Hoje eu tenho a impressão de enfim ter relaxado, ficado à vontade.
Dormi até umas 10:30 da manhã, e dado o adiantado da hora, decidi por ir na missa da tarde, que em teoria se dá às 15:30.
Aí levantei, tomei um banho no bloco dos padre (que a água não tinha voltado) e pelas uma e meia saí.
Não quis cozinhar aqui, porque não sabia se a água tinha voltado, então era melhor não arriscar não ter como lavar las panelitas.
Saí láááá pela Hosur Road, que é a rua da frente. Existe uma outra saída aqui perto, que dá na Christ School Road, mas o convento de Santo Antônio é na Hosur, então fui pra lá, porque de um jeito ou de outro, por dentro ou por fora do campus, ia ter de fazer isso.
Minha gente... que calor.
O Marco tinha aparecido aqui lá pelas 9:00 dizendo que ia dormir até a água voltar, então fui almoçar eu comigo mesmo.
Pedi um troço aleatório no "Mango Tree", que é um restaurante no caminho da igreja. E pedi um Maaza, que é um refrigerante de manga da Coca Cola daqui.
O tal de Maaza é uma porcaria. Grosso, açucarado e quase sem gás. Não lembra em nada refrigerante nenhum do Brasil.
E o prato que eu pedi veio com umas pimentas malaguetas vermelhonas enooooormes enfiadas lá no meio.
Como eu sou um cabra corajoso, encarei. Uma delícia, tirando a queimação na garganta. Minha língua e minha boca nem sentem mais nada, depois dessas três semanas. E nem os intestinos, que fazem o processo muito tranquilamente de tudo.
Saí dali umas duas e meia e fui pra igreja. O calor tinha aumentado, até me senti meio zonzo na hora que saí do restaurante, que tem um ar condicionado. Quando cheguei na igreja, descobri que a missa é 17:30. Essa igreja fica a vinte minutos de caminhada daqui. Mas vinte minutos de caminhada debaixo do sol, meu povo. Debaixo de muito sol.
Voltei semi-conformado e pra a nossa alegria a água voltou. Na cozinha tem bastante, no banheiro ela tá chegando devagar. Deve ser ar nos canos. Com o tempo, resolve-se quase sozinho, bastando abrir tudo e esperar o dilúvio. Quando funciona, o chuveiro é muito bom! Água quentinha durante o dia, e de noite geladinha. Ou seja, não tem água quente/água fria. Se precisar desesperadamente de água quente, basta pegar o seu baldinho e com alegria enche-o numa torneira de água quente que fica no corredor. Muito prático! Ai você entra em casa com o seu balde e toma banho de caneca!
De noite, ontem, encontrei o pe Viju, que tava voltando de caminhar. A primeira vez que eu vejo um padre de roupa de gente comum. Normalmente, eles tão ou de "roupa de padre", que é essa roupa social que todos os padres do mundo combinam de usar. Ou estão de batina. E a batina deles é branca. Aí fica esse monte de padre disfarçado de papa rodando pra cima e pra baixo, andando de lambretinha... É muito curioso.
Eu resolvi de escrever agora, as 16:30 da tarde, porque não tem nada pra fazer. O plano de buscar ficar mais íntimo de Deus na Índia até agora tem se mostrado um sucesso porque não tenho televisão, nao tenho rádio, não mora quase ninguém no prédio. O que dá pra fazer é sair e tentar encontrar algum dos padres ou seminaristas que moram aqui que estiverem à toa. Ou estudar ou dormir, escrever ou rezar.
Moro com um Amigo bacana que nunca sai da minha cola, fica sempre em volta, e realmente é um enorme consolo, porque fala português. E ai eu fico aqui assim. Até gosto daqui. Tem sido um aprendizado muito bom. Mas como eu sinto saudade... saudade até do que não presta, tipo a reunião do Judac das três horas. Acho que fui na igreja nessa hora atrás de vocês. Mas vocês não tavam lá.
Vim andando debaixo do sol meio zonzo de calor e sede, e quando cheguei aqui, achei cada um nas gotinhas de água que começam a aparecer. Enchi os dois baldes do bem. Tomei uma água gelada. Que luxo, uma garrafa de água gelada... Tenho dentro de mim também baldes e garrafas de muitas lembranças, erros, choro, riso, acerto, brincadeiras... Se eu pudesse trocar cada um dos acertos que tive sozinho por vinte erros com vocês, eu trocaria. É muito pesada, a solidão. E ao mesmo tempo, muito construtiva. Quis por muito tempo fazer um retiro de silêncio no JUDAC, quem se lembra?
Tô fazendo aqui, um prolongado. Só escuto passarinhos. Cucos, aqui tem cucos. E corvos e pombos e esquilos e águias. Escuto todos eles, e Uma voz. Só Uma. E ela é o silêncio. Que revoltante me é agora, assim, lembrar-me da ave-maria que insistem em rezar depois da comunhão. Ou do canto de Ação de Graças ou de sei lá o que.
Tem que deixar a pessoa sozinha, pra aprender a ouvir Essa voz. Ela é real e irresistível. Tão irresistível que vai me fazer sair debaixo do sol de novo, daqui a pouco, só pra encontrá-lo assim muito brevemente, frágil e solúvel, a se desmanchar em mim.
Boa semana a todos.
Dormi até umas 10:30 da manhã, e dado o adiantado da hora, decidi por ir na missa da tarde, que em teoria se dá às 15:30.
Aí levantei, tomei um banho no bloco dos padre (que a água não tinha voltado) e pelas uma e meia saí.
Não quis cozinhar aqui, porque não sabia se a água tinha voltado, então era melhor não arriscar não ter como lavar las panelitas.
Saí láááá pela Hosur Road, que é a rua da frente. Existe uma outra saída aqui perto, que dá na Christ School Road, mas o convento de Santo Antônio é na Hosur, então fui pra lá, porque de um jeito ou de outro, por dentro ou por fora do campus, ia ter de fazer isso.
Minha gente... que calor.
O Marco tinha aparecido aqui lá pelas 9:00 dizendo que ia dormir até a água voltar, então fui almoçar eu comigo mesmo.
Pedi um troço aleatório no "Mango Tree", que é um restaurante no caminho da igreja. E pedi um Maaza, que é um refrigerante de manga da Coca Cola daqui.
O tal de Maaza é uma porcaria. Grosso, açucarado e quase sem gás. Não lembra em nada refrigerante nenhum do Brasil.
E o prato que eu pedi veio com umas pimentas malaguetas vermelhonas enooooormes enfiadas lá no meio.
Como eu sou um cabra corajoso, encarei. Uma delícia, tirando a queimação na garganta. Minha língua e minha boca nem sentem mais nada, depois dessas três semanas. E nem os intestinos, que fazem o processo muito tranquilamente de tudo.
Saí dali umas duas e meia e fui pra igreja. O calor tinha aumentado, até me senti meio zonzo na hora que saí do restaurante, que tem um ar condicionado. Quando cheguei na igreja, descobri que a missa é 17:30. Essa igreja fica a vinte minutos de caminhada daqui. Mas vinte minutos de caminhada debaixo do sol, meu povo. Debaixo de muito sol.
Voltei semi-conformado e pra a nossa alegria a água voltou. Na cozinha tem bastante, no banheiro ela tá chegando devagar. Deve ser ar nos canos. Com o tempo, resolve-se quase sozinho, bastando abrir tudo e esperar o dilúvio. Quando funciona, o chuveiro é muito bom! Água quentinha durante o dia, e de noite geladinha. Ou seja, não tem água quente/água fria. Se precisar desesperadamente de água quente, basta pegar o seu baldinho e com alegria enche-o numa torneira de água quente que fica no corredor. Muito prático! Ai você entra em casa com o seu balde e toma banho de caneca!
De noite, ontem, encontrei o pe Viju, que tava voltando de caminhar. A primeira vez que eu vejo um padre de roupa de gente comum. Normalmente, eles tão ou de "roupa de padre", que é essa roupa social que todos os padres do mundo combinam de usar. Ou estão de batina. E a batina deles é branca. Aí fica esse monte de padre disfarçado de papa rodando pra cima e pra baixo, andando de lambretinha... É muito curioso.
Eu resolvi de escrever agora, as 16:30 da tarde, porque não tem nada pra fazer. O plano de buscar ficar mais íntimo de Deus na Índia até agora tem se mostrado um sucesso porque não tenho televisão, nao tenho rádio, não mora quase ninguém no prédio. O que dá pra fazer é sair e tentar encontrar algum dos padres ou seminaristas que moram aqui que estiverem à toa. Ou estudar ou dormir, escrever ou rezar.
Moro com um Amigo bacana que nunca sai da minha cola, fica sempre em volta, e realmente é um enorme consolo, porque fala português. E ai eu fico aqui assim. Até gosto daqui. Tem sido um aprendizado muito bom. Mas como eu sinto saudade... saudade até do que não presta, tipo a reunião do Judac das três horas. Acho que fui na igreja nessa hora atrás de vocês. Mas vocês não tavam lá.
Vim andando debaixo do sol meio zonzo de calor e sede, e quando cheguei aqui, achei cada um nas gotinhas de água que começam a aparecer. Enchi os dois baldes do bem. Tomei uma água gelada. Que luxo, uma garrafa de água gelada... Tenho dentro de mim também baldes e garrafas de muitas lembranças, erros, choro, riso, acerto, brincadeiras... Se eu pudesse trocar cada um dos acertos que tive sozinho por vinte erros com vocês, eu trocaria. É muito pesada, a solidão. E ao mesmo tempo, muito construtiva. Quis por muito tempo fazer um retiro de silêncio no JUDAC, quem se lembra?
Tô fazendo aqui, um prolongado. Só escuto passarinhos. Cucos, aqui tem cucos. E corvos e pombos e esquilos e águias. Escuto todos eles, e Uma voz. Só Uma. E ela é o silêncio. Que revoltante me é agora, assim, lembrar-me da ave-maria que insistem em rezar depois da comunhão. Ou do canto de Ação de Graças ou de sei lá o que.
Tem que deixar a pessoa sozinha, pra aprender a ouvir Essa voz. Ela é real e irresistível. Tão irresistível que vai me fazer sair debaixo do sol de novo, daqui a pouco, só pra encontrá-lo assim muito brevemente, frágil e solúvel, a se desmanchar em mim.
Boa semana a todos.
6 comments:
É... meu querido! Às vezes precisamos "retirar" tudo de nós e deixar que só nosso Amigo reine...e Ele consegue preencher o espação que cabia aquele tudo e ainda vai além... e nunca mais somos os mesmos!
Mas a gente se esquece e começa a deixar entrar uma porcaria hoje, uma coisinha de nada amanhã, e então é preciso voltar e começar tudo de novo! Ai, ai...e não tem jeito, Ele tá sempre ali, nos rodeando!Que Ele não largue nunca do seu pé, nem do meu... e muito menos daqueles que se esquecem de esvaziar-se!
Um abraço de saudade!
Uai, Julim, e o Bharat, apareceu? Não esquece de mandar um abraço meu pra ele e a esposa!
Ah, Juju, daqui a pouquinho vc vai ter amigos aí; vc vai ver!!
Beijinhos no seu coração! A Zezé e o Gabriel estão mandando beijos, e aguardam a nossa próxima excursão conjunta pelo Sul de Minas. Acharam graça da sua geladeira "mogno", hahaha...
Enquanto isso, vc fica aí curtindo o Sul da Índia...
Tira uma fotinho da fachada do seu predinho e posta aí.
Beijokas, te amo!
Julinho,
Meus momentos prediletos solidão, solidão
Mas sempre convosco, Jesus, Senhor.
Junto ao vosso coração passo horas agradáveis
E junto dele minha alma encontra descanso
Quando o coração está repleto de Vós e cheio de amor,
A alma arde com fogo puro,
Então no maior abandono a alma não sente solidão,
Porque descansa em vosso seio.
Meus momentos prediletos solidão, solidão
Mas sempre convosco, Jesus, Senhor.
Ó solidão momentos da mais elevada companhia
Embora abandonada por todas as criaturas
Afundo-me toda no oceano de vossa divindade,
E Vós ouvis ternamente as minhas confidências
bjo
bárbara
Eu não ia fazer um comentário debochado nesse post, mas a Bárbara não me deu escolha...
"Meia noite, solidão!"
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
"ó beata solitudo, ó sola beatutudo"!
São Bernardo de Claraval.
Fique bem, tudo passa...só Deus permanece.
Aroveite essa oportunidade de experimentar essa solidão, poucos puderam fazer isso e não se encontraram jamais. Deus o abençôe.
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