisa, e que as diferenciações são aparências. Portanto, todos somos Deus.
Para o Shiva, todos participamos de Deus, mas não o somos, porque Deus criou em si um espaço para o outro.
E o Brahma, esse Deus dorminhoco, não tem muita vez. Os cultos ligados a Ele querem romper coma ilusão do um e do dois, buscando o não-dois, o encontro entre o Eu e o Todo.
O engraçado é que, muito embora o culto ligado ao Brahma seja uma coisa menos em voga, a idéia central influencia e determina os outros cultos, que ficam tentando resolver o problema do Maya, da ilusão. Maya é “ilusão” em sânscrito, e é necessário resolver o problema do mundo como maya, porque de alguma maneira tanto considerar o mundo como Deus ou considerar o mundo como partícipe de Deus é ilusão. A realidade é a superação da ilusão, e não a preocupação acerca dela.
Ouvir a palavra de Vishnu e ser obediente dela, ou ouvir os ágamas sobre Shiva e disciplinar-se a partir deles são ambas devoções aos canais de graça. O que o brahmanismo propões é esquecer os canais da graça, e mergulhar na graça em si mesma. Muito louco.
Tudo isto por causa do Evangelho de hoje, que diz que Jesus abriu-lhes a consciência para que compreendessem as Escrituras. Louco, hã? Só a reuniào da Graça, do Canal da Graça e do Mestre da Graça, ocorrida em Jesus, foi capaz de superar o problema da ilusão, e devolver o estado de não-mistério ao mundo.
Gozar o mundo é gozar a graça, mas também em uma maneira radical é negar a graça, que está no mundo mas não é dele. O mundo é real, mas também é ilusão. Jesus de Nazaré, o filho de Maria, é Deus real, mas também é ilusão. Porque o Jesus que experimentamos hoje supera aquele Jesus terreno, mas também o é. Aliás, só pode superar porque É. Se não incluísse, como poderia estar para além do objeto superado?
Compreender a Escritura é entender como Pedro entende e demonstra na primeira leitura. Ele diz aos judeus “vocês mataram a Jesus porque eram ignorantes”. Mas não culpa os judeus. Não há culpa em ser ignorante.
Uma história que persegue a gente muito é a do menino que entrou na cozinha. E aí ele viu uma cesta de Brazilian Style Gala Apples, cheinha, e pensou “vou comer um, ninguém vai notar porque não tem ninguém aqui”.
As nossas catequistas costumam terminar a história assim: O menino pegou a maçã, mas Deus o viu fazendo isso e por isso ele teve de confessar.
E um outro final, que ninguém oferece, é esse: O menino pegou a maçã, e Deus o viu fazendo isso. Então encarnou-se de menino Jesus, foi lá e pegou outra, e os dois comeram as maçãs juntos, entre outras traquinagens. Isso é superar o pecado.
É incluir, participar, ir junto. Se fôssemos olhar do ponto de vista positivista, igual fazem as catequistas, Jesus é um grande pecador, porque inflige todas as leis possíveis. Come com pecadores, é amigo de prostitutas, xinga o zoto (chamando de “bando de filho da p____a” coma expressão suavidada “filhos de uma geração adúltera”), dá chilique no templo no meio da reza alheia, zomba dos bispos da época, responde mal a mãe dEle (que é a própria Nossa Senhora, o que deve multiplicar o pecado por um milhão), pratica medicina sem diploma, rouba a plantação dos outros colhendo trigo em pleno feriado... É um fanfarrão, esse tal de Jesus Cristo. Verdadeira mão esquerda de Shiva.
Mas Jesus vai além da lei. Ele vai à Lei, ao coração de todas as leis, porque Ele é a Lei do Pai. E deixa pra nós de lembrança um Deus Brahma, um dorminhoco desaparecido... que quando acordar, o trará de volta.
E precisamos ter a mente aberta para entender a escritura do mundo... tudo que o mundo é saiu da boca de Deus, que disse Faça-se isso e aquilo e mais aquilo ali. E agora, de sacanagem, faz um castor com bico de pato e perna de ganso e ferrão venenoso. Mas poe o ferrao nas pernas de trás. E quero de dê leite e bote ovos e que tenha sensor elétrico e que coma camarões.
Quando os espermatozóides são lançados ao encontro dos óvulos em todas as espécies, seja por fecundação interna ou externa, mas especialmente externa, porque o numero de espermatozóides é maior, Jesus fica lá no meio, bem miudinho, como a gente fica nas marés esperando ondas. E sobe nas costas de algum deles, como quem sobe num golfinho e o guia. É a minha explicação pra essa parte da escritura do “ser ou não ser”. Aliás, eu só sou agora o que sou porque precisamente deixei de ser o que poderia. Portanto, sou muitos não-seres.
Estas estão sendo as minhas pensações, buscando entender as escrituras. Acho que só podem ser entendidas quando a gente pára de se preocupar de entender o mundo e começa a apreciar o cheiro de flor no meio do cheiro de lixo. E a festa e a alegria das bactérias pelo chorume que escorre dos caminhões. Elas acham cheiro de merda uma beleza, e odeiam as flores.
Só pode entender o mundo, para Rubem Alves, quem brinca de bolinha de gude. E extrapolo-o, dizendo que se ao invés de sínodo de não sei o que por um ano em Juiz de Fora o bispo houvesse distribuído petecas, bolinhas de crica, pipas e luvas do homem aranha e feito os padres brincarem junto com as pessoas que estivessem interessadas, fechando a Gil Horta não para um Carnaval de Cristo mas sim para uma rua de lazer, estaria muito melhor. E só ia precisar de uma semana, ao invés dessa enrolação que ocorre há dois anos falando sobre um documento que poucos leram ou vão ler, e os que leram (é o meu caso) todos acham que é puro chover no molhado. Ah, bispo, eu te amo. Te acho bonitinho, aprecio o seu sim. Mas não de esqueça de que ele foi um sim pro Menino, e não pra igreja, essa véia coroca.
Por sinal, nesse mesmo blog meu, acho que tem um texto antigo sobre isso, ó: http://arroelices-cia-ltda.blogspot.in/2010_11_01_archive.html . Pode ler, se quiser.
Abriu-lhes a mente para que entendessem as escrituras.
Abriu-lhes a mente para que entendessem as escrituras.
Abriu-lhes a mente para que entendessem as escrituras.
Hoje eu acordei as 9 horas, porque é domingo. Combinei de ir co’s primo na missa das onze,e assim eu o fiz após tomar meu substanciosíssimo café da manhã. Mas os primo não apareceram na missa. Gozado, porque eles andam com rosários no pescoço e tudo o mais. Deve ter ocorrido algo, né.
Saí da igreja e fui no mercado que fica dentro do shopping, porque aí eu pude aproveitar e almoçar no xópen mesmo. Chama shopping Forum, e tanto ele quanto a igreja são perto da Universidade. Também tem lá por perto o Big Bazaar, uma espécie de Bretas ou Bahamas, e um Star Bazar, que tem 3 andares: o primeiro é mercado (comida, frutas, limpeza etc) o segundo é roupas e o terceiro é tecnologia. Ou seja, um troço gigante, uma espécie de Carrefour melhorado. Mas fui no do xópen, né. Chama More for You, e tem algumas coisinhas. estava atrás de frutas (maçãs e bananas, porque a pêra daqui é horrível, então comprei a “Brazilian Style Gala Apple”, que acho que é style só e não a Gala mesmo. Sei que a Embrapa tem um centro de pesquisa aqui, então devem ter ensinado os indianos a plantar maçã no calor, igual a gente faz aí.
Comi numa coisa que nunca poderia comer no Brasil: KFC, Kentucky Fried Chicken. Um frango frito indecente de gostoso. É o restaurante onde os muçulmanos e cristãos vão no shopping, porque os vaishnava (adoradores de Vishnu como Deus principal ou único, em sua forma eterna (Vishnu) ou em suas encarnações (Krishna, Rama e etc) raramente comem frango, e são na maioria lacto-vegetarianos, como é o caso do pessoal que é dono aqui do hotel; por isso o cardápio daqui é lacto-vegetariano. Algumas seitas comem carne de frango e de leite entre os vaishnava, mas esses aqui não, pelo que a gente poderia remontá-los provavelmente à idade média, por volta do século XIII e na região um pouquinho mais ao Norte e Noroeste. Aqui ocorreram sempre muitas migrações, algumas vezes violência. Em Bangalore mesmo, na década passada, teve um arranca rabo entre as religiões locais. Morreu gente, explodiram bombas... Por isso, hoje todo mundo quando entra em tudo que é lugar é revistado. E a polícia, quando pára turistas, pede o passaporte e é sempre muito amável, para tranquilizar o estrangeiro de que está tudo bem por aqui. A mim nunca pararam, como não parariam a Marciléia, mas outros me contaram disso. Hoje, por sinal, chegou um russo aqui. Me perguntou onde ficam os templos de Krishna e Shiva. E eu tive de explicar pra ele que essa zona da cidade é muçulmana, na maioria. Tem uns templinhos aqui e ali... Mas os hindus compõem 25% da populaçào da cidade, enquanto os cristãos (latinos e siríacos) compõem20%, os muçulmanos 50%, os sikhs 3% e outros (budistas, ateístas, agnósticos etc) 2%. Ele pareceu não saber disso. Acho que veio pra cá achando que era Rikshek, sei lá. Ou Srivilliputtur. Nesses lugares é templo pra tudo que é canto que se olha, shivaítas. Em outras cidades você encontra muitos Vaishnavas. A maioria dos hindus é vaishnava, e quase ninguém mais adora o Brahma, um Deus esquecido, coitado. Virou até nome de cerveja. É que ele não tem forma, nunca encarnou, nunca faz nada. Tá dormindo há alguns milhões de anos e qualquer dia desperta pra recriar o mundo. Aí o Shiva vai querer destruir tudo de vez e o Vishnu vai querer manter tudo do jeito que está. Eles vão chegar ao acordo do recomeço e pronto.
Por conta disso, a gente entende o papel dos deuses. O Vishnu é esse princípio que mantém o mundo como está, buscando remendá-lo, ensinando. Por isso ele se encarna tanto. Já foi Rama, Krishna, Buda, Jesus...
O Shiva não é muito de conversa. Ele fica olhando o mundo gerido pelo Vishnu de olhos quase fechados, mas de vez em quando resolve intervir. A intervenção dele resulta sempre na renovação, pela destruição, do mundo. Os cultos ligados a ele propõem um distanciamento do status quo, seja pela meditação profundamente calma (a ioga) seja pela meditação enérgica, essa sim uma ruptura e destruição de tudo ao redor. Essa meditação enérgica, chamada de “mão esquerda de Shiva”. é o exercício da sensualidade (kama sutra, sexo tântrico, culinária, lutas, taichi etc). E o Shiva sempre ensina (quando resolve falar alguma coisa, porque é um cara calado) que a realidade do mundo é diferente dele.
O Vishnu não, normalmente ensina que é a mesma coisa, e que as diferenciações são aparências. Portanto, todos somos Deus.
Para o Shiva, todos participamos de Deus, mas não o somos, porque Deus criou em si um espaço para o outro.
E o Brahma, esse Deus dorminhoco, não tem muita vez. Os cultos ligados a Ele querem romper coma ilusão do um e do dois, buscando o não-dois, o encontro entre o Eu e o Todo.
O engraçado é que, muito embora o culto ligado ao Brahma seja uma coisa menos em voga, a idéia central influencia e determina os outros cultos, que ficam tentando resolver o problema do Maya, da ilusão. Maya é “ilusão” em sânscrito, e é necessário resolver o problema do mundo como maya, porque de alguma maneira tanto considerar o mundo como Deus ou considerar o mundo como partícipe de Deus é ilusão. A realidade é a superação da ilusão, e não a preocupação acerca dela.
Ouvir a palavra de Vishnu e ser obediente dela, ou ouvir os ágamas sobre Shiva e disciplinar-se a partir deles são ambas devoções aos canais de graça. O que o brahmanismo propões é esquecer os canais da graça, e mergulhar na graça em si mesma. Muito louco.
Tudo isto por causa do Evangelho de hoje, que diz que Jesus abriu-lhes a consciência para que compreendessem as Escrituras. Louco, hã? Só a reuniào da Graça, do Canal da Graça e do Mestre da Graça, ocorrida em Jesus, foi capaz de superar o problema da ilusão, e devolver o estado de não-mistério ao mundo.
Gozar o mundo é gozar a graça, mas também em uma maneira radical é negar a graça, que está no mundo mas não é dele. O mundo é real, mas também é ilusão. Jesus de Nazaré, o filho de Maria, é Deus real, mas também é ilusão. Porque o Jesus que experimentamos hoje supera aquele Jesus terreno, mas também o é. Aliás, só pode superar porque É. Se não incluísse, como poderia estar para além do objeto superado?
Compreender a Escritura é entender como Pedro entende e demonstra na primeira leitura. Ele diz aos judeus “vocês mataram a Jesus porque eram ignorantes”. Mas não culpa os judeus. Não há culpa em ser ignorante.
Uma história que persegue a gente muito é a do menino que entrou na cozinha. E aí ele viu uma cesta de Brazilian Style Gala Apples, cheinha, e pensou “vou comer um, ninguém vai notar porque não tem ninguém aqui”.
As nossas catequistas costumam terminar a história assim: O menino pegou a maçã, mas Deus o viu fazendo isso e por isso ele teve de confessar.
E um outro final, que ninguém oferece, é esse: O menino pegou a maçã, e Deus o viu fazendo isso. Então encarnou-se de menino Jesus, foi lá e pegou outra, e os dois comeram as maçãs juntos, entre outras traquinagens. Isso é superar o pecado.
É incluir, participar, ir junto. Se fôssemos olhar do ponto de vista positivista, igual fazem as catequistas, Jesus é um grande pecador, porque inflige todas as leis possíveis. Come com pecadores, é amigo de prostitutas, xinga o zoto (chamando de “bando de filho da p____a” coma expressão suavidada “filhos de uma geração adúltera”), dá chilique no templo no meio da reza alheia, zomba dos bispos da época, responde mal a mãe dEle (que é a própria Nossa Senhora, o que deve multiplicar o pecado por um milhão), pratica medicina sem diploma, rouba a plantação dos outros colhendo trigo em pleno feriado... É um fanfarrão, esse tal de Jesus Cristo. Verdadeira mão esquerda de Shiva.
Mas Jesus vai além da lei. Ele vai à Lei, ao coração de todas as leis, porque Ele é a Lei do Pai. E deixa pra nós de lembrança um Deus Brahma, um dorminhoco desaparecido... que quando acordar, o trará de volta.
E precisamos ter a mente aberta para entender a escritura do mundo... tudo que o mundo é saiu da boca de Deus, que disse Faça-se isso e aquilo e mais aquilo ali. E agora, de sacanagem, faz um castor com bico de pato e perna de ganso e ferrão venenoso. Mas poe o ferrao nas pernas de trás. E quero de dê leite e bote ovos e que tenha sensor elétrico e que coma camarões.
Quando os espermatozóides são lançados ao encontro dos óvulos em todas as espécies, seja por fecundação interna ou externa, mas especialmente externa, porque o numero de espermatozóides é maior, Jesus fica lá no meio, bem miudinho, como a gente fica nas marés esperando ondas. E sobe nas costas de algum deles, como quem sobe num golfinho e o guia. É a minha explicação pra essa parte da escritura do “ser ou não ser”. Aliás, eu só sou agora o que sou porque precisamente deixei de ser o que poderia. Portanto, sou muitos não-seres.
Estas estão sendo as minhas pensações, buscando entender as escrituras. Acho que só podem ser entendidas quando a gente pára de se preocupar de entender o mundo e começa a apreciar o cheiro de flor no meio do cheiro de lixo. E a festa e a alegria das bactérias pelo chorume que escorre dos caminhões. Elas acham cheiro de merda uma beleza, e odeiam as flores.
Só pode entender o mundo, para Rubem Alves, quem brinca de bolinha de gude. E extrapolo-o, dizendo que se ao invés de sínodo de não sei o que por um ano em Juiz de Fora o bispo houvesse distribuído petecas, bolinhas de crica, pipas e luvas do homem aranha e feito os padres brincarem junto com as pessoas que estivessem interessadas, fechando a Gil Horta não para um Carnaval de Cristo mas sim para uma rua de lazer, estaria muito melhor. E só ia precisar de uma semana, ao invés dessa enrolação que ocorre há dois anos falando sobre um documento que poucos leram ou vão ler, e os que leram (é o meu caso) todos acham que é puro chover no molhado. Ah, bispo, eu te amo. Te acho bonitinho, aprecio o seu sim. Mas não de esqueça de que ele foi um sim pro Menino, e não pra igreja, essa véia coroca.
Por sinal, nesse mesmo blog meu, acho que tem um texto antigo sobre isso, ó: http://arroelices-cia-ltda.blogspot.in/2010_11_01_archive.html . Pode ler, se quiser.
Abriu-lhes a mente para que entendessem as escrituras.
Abriu-lhes a mente para que entendessem as escrituras.
Abriu-lhes a mente para que entendessem as escrituras.
3 comments:
Acho tão legal que o seu domingo já acabou, e o meu tá começando... Parece que vc viajou no tempo... Rsrsrs!
Continue aproveitando tudo! Te a o! Bjs,
Dois domingos na India: o tempo passa rápido, apesar de eu estar contando cada segundo , sempre pensando que horas são para você, espero que não perca nada, pois depois que você estiver aqui, vai sentir muita saudade daí. Portanto, aproveite bastante essa oportunidade rara que Deus está te oferecendo. Poucos a tiveram. Um grande abraço.
julinho, a parte de jesus andando no lombo do golfinho eu achei genila, entre outras. acho que, sentro do blog, há reflexões como ess que depois vc poderia recortar e publish. concordo com tudo, mas não saberia explicar desse jeito.
sua fã
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