Oi!
Ontem eu não publiquei porque não tinha acesso a internet. Na verdade, tinha, mas longe do quarto! E aqui é graaaaaaande pra caramba.
Tem duas redes sem fio aqui (que é uma faculdade de fisolofia dos jesuítas e onde fica o arquivo que estou consultando, detalhes mais à frente), e me deram a senha justamente da que não pega no bloco onde fica o quarto que me deram. A rede que pega, não me deram senha!
E, até há uns 20 minutos atrás, o 3g tb não funcionava! Resolveu funcionar de repente. Acho que é a reconfiguração de Roaming ou sei lá.
Pra auxiliar, o padre Fulano (esqueci o nome dele), que é o tesoureiro da casa, me deu de manhã um cabo (que só funciona no Ananias) e me pediu pra não usar a internet que me deram a senha. E que não ia me dar a senha da sem fio que pego do quarto. E que era pra eu usar o cabo direto no roteador.
Gente, que diferença faz? Direto no roteador ou pelo sinal sem fio, é a mesma rede!! Mas não. Tinha que consultar o superior, que não estava aqui. Ou seja... voto de obediência. Talvez misturado com algum outro voto pessoal de exclusão de todo e qualquer pensamento lógico. Maaaas, tudo bem.
Consegui instalar Skype no Ananias, então vou usar ele lá na salinha onde fica o roteador no meio da noite. Pedi permissão para usar, me deram. Então no meio dia do Brasil (oito e meia da noite aqui) eu vou lá e fico lá uma hora, acho.
Falando agora sobre o lugar aqui, o Sacred Heart College: é lindo!!! Está no distrito de Shembaganur, que está por sua vez no município de Koidakanal. E a incríveis oitenta quilômetros da estação de trem mais próxima. Na estação de Koidakanal Road (que é a 86 km de Koidakanal, já que daqui lá são 6km), tive uma grande emoção: Li pela primeira vez na vida um placa em tâmil!! Estava escrito, insuspeitamente, Koidakanal Road. Ou seja, கொடைக்கானல் ரோடு. Mas sem essas bolinhas que o Google Chrome idiota está colocando, ok? Abstrai.
Bem, peguei um táxi e vim pra cá. 50 pau, o táxi. Caro, porém barato. 50 km, gente. Em Juiz de Fora, 50 reais provavelmente dariam pra ir de São Pedro a Benfica, no máximo. Aqui fui muito bem recebido pelo Ministro (que é um cargo que toda casa jesuíta tem) e fui informado de coisas interessantes.
"Coloque o lixo na caixa de madeira com cadeado, porque os macacos pegam ele." Ahhh, tá...
"As telas na janela são por conta dos macacos" Aham.
"Pode andar de dhoti (que é uma saia) pela casa, mas não vá ao refeitório de saia" Beleza. Em Bangalore pode. Sim eu tenho uma saia. Não, não vou colocar foto tão cedo. Vergonha do zoto. Sei lá quem lê isso aqui? Nas estatísticas aparece que gente dos EUA, Paraguai e Alemanha lê meu blog. Por sinal, me ofereceram de botar umas propaganda aí, preu ganhar um jabá. De vez em quando clica em alguma aí, faiz favô.
Peculiares, as regras. No mínimo.
Bem, o diretor do arquivo histórico chegou na hora do almoço (eu cheguei aqui 9 horas) e as tres ele me levou pra ver o acervo. Me pôs na mão folhas de palmeira com textos em tâmil. Não são usadas mais desde o século XVIII. Ou seja, devem ter uns 300 anos pelo menos.
Depois, uma cópia manuscrita da tradução original em português arcaico do catecismo em língua tamul do padre Roberto Nobili, feita pelo seu secretário / discípulo em 1661. Tem trechos bacanas, tipo
"Este mysterio de malde opera ja o
monstro inhumano do Herege Holandes, cujo orgulho, e soberba
Luçiferina sopea neste estado de V. Mgde. o sagrado, profanando
templos, e rendendo praças".
Este é um acréscimo do Baltasar da Costa, o tal discípulo de Nobili, em uma introdução que colocou puxando o saco do "Muy Grande e muy Poderoso El-Rey Affonso VI de Portugal e cia." A batata dos jesuítas já estava assando aqui na Índia em 1610, e os adeptos do padroado acusavam o Nobili de ser muito bonzinho com os indianos, deixando eles ter cultura. Nada de cultura, senhor Nobili. O negócio é todo mundo ser portuguesão, ok?
Bem, é um texto muito bacana, e o mais importante: fonte. É um texto traduzido diretamente do original na época dos acontecimentos. A primeira parte trata da natureza de Deus, que Nobili desenvolve a partir das Escrituras. Bíblia? também. O grosso é Vedas e Ágamas. Esta é a beleza do approach do Nobili.
A casa em si é de 1895, feita em estilo francês (porque os padres que vieram pra Índia no século XIX eram franceses) e em madeira. As colunas são de alvenaria (nada de concreto), algumas paredes também. Mas a maior parte é madeira. Deus proteja o chão dos cupins, por favor. Quando a gente anda no terceiro andar, o telhado inteiro range. Será que vou ser premiado com um tombaço? Espero que não.
Aqui, a toda hora, tomam água morna. A temperatura não passou nesses dois dias de 20 graus, e chegou a dez. Estamos no verão indiano. Em Bangalore, 35 graus direto. Mas aqui está a 2150 metros de altitude, o dobro de Bangalore e mais um golim, já que lá é 1000 metros.
Aqui encontrei indianos de tudo que é canto e um Dominicano. Ou seja, da República Dominicana. Falei com ele em espanhol, e parece que as conversas com o Marco ajudaram mesmo, porque ele disse que tô enganando bem! Discutimos um pouco de teologia sistemática. É bom porque minha tese é tão complicada que nem eu sei o que é. Mas é sobre os jesuítas do século XVII que viveram aqui, e cujos textos foram postos na minha mão.
Bom, e aí é isso. Vou colocar umas fotos aí embaixo, e pronto. Acho que falam mais.
E batam palmas pra elas, porque me esforcei muito para que ficassem boas. Sou péssimo fotógrafo!!
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| Vim aqui pra isso. |
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| Continuo aqui por Ele |
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| Frente do College |
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| João de Brito. Morreu aqui perto, teve a cabeça decepada. Por isso o ramo (símbolo dos mártires) e a espada (tipo de morte que teve) |
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| Panorama do terceiro andar, fundos |






5 comments:
Nossa... emoções novas, heim? Quem diria, no meio de tantas novidades, vc ainda encontra outras mil pra conhecer e vivenciar!
Bj no coração! Adorei as fotos!
Puxa vida!Caramba! Tô ficando com inveja de verdade, super empolgada!Acho que tô ressuscitando minha vocação para pesquisa histórica. Te digo mais: se eu tivesse na sua idade e solteirice oportunidade favorável não teria feito diferente: partiria para a Índia pois é realmente fascinante ese estudo que, embora vc ainda não tem táo especificamente definido, devido ao leque de possibilidades. Adorei as fotos, maravilha! Parabéns, vá em frente, você merece! Um grande abraço da mãe corujissima e saudosa também.
Puxa vida!Caramba! Tô ficando com inveja de verdade, super empolgada!Acho que tô ressuscitando minha vocação para pesquisa histórica. Te digo mais: se eu tivesse na sua idade e solteirice oportunidade favorável não teria feito diferente: partiria para a Índia pois é realmente fascinante ese estudo que, embora vc ainda não tem táo especificamente definido, devido ao leque de possibilidades. Adorei as fotos, maravilha! Parabéns, vá em frente, você merece! Um grande abraço da mãe corujissima e saudosa também.
Em tempo: a obediência é realmente muito importante para os jesuitas: lembre-se que o pai saiu do seminário e não foi ordenado porque descobriu sua dificuldade de obedecer.
Putz! Quero muito te ver de saia.
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