Então... só pros muuuuito doido:
Tinha um Zé Ruela (Hiraniakashipu) que enchia o saco desse pobre desse moleque aí. Aí o Vishnu (que se encarnou como Krishna também, aí embaixo) ficou puto nas calça com aquilo, pois o Ruelão queria até derrubar tudo, num ataque de pelanca. Pode-se dizer que ele fosse um semi-demônio. Era um Rakshasa. E o pecado dele era ser ateu, e por isso quis derrubar o templo onde o devoto Prahlada (esse menininho bonitinho do filme) fazia a sua adoração. Prahlada tinha como seu Deus o Senhor Vishnu.
O problema todo é que Prahlada é filho do Hiraniakashipu, que tentou matar o moleque muitas vezes, mas foi impedido porque Vishnu o revestiu de poder e o protegeu a vida toda. Muito embora nascido Rakshasa, ele era devoto de Deus, ora.
Quando Vishnu viu que não ia ter jeito, encarnou como Narasimha (homem com cabeça de leão), desceu à terra e arrancou as tripa do manezão na unha. Porque??? Porque o Brahma tinha concedido ao Harianakashipu a imortalidade, que só poderia ser tirada por alguém que não fosse nem deus, nem homem e nem animal.
Narasimha não é nada disso!!! Que golpe de esperteza, hein Vishnu?
Dali, resolveu sair pelo mundo e dar um jeito, porque os homens tavam muito malvados.
O moleque ficou pensando... e agora, José?
E todos os deuses vieram em seu auxílio e Brahma falou com ele: "olha, mostre a sua devoção, que é pra ele perceber que ainda existem almas puras na terra e desista de destruir geral e esculhambar o universo."
Até porque o Brahma, que preside a Trimurti (algo como o Pai, talvez), sabe que o papel do Vishnu não é o de destruir o mundo, mas de preservá-lo e tentar endireitá-lo pelo amor, não pela força.
O garoto cantou. E viu a força destrutiva do Senhor se trasfigurar diante dos seus olhos na força criadora, o ator das atitudes de criação. Algo como... isso! o Filho.
O Shiva, que é a força renovadora do mundo (só sobrou um pra você chutar o paralelismo) casou-se com a irmã de Vishnu, Parvati. E, para conquistar o seu coração (que era humano, pois Parvati é Shakti encarnada, do mesmo jeito que Meenakshi também é), os deuses insistiram que ele dançasse.
E à medida que dançava, deu dinamismo ao ciclo de mortes e nascimentos, a Samsara (que muita gente chama de "roda da reencarnação", numa clara exibição de desconhecimento dos Vedas e dos Upanishads), que girou e desde então gira (os deuses são eternos, e portanto as suas atitudes são igualmente eternas), dando ao mundo o seu dinamismo.
Shiva tentou persuadir o cunhado pra parar com aquilo e tal. Mas nada adiantou.
Atendendo Brahma, Prahlada cantou. E foi agraciado com a contemplação de Vishnu em sua forma real e virou rei, por graça de Vishnu.
A música que ele cantou foi:
Namasté Sarasimha
(१) (1)
नमस्ते नरसिंहाय
Namas-té Sarasimhaya
Eu reconheço Deus em ti, Sarasimha
प्रह्लादाह्लाद-दायिने
prahládáhláda-dáyine
Que enche de júbilo (ou rejubila-se com, não tenho muita certeza) Prahlada
हिरण्यकशिपोर्वक्षः-
hiraṇyakaśipor vakṣaḥ-
no peito de Hiraniakashipur
शिला-टङ्क-नखालये
(२) (2)
इतो नृसिंहः परतो नृसिंहो
ito nṛsiḿhaḥ parato nṛsiḿho
Em todo lugar da terra, Narasimha está
यतो यतो यामि ततो नृसिंहः
yato yato yāmi tato nṛsiḿhaḥ
Em todos os lugares e em todos os tempos encontro escondido sutilmente Narasimha.
(yato - por toda a parte / de muitas formas; yami - vejo debaixo; tato - em outros tempos. Esse verso é complicadinho)
(yato - por toda a parte / de muitas formas; yami - vejo debaixo; tato - em outros tempos. Esse verso é complicadinho)
बहिर्नृसिंहो हृदये नृसिंहो
bahir nṛsiḿho hṛdaye nṛsiḿho
Narasimha habita o meu coração e o lado de fora
नृसिंहमादिं शरणं प्रपद्ये
Bacana... Note que aqui o moleque dá o pulo do gato que lhe merece a coroa: percebe que para além a imagem que ele faz de Deus (um justiceiro que mata o que lhe acusava e queria morto), ele se rende não a Narasimha (o ISCKON traduz isso aqui como sendo a Narasimha, mas falta o... isso! O -ya, portanto ele se oferece a ninguém), mas a uma impessoalidade. Não tem nada com possessivo para que ele se ofereça a. O que leva o possessov é o prapadye. Que é "todo". Ou seja, ninguém, pois o todo é sempre união de Deuses e Deusas, é a própria cópula dos deuses. É uma ação, um... motor do universo (Aristóteles me emprestou essa).
Chega.
Veja o vídeo.
Falado em Telugu, cantado em Sânscrito.
2 comments:
Ma que coisa linda! Adorei. Há grande beleza nas roupas e nas figuras representadas. A voz é de um tom tão agudo!Parece que vai lá nos confins do Universo. Julim, te agradeço pela atenção com que tem selecionado coisas tão legais para a gente poder ver.Obrigada!
Jubão, após uns dias longe do seu brógui, volto a todo vapor e só posso lhe dizer que faço minhas as palavras de um famoso filósofo sãopetrino: "A saudade tááá demaaaaiissss!!!!"
Beijokas,
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