Hoje
estou me sentindo assim... assim... indiano!
No
exato momento, escrevo de dentro do trem, indo para MADURAI (e não
Goa, como tem sido divulgado à meia boca) para ficar lá por dez
dias.
Na
verdade, pego amanhã mesmo um ônibus para Shembaganur, distrito de
Kodaikanal, onde tem o Sacred Heart College, onde os arquivos
históricos dos jesuítas de Madurai estão localizados.
Roberto
Nobili chegou a Madurai no ano de 1607, e ficou abismado pelo fato de
não haverem conversões lá.
Desde
aquela época, e na verdade desde antes, Madurai é conhecida como
“Atenas do Oriente”, porque é o berço ou lugar de divulgação
de muitos pensamentos ou pensadores.
A
coisa toda de não haverem conversões era o medo que os portugueses,
que patrocinavam a missão, causavam. Eram selvagens. Comiam carne,
se relacionavam com muitas mulheres, faziam comércio... não tinham
medo de pegar no pesado! Como poderiam ser considerados civilizados?
Eram tidos como absolutamente selvagens e imerecedores de qualquer
atenção da parte dos pensadores que moravam em Madurai. E eles eram
maioria. Na verdade, até mesmo os servos dos professores eram eles
mesmos brâmanes, alunos em formação.
Até
hoje, os “estudados” indianos se gabam desta escravidão. Outro
dia desses um padre me perguntou como eu fazia quando a cantina
fechava, e eu disse que cozinhava. Ele disse “não precisamos
cozinhar aqui, porque temos servos”. Sim, a palavra que ele usou
foi “servants”
que se não me engano, tem somente a acepção de servo mesmo. São
os sudras. Condenados a servir. E algozes dos mestres, que por conta
desta cultura de servidão, nunca se tornam independentes tampouco.
Mas
estou me achando indiano porque recebi a confirmação da passagem na
última hora, como convém aqui nesta pequena latitude norte, e
arrumei tudo em menos de meia hora. Lavei as vasilhas, guardei todas
dentro dos potes, guardei os livros, as roupas que estavam
espalhadas, joguei um desinfetante no banheiro. E taquei tudo na
mochila. Ananias, Ananão, roupas, dongles etc etc. E fui pra estação
assim sem eira nem beira, sem papel nenhum!
Cheguei
lá e achei a plataforma de primeira. Um lugar extremamente mal
frequentado, me pareceu a estação. Cheiro muito ruim, de cocô. E
de xixi. E muitos pedintes e etc. Ninguém se importa. Depois, entrei
no trem, achei meu lugar... moleza. Um beliche. Somos quatro dentro
da cabine, em teoria. Na prática, estamos apenas três. Aí
conversamos, lemos, mexemos nos computadores. Passo despercebido. Se
assustaram quando peguei o passaporte para o inspetor. “Você não
é indiano? Mas até tem um pouco de sotaque! Achamos que fosse do
Norte”. É, sempre tive facilidade pra macaquear sotaque alheio. O
trem é bacana. Dá pra olhar o mundo pela janela, muito embora o ar
condicionado delicioso e suave. Limpo. Tem comida. BELEZA!!!
De
manhã, pedi muito a Deus que não morresse de medo. É que a última
viagem que fiz foi traumática! Estava mesmo com medo! Ah, é. Foi
pra cá. E, na hora de sair, mais pedição. Conversamos, parece que
Ele me deu mesmo tranquilidade. Meu maior medo era ter dor de barriga
e ter de ir no banheiro aqui no trem. Medo. Medo disso. Que coisa
boba.
Acordei
cedo hoje, e fiz um vídeo bacana pra mandar pro JUDAC dos véio, eu
que sou da equipe ultra-externa de intercessão. Mas o vídeo ficou
com 250 MB. Reduzi para 50MB, mas não consegui upar pro youtube. A
banda de upload não está lá essas coisas. Não tem problema. Em
Setembro eu falo tudo pessoalmente... Ou talvez coloque no facebook,
sei lá.
Bem,
exatamente agora o senhorzinho mais idoso aqui foi se deitar, numa
clara indicação indireta (ele está falando “it's ok, it's ok”
pra mim aqui) de que o pessoal dorme mesmo. Não é encontro de
igreja, com todo mundo conversando sem parar até as 4.
Queria
terminar dizendo que quando comunguei na missa, encerrando minha
oração de três dias pelo Judac, participei do olhar dele sobre o
Ceflã. Ele abriu seus braços bonitos e abraçou todos. Eu fui
abraçado junto. Uma parte de mim ficou com vocês, e por favor não
me devolvam, porque eu vo-la dei.
Um
queijo e um beijo grande.
E,
a quem interessar possa, recomendo ouvir isso aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=2jn8tRVGErg
Aviso...
forte sotaque português. Sim, eu escuto música portuguesa. Muita.
Escuto de tudo um pouco, e muito! Menos as músicas que eu tenho de
aprender, claro. Essas não têm graça.
Namaskaram!
1 comment:
Ô julinho, que pena!Teria sido muito interessante se a gente tivesse podido ver seu vídeo no Judac, mas fique você sabendo que você estava lá,muito bem representado por um menino que era a sua cara. E que vc foi muito citado por várias pessoas, a ponto de despertar curiosidade em quem não te conhece, mas que ficaram consolados na hora dos clones. Foi muito legal.
Mas, falando sério, saiba que o Judac 25 + foi muito bom, uma verdadeira bênção!Foram 46 encontristas.Acredito que houve muita cura para o pessoal do serviço.Estou muito curiosa para ver as fotos que vc possa ter tirado nessa viagem de trem, capaz de despertar inveja, pois muito interessante e diferente,Sempre achei que vc parecesse japonê, coreano, chinês, mas indiano, eu nunca tinha pensado.Entretanto...Um grande abraço da mãe saudosa.
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