Olá, pessoal! Vou contar conforme descobri:
Há muito tempo atrás, houve uma querela nos céus.
Indra, deus responsável pela atmosfera, matou um demônio. Mas sabe, não se deve matar ninguém. Por isso, Shiva o expulsou do céu.
Ele caiu no meio de uma floresta e chorou e chorou de saudade de Deus (ou Shiva, como preferir).
Aí decidiu descobrir quem era o dono, o deus principal daquela floresta, para pedir-lhe ajuda. Com o tempo, láááááá no meiozão da floresta, encontrou um Shiva Lingam, e acabou descobrindo que, por sorte (ou azar) o Deus daquela floresta era Shiva mesmo.
Então honrou aquela imagem de Deus, e convidou as pessoas a fazerem o mesmo. Com o tempo, Shiva recebeu tantas orações que acabou considerando o pecado de Indra perdoado, e o readmitiu aos céus.
Então um dos reis dos homens descobriu (não me perguntem como) toda a história e acabou encontrando o Lingam no meio da terra, e em volta dele construiu um templo, há quatro mil anos.
Era um tempo de madeira.
Muuuuuito tempo depois, 2900 pra ser mais preciso, chegaram bárbaros monotéistas do norte e queimaram o templo, para destruir a divindade.
Mas não resolveu nada, porque o Lingam era de pedra. Por isso, estes tais guerreiros, liderados por um dos descendentes do principal profeta deles, um tal de Muhammad, construíram eles mesmos o seu templo, que chamam de "mesquita". O deus que lá é cultuado é chamado de Allah, e não de Shiva.
E os reis do lugar resolveram reconstruir o templo em torno do mesmo altar de Shiva, agora em Pedra. E fizeram também um santuário para a sua esposa, Meenatshi, para que o Deus ficasse mais feliz.
Como as mulheres é que mandam na casa, Meenatshi por fim ganhou mais importância que Shiva naquela casa de oração, e por isto entra-se pelo lado dela, saúda-se ela primeiro, e depois se vai ao marido, muito embora ele seja o real onipotente local. Fizeram uma torre de pedra bem maneira pra poder enfeitar o templo. E outra. E outra. E outra. E outra. Cinco no total, construídas ao longo dos últimos 1200 anos, representando 33 milhões de divindades. Isso mesmo! 33 milhões! Seja nas torres seja nos pilares de pedra do templo (não existem dois iguais), se você tiver paciência pra contar, você vai achar os 33 milhões.
Eventualmente, um italiano veio pra cá e causou a maior confusão. Trouxe mais um Deus, como se não houvessem suficientes.
Na verdade, descobriram que era o mesmo Deus que morava na mesquita branca e linda. Mas por algum motivo daqui que ninguém conseguia entender, eles brigavam entre si. Ele se vestiu com as roupas de todo mundo, e foi conversar com o rei, que naquela época estava construindo um palácio novo. O rei deixou que ele fizesse outro templo, praquele Deus novo. E até deu terras pra ele.
E, depois de mais 400 anos, um moço do Brasil veio aqui, pra ver do que se tratava. O itinerário que ele fez foi por ordem de novidade. Foi pra lugares cada vez mais velhos!
Saiu do templo construído pelos discípulos do italiano. Ele tá hospedado lá.
Passeou pelo palácio do rei, tomou bênça dele no trono
| Erguido pelo Rei Perumal Nayk, no ano de 1636. |
Foi na mesquita, fez lá uma reza.
| Erguida no século X por um tataraneto do Maomé, vindo de Omã. |
Foi no templo, jogou uma cinza na cabeça do Ganesh.
| Shiva Lingam, aquela preta láááá no fundo. 4 mil anos de idade . Coisatôa. |
| As cinco torres do templo e mais outras torres de outros templos |
| Torre do ano 800. |
E ali, pertinho do templo, fui na loja de um Kashmir que achou que ele fosse também kashmir.
Conversaram sobre os desezinhos que o kashmir vendia.
Descobriram-se um cristão e um muçulmano. Conversaram sobre a Bíblia e o Corão.
Os muçulmanos devem, por dever de fé, crer e ler a Bíblia, se puderem.
Os cristãos não. São um pouco mais auto-suficientes e têm medo de ler o Corão. Mas o moço do Brasil leu.
Ele comprou Ganesh, Krishna, Shiva e Parvati. E também peças de seda e lã de cabrito pras pessoas que ele gosta no Brasil. Comprou também um tapete que muda de cor dependendo do ângulo da luz, até conheceu o tapeceiro que fez!
E, conversando com o moço muçulmano sobre o Deus em comum deles que o italiano não soube entender, ganhou no final um caminho de mesa de presente, um abraço, o email do moço kashmir e um convite insistente para voltar e almoçarem juntos comida kashmir. Até trocaram celulares. Ele lembra muito um primo do moço brasileiro.
| Jan Moovon |
Na volta, o moço foi pra trás da igreja de riquixá, desses puxados por gente!
| O riquixêro. Dei a ele mil rúpias, pq os outros de Bangalore não fazer força nenhuma e cobram 100... E eles não dão preço aqui em Tamil Nadu, você pode dar um lance inicial. |
E jantou e pensou e escreveu. E deve tá dormindo a uma hora dessas.
3 comments:
Ai... como eu sou uma amiga invejosa!!! Quantos lugares inesquecíveis! Adorei visitá-los com vc (eu aqui no fantástico mundo de Fabiana, é claro - fantasiando,às vezes até sonhando que estou aí na Índia!). Eita inconsciente danado, sempre denunciando minhas vontades. Mil beijinhos e abracinhos.
Ah, Julim, como está cada vez mais interessante essa "coisa de Ìndia", que incrível capacidade de adaptação você está demonstrando! Sinceramente, eu não imaginava que seria assim, dessa forma.Você está surpreendendo a mim, que me perdi tantas vezes tentando colocá-lo num formato considerado o melhor. ESSA SUA FACILIDADE DE CONVIVER COM O DIFERENTE É DESCONCERTANTE. Só me resta agradecer tantas maravilhas que Deus nos tem proporcionado.Um abraço cheinho de saudades.
Bem q eu te disse, lá no início:daqui a pouco vc tá cheio de amigaççços...
Este pri o q pareçe com o cara seia o Dedé? Rsrsrs...
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