Saturday, April 14, 2012

Tá bonito

Sabiam que tá começando a embelezar os trem por aqui?
Esse negócio de skype e facebook e blog e email e tudo o mais preenchem um vácuo enorme, entre aí e aqui.
Quando eu acordo, as pessoas estão indo dormir, lá pelas meia noite daí. E, quando dá umas 4 horas, 4 e meia, vocês começam a acordar.
O registro será feito hoje, devido a problemas burocráticos diversos daqui. A congregação desses padres controla duas universidades, a Christ e a Dharmaram. A Christ é laica, e a Dharmaram é eclesiástica, uma espécie de PUC.
Ai que no meu passaporte devia estar escrito Student Visa, e eu poderia ser registrado em qualquer uma das duas como estudante. Mas está escrito Research Visa - Christ University, então eu so posso ser registrado lá. Isso não faz lá muito sentido, porque as pós graduações de Teologia e Filosofia são na Dharmaram. Então o que estão tentando fazer é uma gambiarra indiana. Aqui não tem jeitinho, só jeitão mesmo.
Como os padres são a fonte pagadora e talz, eles vão me registrar numa universidade só pra constar, e eu fico na outra de fato. Não precisarei assistir aulas e nem nada - essa é uma vantagem enorme... Aqui tudo é assim, meio "bagunçado", como eu expliquei ontem (e recebi reclamaçoes, pq o povo só quer saber de avacalhação), e os problemas não são antecipados, mas simplesmente resolvidos quando surgem. Do mesmo jeito, o pessoal, por força da noção de castas e tudo o mais, é conformado ao ponto de ser autêntico. Você pergunta de lavar a bunda e eles respondem, porque todo mundo tem bunda. E, como não há a menor possibilidade de ascensão social ou pessoal ou espiritual - o nascimento numa casta determina que você está preso a ela, eles não se esforçam por disfarçar as misérias pessoais deles. Sào abertíssimos, e isso ajuda muito. Pelo menos é o que parece, e é claro que tem setores onde isso não é tão acentudado. é o caso dos padres daqui mesmo, por exemplo. Mas o curioso é que mesmo o cristianismo daqui é indianaço. Eles não falam de "salvação dada por Cristo", mas de "realizar o Dharma e o Moksha de Jesus Cristo". Só que dharma e moksha são coisas que cabem a apenas castas específicas. Por isto, não tem um esforço de evangelizaçao da Índia e nem nada. Num tipo de Calvinismo ou Agostinianismo, eles simplesmente esperam que as pessoas se tornem cristãs, por força dos karmas de cada um ou sei lá, e então realizam o dharma e o moksha. Se as pessoas não vierem, elas não serão buscadas. Claro, estamos falando de evangelizaçao e busca de adeptos sob uma ótica proselitista, que e ficar enchendo o saco dos outros de porta em porta vendendo revista sentinela, ou algo parecido com isto. O estilo é todo outro, é o de viver de boa e esperar que, olhando o exemplo deles, as pessoas desejem se tornar cristãs e assim o façam. E esta opinião é karma. É o karma que rege a vontade e a demanda pelo dharma, que leva a moksha. Maneiro, e difícil, né? Mas serve bem pra explicar porque as pessoas são assim tão acessíveis, amigáveis e fáceis de lidar. Todos querem ajudar de alguma forma, pois ao fazer isto, elas melhoram o karma delas, ajudando o cumprimento do karma do outro. E talvez assim possam atingir níveis mais altos de realizações.
Mas vamos falar de coisas triviais.
Ontem eu fui no shopping, dentro do qual tem um supermercado, no melhor estilo Colinas, de Sao José dos Campos. Comprei banana, sabonete, desodorante, shampoo, barbeador, espuma e... papel higiênico. Em uma investigaçao mais profunda do assunto, junto a um padre daqui que fala italiano (até que eu me virei bem com ele, vcs precisavam ver que coisa difícil falar portuliano...), descobri que eles carregam sempre um rolo de papel ou uma caixa de lenços, pra hora de enxugar, no fim do processo. Então é culturalmente aceito que a pessoa passe indo pro banheiro carregando o seu rolinho... O que é muito gozado.
Rodei na rua procurando uma mochila, porque a minha tá se arrebentando, e só achei coisas de marca. Benneton, Speedo, Reebok, Nike. Comprei a Nike mais barata, que é umas doze vezes melhor que a minha velha (da marca YES, dada pelo Fred quando ele sumiu com a minha) por 1295 rupias. Um preço bem alto, mas bem baixo. Alto pros padrões daqui, mas baixo pros nossos. Algo em torno de 30 dólares, já que o dólar está 51 rupias. Aí fiquei PLAY! Com computador e camera Sony dentro da mochila NIKE. A Camera eu comprei no FreeShop daqui, por 130 dólares, incluindo a camera, um cartão de memória adaptado pra SD (uma coisa que te dispensa de ter aquele cartao ridículo da sony que não e compatível com nada) e um case, de colocar no cinto. Tudo Sony, com garantia e etc. ou seja... paguei uns 240 reais por um kit desses, se considerarmos o dolar a 1,89.
O mercado todo ficou por 900 rupias. Pela penca de banana, 50 centavos de real. Muito baratinho, né? O negócio ficaria muito bom pro meu lado se eu viesse morar aqui perto, e estou considerando até mesmo mudar de um hotel pro outro (tem um aqui na rua por 20 dólares a diária, o que daria 480 por mês com café da manhã, quarto arrumadinho e etc) se o negócio do hostel emperrar. Ou alugar um 2/4. Vi um prédio cheio deles pertinho daqui, em um condomínio fechado e de alto nível. O aluguel seria uns 500 dólares. Nada mal. Enfim... objetivamente, estou no mesmo ponto de ontem: sem saber se vou ficar e nem nada.
Mas o cheiro de flor nos jardins, a afabilidade das pessoas, o custo de vida muito baixo e coisas assim começam a me fazer querer ficar. Ainda mais sabendo que o maluco do frederico vem pra cá mesmo, e nem vai precisar da minha carta convite! Procure o consulado de São Paulo, seu sortudo que mora no estado de São Paulo... vão te dar o visto de um dia pro outro. Vai passar um jetlag do cão, que eu sei que isso é meio de família e você levou uns 4 dias na Nova Zelândia pra se colocar no fuso.
Quanto a isso, hoje acordei umas duas vezes só, no meio da noite, e muito brevemente. Dormi umas 7 horas! Muito bom! De hoje pra amanhã, eu devo dormir mais!
E amanhã deve ser legal, porqueo Barath, aquele amigaço da Bia, chega de manhã e está insinuando que quer se encontrar etc. Mas a gente não pode se oferecer aqui, sabe. Tem que se fazer de dificil ou é mal-visto. O bom vai ser que eu vou poder entregar os presentes que trouxe pra ele e a esposa.
O cara do México chegou ontem, e dormiu feito uma pedra, de acordo com ele mesmo, de ontem pra hoje. Fiquei até me sentindo um bunda-mole. Chama-se Marco, e a gente conversa em portunhol, só lascando generositos pra todo lado. É gente boa, mas tá pior que eu na burocracia daqui: veio com visto de estudante e não tem nem orientador. Ou seja... não pode ser registrado em lugar nenhum, o que tira dele o direito de ter conta bancária ou seguro de saúde ou mesmo um celular! Acho que ele vai gambiarrar e comprar um clandestino, pelo que eu ouvi.
É óbvio que eu não posso fazer isso, porque aqui tem assim uma coisa de seguir a lei e tudo. Então se descobrem isso, eu vou pra delegacia, e isso me faz perder a bolsa. E, perder por perder, preferiria perder indo pra casa, né!
Bom, por enquanto é isso. Mais tarde eu publico atualizações sobre o registro, se houver. Ah...e sabem de uma coisa? Já consigo falar o inglês deles aqui, que e meio louco. Tem pronúncias fixas! É uma versão mais facilitada. O U, por exemplo, é sempre A. E o O, sempre Ã. E assim vai...
Até mais, e sempre se lembrem de dar algm conteúdo a isso aqui, comentando.

4 comments:

Gisele Reis Simões said...

Tô feliz em saber suas impressões!
Bom ver que vc tá gostando... mas não gosta muito não, principalmente da parte dos preços.
Daqui a pouco eu perco um partidão por causa do barataço, hahaha!!!
Te amo, seu lindo!

Teresa said...

Querido irmão Julim,
me sinto privilegiada porque só eu te tenho como irmão há mais tempo que os outros...kkkk e como já sou uma chorona mesmo... agora choro mais ainda... não dá pra ficar indiferente aos seus relatos: emoção, verdade, mistério, realidade, religiosidade, sentimento puro, humanidade pura de uma das pessoas mais maravilhosas que já conheci nesta minha vida... e vou te falar uma coisa, muitas outras pessoas ainda vão poder te conhecer pelas prateleiras (não por aquelas que você instala com a maior boa vontade nas nossas casas...rsrsrs e põe "gambiarra" nisso ) mas nas prateleiras onde vão estar os seus livros. Cara, ninguém vai conseguir parar de ler seus livros...já estamos tendo o direito de nos deliciarmos antes do lançamento...eheheh
Também me sinto pequenininha, porque tô sempre te enchendo com o meu "nada" e vem você me dando o seu "tudo" aí com essa emoção toda...com essa beleza interior explodindo de tão verdadeira (hummm.. mas eu te acho bonito por fora tbém, tá?!!!)
Não é à toa que eu já gostava daquele seu presente pra nós: a música "Vento".. e como eu tenho refletido sobre ela.. vc sabe! Se a gente não pensar em tempo, em espaço de tempo, pode ter certeza... vc estava já aí, nesse momento, quando vc
fez essa música... vai entender... pra quê entender? Melhor é viver tudo isso aí que já está sendo uma experiência única e maravilhosa! Vá além do seu "attraversiamo" (acho que é assim). Viva intensamente o seu "Sonda-me"!!! O farol vai brilhar à noite nas suas águas onde vai estar o seu barquinho... pode ter certeza!!!
Bom, mas esse meu textinho aqui já tá grande demais (falo pouco, né?) É vc quem tem que contar essa sua história aí, que já tá se transformando um pouco na nossa aqui tbém... não se fala em outra coisa É O BLOG DO JULIM!
Te amo muito, muito, muito! Sinto muito sua falta... mas quem sabe vamos nos encontrar mais cedo que vc pensa? kkkkk
"Este é o momento, ainda há tempo da voz do Vento tu escutares!"
Pois é, meu querido! Bem que na próxima vez que vc dormir no colo de Maria e ao lado de Jesus fale assim por mim... será que tem um cantinho nesse barco aí pra mim? Diga que Ele é a razão da minha vida e que O tenho encontrado muitas vezes nos últimos tempos no meu nada, no fundinho do meu coração, lá onde alguns têm medo de ir...lá onde os olhos ficam encharcados e a alma parece só...diga que O encontro nas pessoas que amo e nas que preciso amar mais, na música, nos amigos, no abraço de verdade, na alegria, no sol, na lua, na lembrança boa (pronto, já tô chorando!) e fala pra Maria que não ouso entender a dor maior do mundo que ela teve, qdo viu seu filho numa cruz...e que peço sua proteção sempre, especialmente pra vc aí agora, tão longe e tão perto, tão presente em todos nós.
Só pra vc, Julim!

Deus é capaz de transformar tua vida
O impossível Ele fará porque és precioso aos Seus olhos
E se tiveres a coragem e a loucura de acreditar
Então irás provar que Ele pode muito mais

Deus é capaz de trocar reinos por ti
Abre mares para que possas atravessar
E se preciso fosse daria novamente a vida por ti
Deus só não é capaz de deixar de te amar

Fique e volte com Deus, meu querido irmão!

Um beijo no seu coração!

Teresa.

Bárbara said...

KKKKK
ri muito da parte do catolicismo sendo engolido pelo sistema de pensar dos indianos, pela cultura daí. isso se chama ANTROPOFAGIA...quer dizer que indiano também faz isso...o que Oswald de Andrade, que cunhou o termo a partir de nossos tupi-guaranis, diria disso?
***
agora conta pra eles aí que os padres católicos aqui benzem fitinhas do senhor do bonfim e deixam fiel beijar fitinhas de santo e fazer oferta em cruzeiros...eles não vão entender nada...ou então vão entender tudo, né?...bjo

Maria Maria said...

Julim, devido aos preços de banana das coisas aí, vou ter que aumentar minha listinha.... Depois te mando por e-mail....huahahuahuahu! Na volta vc vem vestido no avião com todas as suas roupas, ao melhor estilo Joey, pra poder caber todos os nossos presentes na mala, tá?