Friday, June 29, 2012


A gente às vezes quer um biscoito recheado. Desses Nabisco.
Aí só tem cream-cracker. A gente come o cream-cracker e é horrível.
O outro não quer nada. Aí ganha um cream-cracker.
E é delicioso, o mais delicioso de todos os alimentos da terra.
O segredo é não querer nada.
Quando não se quer nada, tudo é ganho. Quando se quer, tudo é perda.
Se o que quer o Nabisco ganha um Nabisco, mata uma vontade, mas não aprecia o Nabisco.
Aí que quem quiser aproveitar as coisas da vida, tem que não querer nada.
Só quem está livre de desejo está vivo de verdade.
Para dar ao Nabisco, ao Cream-cracker, ao copo d'água, à lata de diet coke, à caminhada, ao pulo, ao jogo de futebol, ao Winnig Eleven no Playstation, a calça, a saia, a cueca, o banho, o cheiro do sabonete, tudo depende de nada.
É que para as coisas serem, precisa haver um espaço de não-ser onde a realidade da coisa possa brotar.
Aí fica assim a condição para apreciação do algo: criar dentro de si um nada. 
Quando for comer um biscoito, não se preocupe em apreciá-lo. Deixe-o ser. Let it be. 
Quando sentir uma dor, não lute contra ela: deixe-a ser. O sofrimento a respeito da dor é o que a torna mais dolorida.
Quando ganhar um sorvete muito gelado, destes que trincam o dente, não o queira apreciar e nem queira se preocupar em não se preocupar em apreciar. Apenas tome.
É assim, simples demais.
Tão simples, que se torna extremamente complicado.

3 comments:

Glorinha said...

Você levou a folhinha do Sagrado Coração pra India? Não? Então é coinciddência mesmo.Olha que interessante: li o pensamento de Fernando Pessoa no dia 27 e guardei-o pensando em você. Ele diz exatamente assim: " Quer pouco , terás tudo. Quer nada, serás livre". É isso aí. Um beijok grande de saudade.

Banana said...
This comment has been removed by the author.
Banana said...

De fato, li isso tb...
Quanto mais fome a gente tem, mais gostoso é qualquer tipo de biscoito...
Ou seja, quando a gente procura não ter nada, a gente ganha tudo, não por deixar de querer, de buscar, mas sim porque, ao nada ter, as coisas mais simples da vida ganham maior significado e mais sabor...