Amanhã! Amanhã é o dia em que eu vou, ao meio dia, pro meu apartamentico aqui em Bangalore. É um quarto e sala, nem é uma kitinet é nada. Totalmente mobiliado, no meio do campus. O Henrique Duque morreria de inveja.
Hoje, tomando isto como pretexto, não fiquei muito tempo na Universidade não. Fui de manhã, futriquei nas prateleira da Biblioteca Central e peguei lá uns 10 livros, dos quais selecionei 5 e levei pro czirocz. Aí era uma hora da tarde, eu comi um sanduíche vegetariano (que é feito de pepino quente, verdadeiro desafio ao paladar tupiniquim) e vim pro hotel.
O pretexto é que eu ia arrumar as coisas. Mas que o que! Estudei um monte de história, depois vi um filme com o Nicolas Cage na TV e nisso eram 7 horas, pelo que desci e jantei copiosamente.
Comi lá um Nargis Kofta, aloo chatpatta e dois nan. O nan é um pãozinho ázimo simpático, enquanto o Nargis Kofta é um refogado pastoso de legumes com gengibre, cebola, cenoura, vagem, batata e uma pimentinha pra desentupir a nareba. O Aloo Chatpatta é feito de batata (ou batata doce) com cebola, açafrão e algo mais, sendo um prato mais sólido, onde os legumes estão em pedaços.
A comida indiana se come assim: você pega o prato mais sólido, que é chamado de starter (entrada) e o come. Depois você pega o prato mais pastoso e passa no pão de sua preferência, enrola e manda brasa. Vi muitos nativos misturando o prato pastoso no sólido, e realmente fica bem interessante, isso também.
O açafrão é uma coisa que te pinta por dentro. Sua escova de dentes fica amarelada, sua urina e seu “output” também ficam. E o gengibre, a pimenta e as cebolas devem fazer muito bem. Diz a medicina tradicional chinesa que eles tonificam os pulmões, nariz, garganta. E sabem quantas vezes eu fiquei de nariz entupido aqui, até hoje? Nenhuma. Pode ser, é claro, devido a falta de umidade no ar. Mas pode ser por causa dos temperos também.
Agora, como sempre depois dessas refeições, eu sinto o ar quente entrando e saindo pelo nariz, e se tiver alguma coisa lá dentro com certeza sai. É assim. Acho que alguns têm razão, de quererem vir pra cá. É realmente único, e maravilhoso.
Ontem comecei a planejar minha primeira viagem pra fora daqui, pra província jesuíta de Madurai. Ocorre que os trens levam horas a fio pra chegar lá, os aviões também (não tem vôos diretos) e carro ou ônibus, nem pensar). Vou de trem diurno, se tiver jeito. Assim, pago menos que o avião, levo o mesmo tempo e ainda aproveito a paisagem. 50% da população indiana é rural. Não sei onde eles estão, já que aqui é uma cidade enorme e ruidosa. Devem estar na beira dos trilhos...
Hoje também consegui mandar mensagens pelo celular. Foi uma epopéia. Depois de ler por 10 dias o manual e de fuçar o Google inteiro, resolvi ligar pra operadora. Aqui, cada aparelho deve ser configurado a mão num tal de SMSC, o centro telefônico de cada operadora que envia as mensagens. Não é automatizado, como no Brasil. Ponto pa nóis.
Estou muito animado com a mudança amanhã, e já está tudo no lugar. Foi fácil arrumar tudo, porque não tirei a maior parte das roupas da mala, e mandei lavar as que estavam fora. Paguei R$2,50 por isso, e elas foram lavadas e passadas, tudo no mesmo dia, que foi ontem. Fiquei me achando muito esperto. A maior parte do tempo eu fico sendo o véio pelado, só de cueca no quarto desfrutando o ar condicionado a 27 graus, que é pra eu não resfriar com uma mudança muito agora de temperatura. Amanhã, no campus, nao vai ter mais ar condicionado e nem tv a cabo. Mas eu vou no mercado comprar umas coisas pra cozinhar lá, meramente por economia e pao-durice, sobretudo numa terra onde (descobri) a bolsa da CAPES corresponde a um terço do salário da presidente da Índia. Um absurdo fosso monetário.
Só é pena que essa riqueza da Índia, que consegue colocar tudo a um preço tão baixo, só seja possível devido ao fato de 43% da população ser pobre ou miserável. Uma pena. E eu nem posso votar aqui, muito embora ache que não adiantaria nada poder votar, já que todo mundo aqui vota e continua o status quo.
Sei lá se a Índia tem solução. Sei lá se precisa de solução, também. Por um lado de ideologia e sociedade indiana, tá tudo às mil maravilhas. Mas é claro que muito dessa ideologia é manipuladora! É óbvio que os deuses não castigam os pobres, pois se assim fosse os santos seriam das altas classes, e muitos dos santos hindus são de classes baixas ou dalits (os dalits não são uma classe no sentido de casta, mas são tão castigados que não podem nem mesmo participar da sociedade).
Hoje estava pensando na liberdade única de que gozam os dalits, por sinal. Eles não casam arranjado, comem carne, fumam, bebem bebidas alcoólicas, casam e se divorciam na maior... E alguns até ficam ricos! Vai ver que as castas os reprimem por pura inveja.
Enquanto estava aqui no hotel, pude notar que muitos dos funcionários do hotel são sudras (servos), enquanto o caixa e o gerente são vaishyas. A gente sabe porque os sudras usam o sinalzinho vermelho na testa, e os vaishyas (comerciantes) usam preto ou dourado. É incrivel, mas os sudras não conversam com os vaishyas e vice versa. Tem um muçulmano que trabalha aqui que conversa com todos... E o Babu, que invade o hotel e conversa com todo mundo, avacalhando tudo. E tem eu, que cumprimento todo mundo. Eles sorriem muito quando eu faço isso. Não sei se estão acostumados a serem respeitados. Ficam me chamando de sir sir sir sir sir, o que é muito estranho...
Bom... hoje foi assim, esse dia de semi ansiedade e preparação para o settlement. Amanhã tem mais, ou menos. Depende do ponto de vista.
Hoje, tomando isto como pretexto, não fiquei muito tempo na Universidade não. Fui de manhã, futriquei nas prateleira da Biblioteca Central e peguei lá uns 10 livros, dos quais selecionei 5 e levei pro czirocz. Aí era uma hora da tarde, eu comi um sanduíche vegetariano (que é feito de pepino quente, verdadeiro desafio ao paladar tupiniquim) e vim pro hotel.
O pretexto é que eu ia arrumar as coisas. Mas que o que! Estudei um monte de história, depois vi um filme com o Nicolas Cage na TV e nisso eram 7 horas, pelo que desci e jantei copiosamente.
Comi lá um Nargis Kofta, aloo chatpatta e dois nan. O nan é um pãozinho ázimo simpático, enquanto o Nargis Kofta é um refogado pastoso de legumes com gengibre, cebola, cenoura, vagem, batata e uma pimentinha pra desentupir a nareba. O Aloo Chatpatta é feito de batata (ou batata doce) com cebola, açafrão e algo mais, sendo um prato mais sólido, onde os legumes estão em pedaços.
A comida indiana se come assim: você pega o prato mais sólido, que é chamado de starter (entrada) e o come. Depois você pega o prato mais pastoso e passa no pão de sua preferência, enrola e manda brasa. Vi muitos nativos misturando o prato pastoso no sólido, e realmente fica bem interessante, isso também.
O açafrão é uma coisa que te pinta por dentro. Sua escova de dentes fica amarelada, sua urina e seu “output” também ficam. E o gengibre, a pimenta e as cebolas devem fazer muito bem. Diz a medicina tradicional chinesa que eles tonificam os pulmões, nariz, garganta. E sabem quantas vezes eu fiquei de nariz entupido aqui, até hoje? Nenhuma. Pode ser, é claro, devido a falta de umidade no ar. Mas pode ser por causa dos temperos também.
Agora, como sempre depois dessas refeições, eu sinto o ar quente entrando e saindo pelo nariz, e se tiver alguma coisa lá dentro com certeza sai. É assim. Acho que alguns têm razão, de quererem vir pra cá. É realmente único, e maravilhoso.
Ontem comecei a planejar minha primeira viagem pra fora daqui, pra província jesuíta de Madurai. Ocorre que os trens levam horas a fio pra chegar lá, os aviões também (não tem vôos diretos) e carro ou ônibus, nem pensar). Vou de trem diurno, se tiver jeito. Assim, pago menos que o avião, levo o mesmo tempo e ainda aproveito a paisagem. 50% da população indiana é rural. Não sei onde eles estão, já que aqui é uma cidade enorme e ruidosa. Devem estar na beira dos trilhos...
Hoje também consegui mandar mensagens pelo celular. Foi uma epopéia. Depois de ler por 10 dias o manual e de fuçar o Google inteiro, resolvi ligar pra operadora. Aqui, cada aparelho deve ser configurado a mão num tal de SMSC, o centro telefônico de cada operadora que envia as mensagens. Não é automatizado, como no Brasil. Ponto pa nóis.
Estou muito animado com a mudança amanhã, e já está tudo no lugar. Foi fácil arrumar tudo, porque não tirei a maior parte das roupas da mala, e mandei lavar as que estavam fora. Paguei R$2,50 por isso, e elas foram lavadas e passadas, tudo no mesmo dia, que foi ontem. Fiquei me achando muito esperto. A maior parte do tempo eu fico sendo o véio pelado, só de cueca no quarto desfrutando o ar condicionado a 27 graus, que é pra eu não resfriar com uma mudança muito agora de temperatura. Amanhã, no campus, nao vai ter mais ar condicionado e nem tv a cabo. Mas eu vou no mercado comprar umas coisas pra cozinhar lá, meramente por economia e pao-durice, sobretudo numa terra onde (descobri) a bolsa da CAPES corresponde a um terço do salário da presidente da Índia. Um absurdo fosso monetário.
Só é pena que essa riqueza da Índia, que consegue colocar tudo a um preço tão baixo, só seja possível devido ao fato de 43% da população ser pobre ou miserável. Uma pena. E eu nem posso votar aqui, muito embora ache que não adiantaria nada poder votar, já que todo mundo aqui vota e continua o status quo.
Sei lá se a Índia tem solução. Sei lá se precisa de solução, também. Por um lado de ideologia e sociedade indiana, tá tudo às mil maravilhas. Mas é claro que muito dessa ideologia é manipuladora! É óbvio que os deuses não castigam os pobres, pois se assim fosse os santos seriam das altas classes, e muitos dos santos hindus são de classes baixas ou dalits (os dalits não são uma classe no sentido de casta, mas são tão castigados que não podem nem mesmo participar da sociedade).
Hoje estava pensando na liberdade única de que gozam os dalits, por sinal. Eles não casam arranjado, comem carne, fumam, bebem bebidas alcoólicas, casam e se divorciam na maior... E alguns até ficam ricos! Vai ver que as castas os reprimem por pura inveja.
Enquanto estava aqui no hotel, pude notar que muitos dos funcionários do hotel são sudras (servos), enquanto o caixa e o gerente são vaishyas. A gente sabe porque os sudras usam o sinalzinho vermelho na testa, e os vaishyas (comerciantes) usam preto ou dourado. É incrivel, mas os sudras não conversam com os vaishyas e vice versa. Tem um muçulmano que trabalha aqui que conversa com todos... E o Babu, que invade o hotel e conversa com todo mundo, avacalhando tudo. E tem eu, que cumprimento todo mundo. Eles sorriem muito quando eu faço isso. Não sei se estão acostumados a serem respeitados. Ficam me chamando de sir sir sir sir sir, o que é muito estranho...
Bom... hoje foi assim, esse dia de semi ansiedade e preparação para o settlement. Amanhã tem mais, ou menos. Depende do ponto de vista.
5 comments:
Que bom que tudo está se resolvendo aí!!!
Bom saber que vc está mais tranquilo!
Legal vc poder cozinhar depois que mudar. Vai aprendendo uns pratos exóticos pra fazer pra gente quando voltar, tá!!
Pode me encher de mensagens de celular, tá? Eu só não tô fazendo isso pq fico me achando chata - bendita TPM, affff... amanhã eu vou estar melhor, ou pior, depende do referencial, hahaha!
Um beijo, meu lindo!
Oi, "djan" Julim!
Ler vc diariamente é como ver vc literalmente (rimou)rsrs...Cada comentário seu revela um ser humano feliz, que aprecia tudo e todos ao seu redor, interage com o seu mundo aí agora e nem por isso muda esse jeito simples, que eu adoooro!
Parabéns pela coragem e conquistas diárias! Vc merece!
Namastê!
E por falar em poesia...:
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...
Que já têm a forma do nosso corpo ...
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares ...
É o tempo da travessia ...
E se não ousarmos fazê-la ...
Teremos ficado ... para sempre ...
À margem de nós mesmos...
Fernando Pessoa
Ê Teresa, que legal a sua contribuição de hoje, maravilhosa e animadora, como sempre.
Esse apoio que o Julim tem recebido de seus irmãos é muito importante para ele,que se dispôs a fazer a sua travessia.É muito gratificante para mim poder estar vivenciando essas experiências dele na Índia e de seus irmãos aqui;tudo isso é bênção. Viu, Julim?Um abração e meus desejos de que a nova casa seja tudo de bom para você.
Julinho, adoro seus comentários e fico morrendo de vontade de comer essas comidinhas. afinal, a gente sempre estudou na escola que vasco da gama fez a viagem pras indias pra buscar as tais especearias, né!...sempre achei estranho tanta especearia...mas olha elas aái por toda parte!
bjo.
Julim, como faz pra mandar msg pro seu celular?
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