Monday, April 16, 2012

Uma semana...

Fui criado em sete dias.
Sete dias levou o Nada, o Grande Mistério, pra criar espaço em Si mesmo pro meu algo existir.
Esse algo assim, minúsculo. No oitavo dia, o Nada descansou, e o algo passou a existir quase independente, muito embora mergulhado no Nada pra sempre.
Acho que hoje eu posso quase que dizer que me sinto minimamente ambientado. Com muita coisa pra resolver, é claro. Hoje parece ser um dia crucial, como todos os hojes o são.
Crucial até no sentido de cruz.
Dias cruciais são esses em que a gente experimenta cruzes desde a madrugada até as três da tarde e morre com um sorriso por dentro, sabendo que vai levantar logo logo.
E que mané três dias o que! No dia seguinte, na calada da noite, a gente levanta escondidinho e sai por aí, dobrando as roupas num canto do túmulo.
Existe agora um novo personagem, de nome todo difícil, que é o camarada lá da Christ University. Ele quer me ver depois do almoço, disse que não sabe de nada e que não foi comunicado pelo Kurian Kachappilly, o orientador, de que eu já viria em Abril. Na verdade, a carta oficial da Universidade daqui diz que eu poderia chegar a partir de Março... Então não sei se esse problema realmente existe. E, numa luz qualquer, eu sempre trago pra cá, todos os dias, todos os documentos em duas vias (originais e cópias) de todo o processo burocrático, desde o convite, passando pela aceitação e chegando à concessão de bolsa etc. Não acredito que mais um problema vá surgir daí, parece só um ataque de pelanca devido a ego... É que o Kurian, que não está aqui infelizmente, é o diretor da pós graduação, então foi resolvendo tudo por si mesmo e por isso não comunicou nada, simplesmente porque ele deveria ser o comunicado. É o que eu acho... Vamos ver, né? To assim numa cruz, querendo saber o que é que ele vai querer. Talvez, ele me mate. Se fizer isso, morro com esperanças de ressurreição, estou cheios de planos b!
Acontece que o reitor (Pe Stephen) conhece o gerente de um banco, chamado Syrian Christian Bank, e disse que se conversar com ele, o cara dá um jeitinhho e abre uma conta. Abrir uma conta aqui preenche a necessidade própria da CAPES, que não é propriamente que eu seja "enrolled" (é quase matricular isso, mas pode ser elencado, anexado, admitido... ficaria com o verbo admitir, no caso) nalguma universidade, mas que tenha conta e plano de saúde.
E o caso é que para ter plano, tem que ter conta. E para ter conta, teoricamente, tem que ser enrolled em algum lugar. Então, se o camaradinha do Syrian Christian topar de abrir a conta sem a admissão na universidade, fica tudo certo e lindo. É meio um tiro no escuro, admito... mas aqui tudo é assim penumbra, então tiro no escuro está se tornando minha especialidade.
Hoje de noite fiquei percebendo que, como o hotel onde eu to fica no centro da cidade, trocar de endereço faria muito bem para a qualidade do sono: é uma barulhada só aquilo lá a partir das 4 da manhã. Estou meio ansioso para resolver isso tudo, e to assim num dia crucial... um hoje maravilhoso, semi-ambientado. E conformado. Até passei roupa hoje de manhã, como prova de minha ambiência! Só as cuecas, mas tá valendo.
Conformado, na forma de, uma cruz. Eu admito que o caminho daqui é de cruz, de pregos e chicotes, de coroas doloridas, de sol na moleira enquanto paralisado e atado numa posição desconfortável, como eu estou agora. Mas é uma coisinha de nada, essa minha cruz quando comparada com a do Nada, daquele que desapareceu e fugiu para que eu existisse mergulhado nEle.
Por Ele, para Ele e sobretudo com Ele são todas as coisas. E são, no sentido de só assim poderem existir, e deverem a natureza a isso.
Ontem eu chamei o Cara de novo. Perguntei, com um riso no rosto, se a gente ia levantar do fundo do barco. E Ele me respondeu que não entendo nada disso porque esqueci de ser criança, esqueci de aprender a gozar os balanços. Não é bacana? Gozar os balanços que a vida dá. Ou, numa frase da pessoa que escolheu um caminho de purificação intenso na vida, gozar as dobras que a vida dá.
E dobra em dobra, de repente e sem aviso, forma-se um beijo. E um anel de casamento, uma caixa, um porta retrato, um kusudama.
Vou me deixar dobrar e vou atender o puxão de orelha, de reaprender a gozar o balanço e tentar chegar àquele nível em que nem a pior cruz abala a vontade firme de espalhar perdão e amor a todos que o buscarem, chamando pro gozo, do meio da dor, até mesmo aquele que não merece.
Um abraço a todos!

6 comments:

Bárbara said...

daqui vamos torcendo...pra que tudo se resolva da melhor forma...no mais, vc não a-do-ra essa imprevisibilidade da existência humana?
beijos e a paz.

Banana said...

Jurubinha, vc vai acabar é sendo registrado, mesmo. É porque eles vivem numa "bagunça organizada", que quem tá de fora não entende, mas quem tá lá dentro acaba resolvendo, e no final dá certo, igual aos bolos do Didi Mocó. Vai se acostumando aí... lave bem as cuecas, hein?
Beijokas diretamente de Muzambinho!
E faça logo seu plano de saùde; vai que te dá uma apendicite de novo, hahaha...

Fred Simoes said...

A Índia é bagunçada? Julim! Vc achou sua pátria!!!!

Glorinha said...

Pôxa, e eu que pensei que você fosse da hora, estou descobrindo que não, mas que existe um mundo muito mais do improviso . Quando tudo estiver nos lugares, certamente você vai ficar melhor, pois essa coisas que não resolvem geram aflição. Mas Deus está velando por você. Sei que quando você voltar, trará uma bagagem invejável para sua vida. Deus o abençoe! Bjos.

Maria Maria said...

Daqui há pouco eles vão dar um jeitinho indiano e aí vc fica com seu furévis regulado aí! Se precisarem de uma gambiarrinha, avisa aí que vc é o rei da gambiarra! Nada de voltar, pq se eu ganhar na loteria ou algo parecido, vou com meus fi e tudo pra aí! E a Isabela vai adorar ver as vacas no meio da rua e o Francisco vai querer vestir fantasia (ele vai achar que as roupas são fantasias...)

Teresa said...

Que ribeirismo que nada... é tudo indiano disfarçado de brasileiro....kkkk